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João Pedro Morais/Observador

João Pedro Morais/Observador

Philippe Besson: “Há 30 anos, tive de me esconder para poder amar” /premium

É amigo do presidente Macron, considera-se de esquerda e rejeita os conservadores. De passagem por Lisboa, o escritor francês falou de política e do novo livro: "Deixa-te de Mentiras", uma autoficção.

À conversa com o Observador por ocasião de uma recente visita à Lisboa, Philippe Besson, ao contrário de muitos escritores, não se mostrou especialmente preocupado em esconder detalhes sobre a história que decidiu contar no novo livro — Deixa-te de Mentiras, sucesso editorial de 2017 em França sob o título Arrête Avec Tes Mensonges, publicado agora em Portugal pela Sextante Editora, com tradução de José Lima.

Para ele, não é apenas a narrativa que agarra os leitores, mas também ou sobretudo a carga emocional que cada um encontra nas páginas dos livros. “Defino-me como escritor de sentimentos, um escritor do sensível, do sensorial, do sensual”, afirmou. A entrevista foi feita em inglês, mas quando em certos momentos precisou de se explicar melhor, Besson recorreu ao francês materno, sempre com gestos largos e discurso vigoroso.

À mesa de um café no Chiado, o também dramaturgo, argumentista e documentarista, de 53 anos, ponderou as razões deste êxito literário e explicou a urgência que sentiu para criar uma obra que define como autoficção. Na primeira pessoa, em 158 páginas, desfia memórias suas de uma paixão adolescente numa pequena vila francesa em 1984. O livro terá ecos de Chama-me Pelo Teu Nome, romance de André Aciman e filme de Luca Guadagnino, mas parece sobretudo dar continuidade a uma genealogia francesa de romances autobiográficos em torno da homossexualidade: a começar em Hervé Guibert (Ao Amigo que Não Me Salvou A Vida, 1990), passando por Didier Eribon (Regresso a Reims, 2009) e terminando no fenómeno de popularidade Édouard Louis (Acabar Com Eddy Bellegueule, 2014).

Depois de mais de 16 anos a escrever apenas romances — três deles traduzidos em Portugal: Em Tempos de Guerra (2008), Um Instante de Abandono (2009) e Uma Boa Razão Para Se Matar (2013) — Deixa-te de Mentiras marcou a aproximação de Besson a um estilo intimista que entretanto adotou em mais dos títulos saídos em França no ano passado.

A história valeu-lhe o Prémio Maison de la Presse e vai agora ser adaptada ao cinema pelo realizador Olivier Peyon, com filmagens agendadas para o verão e estreia prevista nos primeiros meses de 2021. O nome dos atores está por enquanto guardado a sete chaves.

Eleitor de esquerda, filho de um comunista e amigo do presidente francês Emmanuel Macron e da mulher, Brigitte, Besson disse o que pensa da crise dos Coletes Amarelos em França, comentou o caso do escritor francês acusado de abuso sexual de menores e mostrou-se intransigente quanto ao que considera ser o discurso de ódio nas redes sociais da internet.

“Deixa-te de Mentiras” é um original de 2017 e chegou às livrarias portuguesas no início de fevereiro

Como explica o êxito deste livro?
Não sei explicar. Para mim também foi surpreendente. Quem escreve, espera sucesso, claro, mas este livro é acerca da minha intimidade, da minha primeira história de amor. Sinceramente pensei que não teria interesse para ninguém.

É estranho um escritor com tantos anos de trabalho pensar que ninguém o vai ler.
Estou a falar a sério. Até agora, escrevi sobretudo ficção, é disso que gosto, de romances, de histórias que não se relacionem com a minha vida ou intimidade. Antes deste livro, nunca tinha escrito sobre mim e ponderei sobre se a história de dois rapazes homossexuais em 1984 numa cidade chamada Barbezieux, no sudoeste de França, teria algum interesse para a maioria dos leitores. Pensei que o público não se iria rever e rejeitaria estas personagens. Quando se escreve sobre a intimidade, temos a oportunidade de escrever de forma universal. Foi o que descobri com este livro. Percebi que, afinal, as pessoas se reconheceram na ideia do primeiro amor, porque toda a gente teve um primeiro amor e uma primeira separação, toda a gente sabe o que é ter saudades de alguém, toda a gente sabe o que é a rejeição. Talvez tenham sido estes os motivos que levaram ao sucesso do livro em França. Mas depois o sucesso aconteceu também em Inglaterra, nos EUA, na Alemanha, em Itália. Terá sido pelas mesmas razões? Não sei.

Ou seja, o livro tocou as pessoas ao nível emocional.
Sim. Recebi muitas cartas de leitores e quase todas referiam o mesmo: “Chorei, chorei muito enquanto lia.” Por vezes acrescentavam: “Não sou homossexual, mas senti necessidade de lhe escrever.” Penso as pessoas sentem que poderiam ter vivido uma história de amor como esta, mas provavelmente já é tarde, estão casadas ou comprometidas com alguém que não será a pessoa certa. “Será esta a vida que sonhei quando tinha 17, 18 anos?” É nisto que pensam.

Quando estava a escrever não lhe ocorria pensar nesse tipo de reações?
Quando escrevo, não estou a pensar no mundo à minha volta. Escrever um livro é o ato mais solitário que há na vida, estamos sozinhos, absolutamente sozinhos, e precisamos disso, adoro a solidão da escrita. Os leitores não existem nessa fase, nunca penso sobre se vão gostar ou não. Seria bonito dizer o contrário, mas a verdade é esta: não penso nos leitores quando estou a escrever, só depois de terminar o livro. Foi no fim que pensei que ninguém iria gostar desta história e até comentei com a minha editora.

[Em 2003, o romance “O Seu Irmão”, de Philippe Besson, foi adaptado ao cinema por Patrice Chéreau:]

O que é que o levou a escrever “Deixa-te de Mentiras”?
Homenagear o Thomas, dizer que amei aquele rapaz, que aquele rapaz se transformou em homem e morreu. Se eu não escrevesse sobre ele, ele morreria duas vezes. Foi um tributo, uma ocasião para dizer que já fui feliz. A felicidade aconteceu-me, sei o que é, já não existe, mas fui feliz. Por outro lado, quis falar sobre amores clandestinos. Tínhamos 17 anos, estávamos nos anos 80 numa pequena cidade francesa, era impossível dizer aos outros que éramos homossexuais. Quem o fizesse, seria gozado ou agredido. Aqui conto como foi amar alguém e não poder falar sobre isso. É maravilhoso e terrível, ao mesmo tempo. Foi um amor clandestino que só nos pertenceu a nós, a mim e a ele. É isto: há 30 anos, tive de me esconder para poder amar.

Mas o narrador nunca se apresenta como vítima das circunstâncias. Até diz nas primeiras páginas que vive um silêncio obstinado, que nunca vai mudar, que será sempre fiel à sua natureza.
Eu sabia que era homossexual, tinha descoberto por volta dos 10 ou 11 anos, e nunca vivi isso como uma catástrofe, aceitei com naturalidade. Era uma situação que criava em mim uma diferença e me distinguia dos outros. Ao mesmo tempo, sempre soube que os outros rapazes da escola iriam fazer pouco de mim e ameaçar-me, portanto, remeti-me ao silêncio. Orgulhava-me de ser gay, mas não podia dizer que o era; são coisas diferentes. Entretanto, o Thomas apareceu na minha vida e disse-me que poderíamos ser namorados na condição de não dizermos nada a ninguém. Novamente o silêncio.

Se o Thomas não tivesse morrido, em 2016, este livro teria existido?
Penso que não. Quem me deu a notícia foi o Lucas, filho dele, e foi-me insuportável. Pensei que estava ali uma vida desperdiçada, ele suicidou-se depois de andar a vida toda a esconder-se. Senti-me compelido a escrever, para salvar esta vida do vazio. O filho dele, no fundo, também me pediu que escrevesse. Ao dar-me a carta que aparece no fim do livro, estava a pedir-me “por favor, escreve”. Menos de uma hora depois de vir desse encontro com o Lucas, comecei a escrever, era uma obrigação, não podia não escrever.

Algumas recensões em inglês puseram a hipótese de se tratar de um livro de ficção.
Mas não é ficção, é a verdade. Devo clarificar: é a verdade porque os acontecimentos se passaram da forma como os apresento. Quando se escreve um romance, está-se a trabalhar com um mundo imaginário. Em Deixa-te de Mentiras trabalhei com a minha memória, que é composta por lembranças exatas e outras que estão reconstruídas, que são fantasmáticas. O livro é a soma de ambas. Portanto, é um livro verídico em 95 por cento. Faço um contrato com o leitor: tenho de ser sincero e genuíno, precisamente porque é uma história verdadeira.

Habitualmente, os escritores dizem que tudo aquilo que escrevem é de alguma forma autobiográfico. Aceita?
Aceito. Até hoje, publiquei 16 romances, que são romances, resultam da minha imaginação. Nunca fui um pai que matou o filho, como em Um Instante de Abandono [2005], nunca fui uma mulher vestida de vermelho, como em L’Arrièrre-Saison [2002]. Inventei estas histórias, mas também pus aquilo que sou, o que sinto ou senti, o desejo, a falta, a frustração, as memórias de amor. É impossível, totalmente impossível, escrever ficção sem a dimensão pessoal. Vem de nós, do que vivemos. E, no entanto, é uma ficção.

"É habitual a televisão, o cinema e a literatura apresentarem os homossexuais como vítimas, apenas como vítimas. Ser uma vítima não define as pessoas, pode ser uma parte da vida daquela pessoa."

Concorda que há semelhanças entre Deixa-te de Mentiras e as narrativas de escritores franceses como Hervé Guibert, Didier Éribon e Édouard Louis? Têm em comum a homossexualidade, a origem mais ou menos rural e a escrita íntima na primeira pessoa.
Haverá pontos comuns. Devo dizer que sou um grande admirador de Hervé Guibert e gosto dos livros de Didier Éribon e de Édouard Louis. A grande diferença está em que Didier Éribon e Édouard Louis ambicionam uma mensagem política, um compromisso ideológico, a luta contra a homofobia, a denúncia da discriminação numa pequena cidade francesa. Têm uma mensagem política e assumem-no.

Uma mensagem de raiz marxista.
Certo. Acontece que eu não tenho mensagem política, isto é, não a tenho enquanto escritor. Posso expressar opiniões políticas como cidadão e já o fiz num documentário televisivo que realizei sobre homofobia [“Homos, La Haine”, canal France2, 2014]. A mensagem política em literatura é uma coisa terrível, é a negação da ideia de romance. Um romance é sobre sentimentos e emoções. Não preciso de dizer ao leitor “percebeste o que quis dizer?” ou “será que entendeste bem que este livro é para lutar contra a homofobia?”. Não é preciso. Os romances não são funcionais, não devem ambicionar uma função.

Devem servir para quê?
Para que cada um os leia na sua própria solidão e sinta e pense alguma coisa que lhe pertence apenas a si. Um livro não é uma reunião, é um momento de intimidade, fala de sentimentos, não de ideias políticas. Um romance não funciona como um frigorífico, não tem uma função. Se se tratar de um ensaio ou de um artigo de opinião num jornal, tudo bem. Refiro-me ao romance, seja ele de ficção ou de autoficção. Não é um eletrodoméstico, não desempenha uma tarefa.

O romance só serve para veicular emoções?
Apenas emoções. Depois, claro, se através das emoções o leitor aprender alguma coisa, se se tornar melhor pessoa, excelente, faria de mim o autor mais feliz do mundo. Mas essa não é a ambição inicial. Procuro que o leitor sinta coisas e se encontre a si mesmo na história. Não tenho interesse em fornecer pistas, em fazer uma demonstração. Detesto autores que demonstram coisas. Por isso mesmo, não aprecio a vitimização. Penso que é horrível alguém apresentar-se como vítima.

Está a dizer que os discursos sobre homofobia e homossexualidade costumam resvalar para a vitimização?
Não, mas é habitual a televisão, o cinema e a literatura apresentarem os homossexuais como vítimas, apenas como vítimas. Ser uma vítima não define as pessoas, pode ser uma parte da vida daquela pessoa. Há dois ou três meses, conversei com [o escritor norte-americano] Bret Easton Ellis e ele disse-me uma coisa que me agradou: “Ser homossexual é uma das dez coisas que sou. Sou homossexual, americano, vivo em Los Angeles, conduzo um carro, por aí fora.” Acontece que quando leio alguns livros e vejo alguns filmes fico com a sensação de que as pessoas se apresentam como homossexuais e mais nada, como se não houve outras coisas que as caracterizassem. Sou homossexual, não tenho nenhum problema com isso, mas sou mais do que isso e de certeza que não sou uma vítima. Sou também escritor, cidadão, francês, eleitor, etc.

Se tudo é política, uma personagem homossexual que recusa a vitimização, como neste livro, será também uma personagem política.
Provavelmente, mas não foi intencional, não decidi que seria assim. O problema é a intenção. Não sou um escritor engajado, não sou um artista comprometido. Seria formidável apresentar-me dessa forma, é uma coisa que engrandece, que dá aura. Pois eu não sou. Defino-me como escritor de sentimentos, um escritor do sensível, do sensorial, do sensual. É isso que me interessa. E além disso, em paralelo, sou um cidadão que vota, um documentarista que faz filmes com opinião.

"Macron não silencia quem se mostra discordante. Digo-lhe muitas vezes que preferia que a governação dele fosse mais à esquerda, mas ele é que é presidente."

Qual é a sua ideologia política?
Pertenço à esquerda. Sou filho de um professor que era comunista, fui criado numa família muito à esquerda e sempre votei à esquerda, com exceção de 2002, quando dei o meu voto a Chirac, porque o adversário era Jean-Marie Le Pen.

Está a sugerir que o presidente Macron se situa à esquerda? Foi apoiante dele nas eleições de 2017.
Não, claro que não, ele é um político de direita. Em 2017, disse que era tanto de esquerda como de direita, mas não é. Em França, tentámos a esquerda e a direita e ambas falharam, porque não tentar outra coisa? O candidato da esquerda nas presidenciais de 2017 era muito fraco, Benoît Hamon, que obteve 6 por cento e já foi muito bom. Macron tinha sido ministro de um governo de esquerda, tinha essa origem e prometia unir o espectro político. Porque não?

Votou nele, certo?
Sim e agora que Macron é presidente penso que a política económica que tem aplicado é claramente de direita e não é a minha. Somos amigos, gosto muito dele e espero que tenha sucesso, mas no campo das ideias está à direita e eu sou um eleitor da esquerda.

Falam sobre essas divergências?
Sempre. Macron é uma pessoa que entende tudo e está sempre disponível para ouvir. Não silencia quem se mostra discordante. Digo-lhe muitas vezes que preferia que a governação dele fosse mais à esquerda, mas ele é que é presidente e fará o que entende.

“Há uma raiva e um desespero por detrás dos Coletes Amarelos. O escritor Sylvain Tesson diz que França é um paraíso, mas os franceses sentem que vivem no inferno”

Para alguém tão dialogante, Macron alcançou uma impopularidade histórica.
Todos os presidentes são impopulares. Ele terá 30 a 35 por cento de aprovação, Chirac teve 25 por cento, Sarkozy também, Hollande andou nos 15 por cento. Os franceses são assim: elegem um presidente e um ano depois odeiam-no.

Haverá alguma coisa mais profunda: diz-se que a crise dos Coletes Amarelos é a mais grave desde o Maio de 68.
Certo. Há uma raiva e um desespero por detrás dos Coletes Amarelos. O escritor Sylvain Tesson diz que França é um paraíso, mas os franceses sentem que vivem no inferno. Concordo com ele. Há uma parte do país que se sente à margem, que não consegue melhorar a qualidade de vida. Serão 10 a 25 por cento da população e têm de ser ouvidos. Não tenho respostas, não sei qual é solução.

A amizade com Macron estende-se à mulher dele, Brigitte. Também discute com ela as opções do presidente?
Sou amigo de Brigitte e de Emannuel, mas quando tenho alguma coisa para dizer a cada um deles, digo a cada um deles.

"Ser racista não é uma opinião, é um crime. Inquieta-me o racismo à solta, a violência verbal em todo o lado e com total impunidade."

Voltemos ao livro. Em algumas passagens fica-se com a sensação de que tem saudades do passado, não só da paixão inicial mas também da forma como o mundo funcionava.
Sou nostálgico, é verdade, mas podemos ter esse sentimento sem sermos reacionários. Não me considero reacionário nem conservador. Detesto reacionários e conservadores, aqueles que acham que dantes é que era bom. Gosto do progresso. Não sou como o jornalista Éric Zemmour, um verdadeiro reacionário. Também não podemos deixar de lembrar o passado e constatar que ali houve felicidade. Fui uma criança feliz, um adolescente feliz, é normal que sinta falta dessa fase. Vivia no edifício de uma escola, o meu pai era o meu professor e tive uma infância muito protegida. Não tínhamos televisão, não havia internet nem redes sociais e não havia violência. Era uma pequena vila. Foi a minha idade da inocência. E também sinto falta do Thomas. Tenho saudades desses tempos.

Lamenta a forma como o mundo tem evoluído? Ao lado de uma grande abertura e tolerância temos o fenómeno das redes sociais e a vigilância cada vez mais apertada sobre o que pode ou não ser dito. Como escritor, o que é que pensa?
As redes sociais geram uma violência insuportável. As pessoas sentem que estão autorizadas a dizer coisas horríveis, a ser racistas, antissemitas e homofóbicas, porque estão protegidas pelo anonimato da internet.

Provavelmente, há quem não tenha noção do alcance global das suas palavras.
Provavelmente. Mas repare: falou-me da vigilância apertada sobre aquilo que se diz. Para mim, o que há é uma enorme quantidade de pessoas a pensar que tudo lhes é permitido. Preferia que quem demonstra ser racista ou homofóbico através da internet fosse julgado e condenado. Ser racista não é uma opinião, é um crime, ou um delito, como dizemos em França. Inquieta-me o racismo à solta, a violência verbal em todo o lado e com total impunidade. Quem diz coisas contrárias à lei, tem de ser punido, é tão simples quanto isso.

Onde fica a liberdade de expressão?
Quem disser “odeio pretos” não está a usar da sua liberdade de expressão. Agora em França temos um problema com uma adolescente chamada Mila, que disse odiar o Islão. Em França, é permitido dizer que se odeia o Islão, porque temos direito a blasfemar. Podemos criticar e condenar uma prática religiosa. O que não se pode é dizer que se odeia muçulmanos ou cristãos. É aqui que está a linha de fronteira.

Mas as coisas podem ser mais complexas: alguém pode sugerir que odeia muçulmanos sem o dizer textualmente, o que deixa a mensagem no domínio da interpretação.
Talvez.

Utiliza redes sociais?
Não. Tenho Facebook e Instagram profissionais, mas não expresso opiniões pessoais, e não uso o Twitter.

Quer comentar o caso Gabriel Matzneff, o escritor francês acusado de promoção da pedofilia através dos seu livros?
É um pedófilo e deve ser julgado à luz disso.

O escândalo é grande em França?
Enorme, de nível nacional. Uma mulher decidiu falar e dizer a verdade. Chama-se Vanessa Springora, conheço-a muito bem, porque é minha editora. O problema é que a verdade era conhecida desde há muito, ele falava nos seus livros de práticas pedófilas com raparigas da Tailândia. Não li os livros. Portanto, o escândalo é menos a revelação do que o facto de todos termos decidido ignorar a verdade durante tantos anos.

O que é que mudou de repente?
As mulheres deixaram de ter medo de falar. São entendidas, são escutadas. Cabe agora à justiça tratar este caso.

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