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Jerónimo continua a encabeçar lista de Lisboa. Ferreira vai em décimo lugar
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Jerónimo continua a encabeçar lista de Lisboa. Ferreira vai em décimo lugar

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

Jerónimo continua a encabeçar lista de Lisboa. Ferreira vai em décimo lugar

FILIPE AMORIM/OBSERVADOR

PCP aposta em listas de "continuidade", mas com novidades: João Ferreira entra de fininho, Miguel Tiago volta e Bernardino apoia

Comunistas mantêm lugares elegíveis como estavam, com a mesma aposta nas camadas jovens. João Ferreira não é elegível, mas entra nas listas (em 2019 ficou de fora). Um sinal para o futuro?

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Nove nomes. Foi assim, colocando nove caras à frente da de João Ferreira nas listas de candidatos a deputados para Lisboa, que o PCP arrumou meses de especulação: Jerónimo de Sousa vai continuar a liderar a lista e Ferreira, tantas vezes apontado como seu iminente sucessor, vai para já continuar fora do Parlamento, uma vez que concorre num lugar quase impossível de eleger. O que não quer dizer que não haja uma novidade a ter em conta: há dois anos, o possível sucessor nem sequer integrava o leque de candidatos; agora — para o caso de ser preciso? — faz parte da lista de nomes que o PCP vai entregar até dia 20 de dezembro.

O mistério foi desfeito esta sexta-feira e terá tido impacto junto dos outros partidos: havia meses que nos partidos vizinhos, sobretudo à esquerda, se especulava sobre a eventualidade de uma sucessão estar próxima no PCP. As teses já circulavam nos bastidores da esquerda antes de Jerónimo ter sido reeleito no congresso de novembro de 2020 e intensificaram-se com a crise política provocada pelo chumbo deste Orçamento, havendo mesmo quem no PS e no BE apostasse que o PCP aproveitaria este cenário para renovar a bancada e lançar Ferreira no Parlamento. A estratégia passaria por encurtar (significativamente) o mandato de Jerónimo e antecipar o ciclo de Ferreira, que já se candidatou por quase todos os cargos possíveis no PCP — mas nunca foi deputado.

A pergunta sobre se deixaria o cargo foi, de resto, feita uma e outra vez a Jerónimo de Sousa, que foi respondendo aos jornalistas com um grau de paciência variável. Na noite das eleições autárquicas, quando fez um discurso em que assumia mais uma derrota para o PCP, insistiu na fórmula ‘oficial’: “A questão não está colocada”.

Depois, perante a insistência dos repórteres, ironizaria: “Para vosso descanso, asseguro que um dia deixarei de ser secretário-geral. Por enquanto, daquilo que sei, essa questão não está colocada pelos meus camaradas, em relação a mim, enquanto houver este envolvimento solidário e coletivo que eles me dão quotidianamente”. Já a seguir à última reunião do comité central diria aos jornalistas: “Na organização das listas, no plano pessoal, não há grande novidade”.

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Confirmou-se: para quem achava que o grande sinal sobre uma eventual sucessão na liderança seria uma mexida nas listas já este ano, a espera, como Jerónimo vinha indicando, continua. Por agora, João Ferreira continua como vereador na Câmara de Lisboa, assento que manteve nas autárquicas de outubro, e faz parte da comissão política do Comité Central, um dos órgãos mais restritos do PCP.

Partido ficou animado com o resultado de João Ferreira nas autárquicas. CDU conseguiu 10,5% em Lisboa

JOÃO PEDRO MORAIS/OBSERVADOR

Mesmo assim, há sinais a registar: este ano, Ferreira, que desempenhava o cargo de eurodeputado desde 2009, disse adeus a Bruxelas em julho (foi substituído por João Pimenta Lopes) para se dedicar a Lisboa; agora, entra nas listas do PCP — mesmo que num lugar que afasta uma eleição direta — ao contrário do que tinha acontecido em 2019 ou em 2015.

No limite, isto asseguraria que, a haver uma mudança de líder no PCP a meio do próximo ciclo de quatro anos (Jerónimo ainda tem três anos de mandato pela frente), e se os comunistas quisessem contar com Ferreira no Parlamento, uma série de desistências nos lugares mais cimeiros permitiria que isso acontecesse. É um cenário mais longínquo, mas se a liderança for mesmo para Ferreira e isso acontecer antes das próximas legislativas, o atual vereador de Lisboa fará parte do elenco que pode chegar aos assentos do Parlamento.

Já este sábado, em entrevista à CNN, Jerónimo voltou a frisar que “um dia” sairá da liderança, mas deixou um recado: sente um “descanso imenso” por ver “um partido vitalizado com a juventude e capaz de assumir as responsabilidades”. Nas palavras de Jerónimo: “Que bom que é saber que existe um conjunto de jovens dirigentes que estão em condições para assumir as mais altas responsabilidades”.

Líder do PCP elogia “jovens dirigentes” com capacidade para lhe sucederem no cargo

Bernardino mandatário, Miguel Tiago volta a Lisboa com lugar difícil

Na lista de Lisboa mantém-se a aposta na renovação a que o PCP quis dar lugar em 2019: logo a seguir a Jerónimo de Sousa aparecem a jurista Alma Rivera, de 30 anos, e o economista Duarte Alves, da mesma idade. Há dois anos, ambos entraram nas listas (Alves já estava no Parlamento em substituição do ex-deputado Miguel Tiago, que saíra em 2018). E a estratégia prossegue — o PCP orgulha-se, aliás, de ter uma das bancadas mais jovens do Parlamento.

Entrevista ao deputado do PCP Duarte Alves, na Assembleia da República. Lisboa, 18 de novembro de 2021. JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Duarte Alves é uma das caras novas em que o PCP tem apostado. Trata das Finanças no Parlamento e volta a ser candidato por LIsboa

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Ao Observador, o gabinete de imprensa do partido regista isso mesmo: as listas foram desenhadas tendo como base a “perspetiva de confirmar e reforçar” a posição do PCP e “mantendo no essencial a continuidade dos actuais deputados”. Uma continuidade das listas que continham “já em si elementos de renovação em 2019″; e o PCP confia que as perspectivas de reforço eleitoral traduzirão renovação na composição do grupo parlamentar”.

Em Lisboa, segue-se o nome de Mariana Silva, atual deputada do PEV, e depois a investigadora Cristina Cruzeiro. A seguir, em sexto, um regresso ao círculo de Miguel Tiago, que depois de ter abandonado o Parlamento em 2018 tinha sido candidato em 2019 por Viseu, um círculo onde o PCP não tem representação. Desta vez volta às listas de Lisboa, ainda assim num lugar muito difícil: em 2019, só entraram quatro nomes da CDU (PCP + PEV).

Ainda no círculo lisboeta, mais um regresso de um dos nomes mais conhecidos fora do partido, embora não como parlamentar. O ex-deputado Bernardino Soares aparece como mandatário da candidatura de Lisboa, depois de em outubro ter perdido a câmara de Loures — uma derrota surpreendente, e pesada, para o PCP — e de ter assumido a pasta da Saúde dentro do partido. O antigo autarca, que é também comentador na CNN, terá assim tarefas no partido e espaço mediático, mas não voltará ao outro palco que conhece bem: o púlpito do Parlamento.

João Oliveira para segurar Évora, onde o perigo é iminente

Nas listas dos restantes círculos, poucas ou nenhumas novidades. Na tal perspetiva de “continuidade”, numas eleições que são intercalares, o PCP volta a candidatar as atuais deputadas Diana Ferreira e Ana Mesquita pelo Porto e o líder parlamentar, João Oliveira — que em 2019 viu o seu lugar em risco, tendo sido o último deputado a ser eleito no seu círculo, com 13.890 votos — por Évora. A posição de Oliveira será um dos perigos a ter em conta na noite eleitoral dos comunistas.

João Oliveira é o líder parlamentar. Em 2019 foi o último deputado a ser eleito por Évora

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Nos restantes círculos por onde tem, neste momento, representação (o PCP tem agora 10 deputados, a somar aos dois do PEV), os comunistas mantêm João Dias em Beja e António Filipe por Santarém. Só falta saber qual é o segundo nome da lista que será encabeçada pela deputada Paula Santos em Setúbal.

Em 2019, o cabeça de lista setubalense tinha sido o histórico Francisco Lopes, mas a estratégia mudou rapidamente: perante os resultados fracos, que encolheram a bancada de 15 para 10 deputados, o deputado desistiu do mandato passado poucos dias para deixar o deputado Bruno Dias entrar. Na altura, o PCP explicou que, feitas as contas às muitas tarefas que o partido teria para atribuir a poucas mãos, esta seria a solução mais ágil e mais versátil. Desta vez, o partido saltou esse passo e mantém a bancada como está, fazendo votos de que a crise ainda possa trazer-lhe mais alguns assentos.

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