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A equipa e o elenco de "Parasitas" no palco, depois da entrega do Óscar de Melhor Filme à produção sul-coreana

A.M.P.A.S. via Getty Images

A equipa e o elenco de "Parasitas" no palco, depois da entrega do Óscar de Melhor Filme à produção sul-coreana

A.M.P.A.S. via Getty Images

Poucas piadas e discursos fracos, mas com uma surpresa a pedir um copo (ou mais): os Óscares vistos do sofá /premium

Esperavam-se os Óscars da falta de diversidade; afinal, foram históricos, talvez revolucionários. No início, Alexandre Borges queria que fosse sexta-feira, mas ao domingo ainda calha bem.

De há uns anos a esta parte, sabíamos que era assim: só os discursos nos podiam salvar a noite dos Óscares. Os prémios eram previsíveis, os filmes quantas vezes desinteressantes; só os discursos – e os bits de humor, sem dúvida – poderiam tocar, emocionar, trazer qualquer coisa de memorável a uma noite que repetíamos ritualmente de ano para ano já sem saber sequer bem o porquê. Pois, esqueçam isso tudo.

À 92ª edição, a maioria dos discursos foi previsível, paralisada pelo botox ou pela ideia de profeta que algumas estrelas fazem de si mesmas; o que salvou os Óscares em 2020 foram os próprios Óscares. Os prémios, as escolhas, a Academia a quem todos tinham já tão prontamente acusado de “falta de diversidade”. “Joker”, 11 nomeações e apenas duas estatuetas, “O Irlandês”, dez nomeações e zero estatuetas, e “1917”, três estatuetas, zero nas categorias principais, são os grandes derrotados da noite. “Parasitas” e as suas quatro estatuetas, Tarantino, a Academia, Tom Hanks e os restantes nas primeiras filas do Dolby Theatre pedindo mais tempo e mais luz para o discurso da equipa de Bong Joon-ho, o amor que temos aos grandes filmes e, afinal, os próprios Óscares, são os grandes vencedores. Valeu, velho Óscar. Vamos lá recapitular como isto aconteceu, visto aqui de casa, minuto a minuto…

23h30: Começa o “Red Carpet Show”. Ou, como também é chamado em L.A., “as nossas Portas de Santo Antão”.

00h00: Prossegue o desfile na passadeira vermelha. Refletimos sobre se, um dia, Portugal poderá candidatar o VAR a melhor filme internacional.

00h45: Malta, tivemos uma ideia do caraças: e se, para o ano, combinássemos isto para uma sexta?

01h00: Janelle Monae comanda o número de abertura. Somos só nós que o achamos feito à medida para mostrar que, ao contrário dos membros da Academia, a “indústria” é muito inclusiva e diversificada?

01h06: Steve Martin e Chris Rock são a primeira dupla de apresentadores. Ambos já apresentaram os Óscares e confirmam a suspeita iniciada em Monae agora com todas as piadas à alegada falta de representatividade nas nomeações: a grande habilidade de Hollywood é conseguir fazer-se passar como conservadora e revolucionária ao mesmo tempo. Faz do espectáculo da sua celebração a maior crítica da sua celebração – ou vice-versa. Uma má consciência a desfilar em lantejoulas.

Brad Pitt venceu o Óscar para Melhor Ator Secundário, por "Era um vez em... Hollywood"

Getty Images

01h11: Primeiro Óscar: Melhor ator secundário. A categoria reúne alguns dos atores mais lendários dos últimos 30, 40, 50 anos de cinema: Al Pacino, Anthony Hopkins, Tom Hanks, Joe Pesci, Brad Pitt. O prémio, como esperado, vai para Pitt, por “Era uma vez em… Hollywood”. Merecia-o por Cliff Booth, a personagem no filme, merecia-o pela carreira inteira e merecia-o até pelo discurso em que, em coisa de um minuto, distribui agradecimentos sentidos e certeiros como poucas vezes se vê: a Tarantino, sem o qual a indústria seria muito mais seca, a Di Caprio, a Geena Davis e Ridley Scott, os primeiros a apostar nele, aos duplos, aos filhos. Um ícone, que é do que se fez Hollywood.

01h23: Nas imortais palavras de Homer Simpson: “D’oh!” Portugal tinha uma chance nestes Óscares e acaba de perdê-la: o favorito “Klaus”, em que Sérgio Martins é supervisor de animação e o irmão Edgar supervisor da história, acaba de perder a categoria de melhor longa de animação para “Toy Story 4” (que é como quem diz, Tom Hanks perdeu o primeiro Óscar da noite, mas leva o segundo).

01h25: “Hair Love” ganha o Óscar para melhor curta de animação. O filme tem cerca de três minutos e está disponível online. O realizador Matthew A. Cherry e a produtora Karen Rupert Toliver dedicam o prémio a Kobe Bryant e falam da importância da representatividade, particularmente no cinema de animação, pois é aquele que mais trabalha junto dos espectadores na idade em que formam a sua tábua de valores. Os 92.ºs Óscares começam a sair-se bem.

01h29: Idina Menzel interpreta a primeira canção original nomeada da noite: “Into the Unknown”, do segundo volume de “Frozen”. Isto é, o primeiro daqueles três ou quatro momentos em que os Óscares todos os anos ficam ali a roçar rés-vés com o Festival da Canção ou o “Natal dos Hospitais”.

01h39: Vai sair o Óscar para melhor argumento original. De ano para ano, a ordem pela qual as estatuetas são entregues vai ficando ainda um pouco mais estranha. Entregam-se logo os prémios para melhores atores secundários, argumento original e adaptado, melhor filme de animação, para abrir o apetite para que Óscares? Melhor Design de Produção? Melhor Mistura de Som? Em todo o caso, há palmas cá em casa: “Parasitas”, escrito pelo realizador Bong Joon-ho e pelo seu assistente Han Jin Won, leva o prémio, ganhando-o a “1917”, “Marriage Story”, a Rian-eu-matei-a-guerra-das-estrelas-Johnson (por “Knives Out”) e ao “Once upon a Time…” de Tarantino. E faz o discurso de agradecimento em coreano – vai buscar.

Atuação surpresa de Eminem: “Lose Yourself” põe a sala toda a dançar do pescoço para cima. Se tivesse presente que foi já há 17-anos-17 que a canção levou o Óscar em “8 Mile”, talvez não se tivesse levantado para aplaudir no fim, mas chorado (como é que isto passa tudo tão depressa, jesuscristo?)

01h42: Natalie Portman e Timothée Chalamet – este num dos fatos de treino mais bonitos que já vimos – anunciam o Óscar de melhor argumento adaptado para “Jojo Rabbit”, de Taika Waititi. É a segunda grande surpresa da noite e significa que, depois de um coreano, o outro prémio de argumento vai para um neozelandês. Nada mal para quem era acusado de “falta de diversidade”, hum?

01h47: Surpresa também nas curtas-metragens. Vence “The Neighbor’s Window”, em vez do favorito “Brotherhood”.

01h56: Aproveitando a presença de tantos realizadores na sala, Maya Rudolph e Kristen Wiig dão show exibindo toda a sua panóplia de recursos e registos (nomeadamente, o de fazer humor sem serem moralistas). O Óscar de design de produção (sabíamos que estavam ansiosos por saber isto) é o segundo a ir para “Once upon a Time…” e o de Melhor Guarda-Roupa (por este então é que vocês ficam acordados até às duas da manhã) abre e fecha a conta de “Mulherzinhas”.

02h01: Chrissy Meltz canta “I’m Standing with You”, segunda nomeação à melhor canção original. Nesta categoria, pelo que podemos perceber, o Óscar premeia, sobretudo, a capacidade de se fazer, ano após ano, a mesma canção tão embaraçosamente melosa que ninguém tem coragem de nos acusar de plágio.

02h08: Mark Ruffalo vem anunciar os prémios para os documentários, quatro dos quais são dirigidos ou codirigidos por mulheres, elucida, arrancando um aplauso que não parecia especialmente satisfeito com a conquista. “American Factory”, da produtora do casal Obama e realizado por Steven Bognar e Julia Reichert, leva o boneco.

02h13: “Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl)”, de Carol Dysinger, ganha a ronda. Um filme de uma mulher sobre mulheres, declaração de amor às miúdas de Cabul que têm a coragem de estudar. Um pequeno discurso notável, cheio de ação e conhecimento próprio e não de palavras preparadas para as redes sociais e os salões a reforçar a ideia de que talvez, este ano, as escolhas da Academia tenham sido bem mais atentas e efetivas do que o publicitado.

Laura Dern, Melhor Atriz Secundária por "Marriage Story"

Getty Images

02h16: O magnético Mahershala Ali vem anunciar o Óscar para a melhor atriz secundária. Torcemos por Kathy Bates, única e notável representante de “O Caso de Richard Jewell” nesta cerimónia, mas o prémio vai para a esperada – e nem por isso desmerecida – Laura Dern, distinguindo a construção da implacável advogada de “Marriage Story”. Dern completa 53 anos e faz um discurso breve, mas intenso, com uma palavra emocionada para os pais Bruce Dern e Diane Ladd. Nunca deixamos de ser filhos, miúdos pequenos, diante dos olhos duma mãe chorosa. Mesmo quando estamos a receber um Óscar.

02h26: Defina cliché: um clip recorda a ligação umbilical entre canções e filmes. O que é que lá está? “My Heart Will Go On”, “Eye of the Tiger”, “I Will Always Love You”… Enfim. É preciso perceber que estas pessoas só tiveram 364 dias para pensar e preparar isto.

02h29: Atuação surpresa de Eminem: “Lose Yourself” põe a sala toda a dançar do pescoço para cima. Se tivesse presente que foi já há 17-anos-17 que a canção levou o Óscar em “8 Mile”, talvez não se tivesse levantado para aplaudir no fim, mas chorado (como é que isto passa tudo tão depressa, jesuscristo?)

02h37: Salma Hayek. (era só para dizer isto)

02h38: E chega aquele momento da noite em quer tentamos explicar à pessoa ao nosso lado no sofá a diferença entre edição de som e mistura de sim. Basicamente, é mais fácil explicar a regra do fora-de-jogo a uma menina invisual que tenha vivido até hoje na selva, criada por um casal de tigres brancos.

02h39: Melhor edição de som: “Le Mans 66: O Duelo”. É que estava-se mesmo a ver.

02h40: Melhor mistura de som: “1917”. Claro. Completamente diferente. É o primeiro Óscar para o filme de Sam Mendes, para quem a noite, até aqui, parecia ter começado efetivamente em 1917.

02h42: O momento em que Randy Newman randynewma a categoria dos nomeados aos Óscares de melhor canção. Neste caso, “I Can’t Let You Through Yourself Away”, de Toy Story 4. Deus te abençoe, Randy.

A sala de pé para Bong Joon-ho, que volta a subir ao palco acompanhado da sua tradutora. Elogia a direção em que aponta o novo nome da categoria – Melhor Filme Internacional – pede ao elenco que se levante e o Dolby Theatre responde com nova aclamação e sai, debaixo de uma gargalhada, anunciado que está pronto para ir beber até ser de manhã.

02h50: Depois da apresentação Rudolph-Wiig, esta é a segunda de duas que vale a pena procurarem na internet: Julia Louis-Dreyfus e Will Ferrell a distribuirem os Óscares para melhor fotografia e melhor montagem com noções muito próprias do que seja cada uma. O veteraníssimo Roger Deakins vem recolher a esperada estatueta por “1917” e “Le Mans…” a da montagem, igualando, inesperadamente, a liderança da corrida até agora: dois Óscares para eles, dois para “Once upon a Time…”, dois para “1917”.

03h04: Cynthia Erivo canta “Stand Up”, de “Harriet”, que também protagoniza. Soa a Óscar.

03h09: Faltam nove categorias, sensivelmente o último terço. Entre elas, estão melhor canção, melhor banda sonora e melhor caracterização – porquê? Será por alguma destas razões que um filme é um grande filme? “Adorei aquele filme. Bem, é que tem uma caracterização…”

03h12: James Corden e Rebel Wilson, vestido à personagens de “Cats” e arrasando o filme já de si mais arrasado do ano (“Ninguém mais do que nós percebe a importância de ter bons efeitos visuais…”) entregam o Óscar dos ditos: “1917” soma o terceiro da noite e só agora nos apercebemos de como Sam Mendes pode ser o gémeo perdido de João Loureiro (“Aventuras, quero mais… Aaaaaaah. Sim, quero mais. Aaaaaaah”).

03h17: Melhor caracterização: “Bombshell”. Basicamente, um prémio das Belas Artes. Toma lá um Óscar por teres tornado a Charlize Theron, a Nicole Kidman e a Margot Robbie ainda mais bonitas.

03h24: A propósito de mais bonitas, Penélope Cruz anuncia o Óscar anteriormente-conhecido-por-melhor-filme-em-língua-estrangeira, não para “Dor e Glória”, do seu querido Pedro Almodóvar, mas, como esperado, para “Parasitas”. A sala de pé para Bong Joon-ho, que volta a subir ao palco acompanhado da sua tradutora. Elogia a direção em que aponta o novo nome da categoria – Melhor Filme Internacional – pede ao elenco que se levante e o Dolby Theatre responde com nova aclamação e sai, debaixo de uma gargalhada, anunciado que está pronto para ir beber até ser de manhã.

03h27: Não há João Loureiro, mas há Elton John, que vem tocar o seu festivo “I’m gonna Love me Again”, do biopic “Rocketman”, que é a quinta e última nomeada a melhor canção. Perdoem-nos não saber o nome da mulher linda sentada ao lado de Mark Ruffalo que dança de maneira tão sexy com um curto movimento do ombro. Mas sabemos que queríamos estar ao lado daquele ombro.

Joaquín Phoenix: Melhor Ator por "Joker"

Getty Images

03h37: Gal Gadot, Sigourney Weaver e Brie Larson, três super-heroínas, vem anunciar que, pela primeira vez em 92 anos, a orquestra da cerimónia é dirigida por uma mulher, no momento em que vai interpretar uma rapsódia das cinco nomeadas a melhor banda sonora. Weaver nunca fez de super-heroína? Claro que fez. Além do mais, tem 70 anos, rapazes. 70 anos. E aquela aparência.

03h42: E sai, finalmente, um Óscar para “Joker”: melhor banda sonora. Aliás, o Óscar é para Hildur Guonidi… Hildur Guaraná… Hildur Guonagetyagetyagetya… Enfim, é o primeiro Óscar para “Joker”.

03h45: Óscar de melhor canção: “(I’m Gonna) Love Me Again”, “Rocketman”. Isto é, no ano em que José Cid recolhe o Grammy Latino, Elton John leva o Óscar. Está tudo dito.

03h51: Spike Lee com um fato que homenageia Kobe Bryant, vem entregar o Óscar de melhor realizador. Porquê anunciar o melhor realizador antes do melhor ator ou da melhor atriz? Nem vale a pena discutir. Há alguns nomes enormes por aqui: Martin Scorsese, por “O Irlandês”, Quentin Tarantino por “Once Upon a Time in Hollywood”, o favorito Sam Mendes, por “1917”, e Todd Phillips, por “Joker”, Mas o anúncio surpreende verdadeiramente a sala (e Sam Mendes, que não consegue disfarçar: é Bong Joon-ho, por “Parasitas”. O discurso, emocionado, atrapalhado, desarticulado como deve ser um momento de verdadeira honestidade, tem vários momentos: a lembrança de uma lição do tempo da escola (“O mais pessoal é o mais criativo.”), a reverência perante Martin Scorsese, que faz a sala levantar-se, enquanto o mestre que estudou e ao lado de quem nunca pensou sequer estar nomeado, quanto mais vencer; e a palavra para a Tarantino que segundo, Joon-ho, quando ainda ninguém conhecia o trabalho dele no Ocidente, já o incluía sempre na lista dos seus filmes preferidos do ano, com Tarantino a responder batendo no coração e que é dos momentos mais absolutamente cool dos Óscares em anos. Fala do amor ao cinema, direto, verdadeiro, sem fronteiras, programas, agendas. Só o prazer de ver e fazer grandes filmes.

Anos a fio temos criticado a Academia de Artes e Ciências pela previsibilidade ou conservadorismo, pois agora tiremos-lhe o chapéu: os Óscares 2020 voltaram a ser surpreendentes, corajosos, relevantes, até revolucionários. Mais inclusivo do que isto? Difícil.

03h55: Steven Spielberg vem lançar o “In Memoriam”, cada vez mais deslocado para um momento mais alto da cerimónia, o que tem tanto de inesperado como de belo.

03h56: A miúda Billie Eilish canta o velho “Yesterday”, sobre imagens de, entre outros, Kobe Bryant, Terry Jones, Agnès Varda, Anna Karina, Peter Mayhew (aliás, Chewbacca), Bibi Anderson, Doris Day, Rutger Hauer e Syd Mead (a lembrar-nos que uma enorme parte de “Blade Runner” desapareceu no ano em que o filme, afinal, se passava: 2019), Franco Zeffirelli, Peter Fonda ou Kirk Douglas a fechar.

04h02: O protagonista de “1917”, George Mackay, sintetiza uma boa parte do que é a cerimónia de entrega dos Óscares: “Deixem-me apresentar. Sou uma pessoa que vem apresentar outra pessoa que vem apresentar mais pessoas.”

04h03: Olivia Colman, brilhante melhor atriz no ano passado por “A Favorita”, vem entregar o Óscar para melhor ator com algum do melhor standup da noite: “O ano passado foi a melhor noite da vida do meu marido”, começa. “Espero que estejam a ter uma noite tão boa como ele teve.” Na corrida, está outro pelotão notável: António Banderas, Leonardo DiCaprio, Adam Driver, Jonatham Pryce e Joaquin Phoeniz. Mas o resultado é por demais esperado: Óscar para Phoenix, tornando-se o segundo Joker a recebê-lo, depois de Heath Ledger, e provando que é uma personagem que paga. Segue-se um discurso que ficará para a História como a verdadeira liquidificadora das causas: fala de igualdade de género, racismo, direitos dos homossexuais, dos animais, e até da malfeitoria do leite que pomos nos cereais. Sobre o filme ou as pessoas que trabalharam com ele? Nem uma palavra. A personagem que fez o discurso, porém, era interessante; tinha quase tantos tiques como o Joker.

04h12: Numa noite cheia de surpresas, as categorias de representação foram as linhas previsíveis: Renée Zellweger, pela Garland que encarnou em “Judy”, bate Cynthia Erivo, Charlize Theron, Scarlett Johansson e Saoirse Ronan. O discurso foi a cara de Renée: algo preso.

O Óscar de Melhor Atriz foi para Renée Zellweger, por "Judy"

ETIENNE LAURENT/EPA

04h26: Jane Fonda, 82 anos, recentemente presa e libertada, presa e libertada, pela sua participação nos protestos contra as alterações climáticas, fiz as palavras que fazem História: “Parasitas” é o filme do ano. Pela primeira vez na História, Hollywood distingue um filme de língua não inglesa. A equipa coreana vai ao palco em peso e estupefação total receber o prémio. São duas mulheres que fazem os discursos: a produtora e uma das atrizes. Mais: é um filme de língua não inglesa que fala do convívio entre ricos e pobres, de como os pobres podem ou não chegar à mesa dos ricos. Que tal está isto para falta de diversidade? Anos a fio temos criticado a Academia de Artes e Ciências pela previsibilidade ou conservadorismo, pois agora tiremos-lhe o chapéu: os Óscares 2020 voltaram a ser surpreendentes, corajosos, relevantes, até revolucionários. Mais inclusivo do que isto? Difícil. E não foram só palavras, nem palmadinhas nas costas, nem prémios de consolação. Foi um ato concreto. Não celebrar, mais uma vez, os heróis de guerra, nem sequer a própria Hollywood, nem a mensagem porventura simplista de “Joker”, mas sim a densidade desta. Afinal, os aliados perderam a guerra e Bong Joon-ho viu a realidade ir muito mais além do que, prudentemente, lhe dizia o realismo.

04h31: Acaba a noite. Os Óscares podem continuar a ser de domingo para segunda, afinal. Voltou a valer a pena e a ter sentido passar esta noite em claro.

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