Premiar a responsabilidade social para nos elevar a todos

18 Março 2019

As candidaturas ao Prémio Maria José Nogueira Pinto estão de novo abertas para continuar a distinguir projetos na área da responsabilidade social. Porque o bem de todos é tarefa de todos.

Favorecer a inclusão e a literacia nas mais diversas áreas, esbater assimetrias, combater estigmas, estar ao lado de quem precisa e impulsionar o contributo de quem normalmente não beneficia de holofotes apontados ao que faz – mesmo quando faz muito. É este o mote do Prémio Maria José Nogueira Pinto, criado em 2012 pela MSD, para distinguir projetos na área da responsabilidade social.

“Consideramos que a solidariedade e a responsabilidade social são das melhores formas de retribuir à sociedade aquilo que ela nos oferece enquanto empresa”
Vítor Virgínia, Diretor-Geral da MSD Portugal

Até ao momento, foram já reconhecidas 25 iniciativas de norte a sul do país, entre primeiros prémios e menções honrosas. As candidaturas para a edição deste ano já estão abertas – decorrem até 10 de maio –, pelo que as entidades que desenvolvam as suas atividades na área social podem agora submeter os seus projetos a este importante Prémio.  Segundo Vítor Virgínia, Diretor-Geral da MSD Portugal, “esta é uma área em que a MSD tem uma intervenção muito forte”. Porquê? “Consideramos que a solidariedade e a responsabilidade social são das melhores formas de retribuir à sociedade aquilo que ela nos oferece enquanto empresa”, justifica.

“A preocupação com questões sociais esteve sempre presente na atuação da MSD Portugal. O prémio é uma forma de exaltar a sua memória, homenageando uma grande mulher, que sempre se empenhou em defender uma intervenção socialmente responsável que mantivesse a coesão e a persistência nos valores de solidariedade e equidade social”
Vítor Virgínia, Diretor-Geral da MSD Portugal

E esta foi também a razão pela qual o galardão foi batizado com o nome de Maria José Nogueira Pinto: “A preocupação com questões sociais esteve sempre presente na atuação da MSD Portugal. O prémio é uma forma de exaltar a sua memória, homenageando uma grande mulher, que sempre se empenhou em defender uma intervenção socialmente responsável que mantivesse a coesão e a persistência nos valores de solidariedade e equidade social”.

O que faz de um projeto vencedor?

Quem não hesitou em associar-se à iniciativa desde o primeiro momento, na qualidade de presidente do júri, foi Maria de Belém Roseira, antiga ministra da Saúde e ex-presidente do Partido Socialista. Em entrevista ao Observador Lab, explica que “o prémio distingue ações de instituições de solidariedade social que sejam importantes para as comunidades em que se inserem e que tenham um conjunto de características que vêm descritas no regulamento”.

Com efeito, os critérios em que assenta a avaliação são bem claros: importância social do projeto; criatividade do modelo adotado; número de beneficiários; impacto na comunidade sob o ponto de vista económico, social ou de replicabilidade; continuidade temporal; e aplicação material do prémio. São, pois, estas as premissas que os elementos do júri analisam cuidadosamente em cada candidatura – só no ano passado, registaram-se 125 – com vista a encontrar aqueles que mais e melhor beneficiarão do valor monetário atribuído: dez mil euros para o projeto vencedor e mil euros para cada uma das três menções honrosas previstas.

“Penso que, dadas as dificuldades que se atravessam no país, com os indicadores sociais que todos conhecemos, esta candidatura é também boa por esse motivo, obriga as organizações a direcionarem-se para os objetivos mais importantes de acordo com as necessidades das comunidades onde estão inseridas”
Maria de Belém Roseira, Presidente do júri do Prémio Maria José Nogueira Pinto

Maria de Belém Roseira destaca como positivo o facto de as candidaturas serem feitas online, o que exige que cada concorrente sintetize ao máximo a informação: “Aquilo que nos interessa é o essencial e a candidatura em si já é uma forma de as entidades se darem a conhecer e, por vezes, com um pequeno trabalho de estímulo podem até vir a ser vencedoras em futuras edições do prémio”. Ou seja, a presidente do júri convida todos a apresentarem candidaturas, porque poderão beneficiar da própria reflexão a que este processo obriga: “Penso que, dadas as dificuldades que se atravessam no país, com os indicadores sociais que todos conhecemos, esta candidatura é também boa por esse motivo, obriga as organizações a direcionarem-se para os objetivos mais importantes de acordo com as necessidades das comunidades onde estão inseridas”.

Júri de reconhecido mérito

Ainda que as trajetórias de Maria de Belém Roseira e Maria José Nogueira Pinto tenham ficado marcadas por caminhos políticos diferentes, a verdade é que houve grande coincidência nos objetivos que pautaram a ação de ambas. E isso pesou na decisão de Maria de Belém Roseira em aceitar o convite para presidir ao júri deste prémio, que já vai na sua sétima edição. “Ao longo da vida que pudemos partilhar, tanto ao nível de contactos pessoais como em termos profissionais ou políticos, sempre nos entendemos naquilo que correspondia ao melhorar a vida das pessoas à nossa volta, cada uma com o seu modelo de construção de uma sociedade mais justa”, afirma, acrescentando que “aquilo que é muito importante é a coerência das pessoas e a sua seriedade em termos de trajetória de vida”.

“Ao longo da vida que pudemos partilhar, tanto ao nível de contactos pessoais como em termos profissionais ou políticos, sempre nos entendemos naquilo que correspondia ao melhorar a vida das pessoas à nossa volta, cada uma com o seu modelo de construção de uma sociedade mais justa”
Maria de Belém Roseira, Presidente do júri do Prémio Maria José Nogueira Pinto

Além de Maria de Belém Roseira, integram o júri outras personalidades nacionais de reconhecido mérito e com as quais Maria José Nogueira Pinto estabeleceu relações próximas ao longo da vida, como Miguel Anacoreta Correia, curador da Fundação Oriente; Clara Carneiro, elemento da Ordem dos Farmacêuticos e deputada na mesma legislatura que Maria José Nogueira Pinto; Isabel Saraiva, presidente da European Lung Foundation; Vítor Feytor Pinto, responsável pela paróquia a que Maria José Nogueira Pinto pertencia; Pedro Marques, diretor de External Affairs da MSD Portugal; e ainda Jaime Nogueira Pinto, marido e, como tal, nas palavras de Maria de Belém Roseira, aquele que “será sempre o intérprete mais fiel daquilo que ela poderia considerar realmente importante”.

EKUI – o projeto vencedor que garante a inclusão de todos

E se um simples baralho de cartas pudesse ajudar a aprender a ler e a escrever com mais rapidez toda a gente, tenha ou não dificuldades de aprendizagem? Esta foi a premissa que levou Celmira Macedo, professora de educação especial, a desenvolver o projeto EKUI (acrónimo de Equidade, Knowledge, Universalidade e Inclusão), vencedor da edição do ano passado do Prémio Maria José Nogueira Pinto. Única no mundo e de uma simplicidade e eficácia desarmantes, a metodologia EKUI já foi utilizada junto de mais de 3500 crianças em Portugal, desde que, em 2015, começou a ser posta em prática em Vila Nova de Gaia.

Prémio de 10 mil euros

O Prémio Maria José Nogueira Pinto tem o valor de 10 mil euros e é atribuído à candidatura que se destaque como socialmente responsável na comunidade em que se insere. Está ainda prevista a atribuição de três menções honrosas no valor de mil euros cada. Caso a qualidade dos projetos o justifique, o júri pode ainda decidir atribuir uma quarta menção honrosa.

Em concreto, o EKUI é um baralho de 26 cartas, cada qual contendo não só as letras do alfabeto, mas também a respetiva letra em braille táctil e visual, o alfabeto da língua gestual portuguesa e, ainda, o alfabeto fonético. O resultado é “uma metodologia de alfabetização e reabilitação que favorece um processo de aprendizagem muito mais rápido”.

De acordo com Celmira Macedo, “no jardim de infância, o objetivo do EKUI passa por educar para a diferença, criar sensibilidade e trabalhar a cidadania”, desde logo porque ensina a comunicar com crianças cegas ou surdas, por exemplo. Já no primeiro ciclo, “a intenção centra-se no processo de alfabetização e literacia, nomeadamente, aprender a ler, escrever e comunicar”. A metodologia pode ser usada junto de todas as crianças – tenham ou não necessidades educativas especiais – como também junto de adultos, quer naqueles que nunca aprenderam a ler ou escrever, como os que veem a sua capacidade de comunicar afetada na sequência de algum tipo de acidente ou problema de saúde.

Segundo a professora, mais de 2 mil professores e educadores de quase 400 escolas de todo o país já receberam formação sobre esta metodologia, e os números prometem continuar a subir. Muito por conta do Prémio Maria José Nogueira Pinto, cujo valor monetário “permitiu investir na componente digital do projeto”. Além de estar já disponível uma aplicação gratuita do EKUI para telemóvel, os responsáveis estão agora a desenvolver um conjunto de tutoriais que poderão ser acedidos livremente através do YouTube. Graças ao facto de terem vencido o prémio em 2018, Celmira Macedo destaca ainda “a grande visibilidade” de que beneficiaram pelo facto de terem surgido notícias na comunicação social sobre o projeto e a Associação Leque.

De Mértola a Peso da Régua – projetos que marcam a diferença

Desde que o Prémio Maria José Nogueira Pinto foi lançado, em 2012, foram já contabilizadas 555 candidaturas, tendo havido lugar à distinção de 25 projetos oriundos das mais variadas áreas de intervenção social e zonas do país. O primeiro distinguido foi o Sobre Rod@s, da Associação de Defesa do Património de Mértola, que, através de uma carrinha, pôs em andamento um projeto de itinerância, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos idosos, promover a sua autoestima e fomentar a inclusão social, quebrando assim o isolamento geográfico.

Já na segunda edição, o vencedor foi o projeto Cozinha com Alma, um take-away social aberto ao público, em Cascais, onde o lucro gerado é aplicado numa bolsa social que permite subsidiar refeições e capacitar famílias em dificuldades financeiras temporárias.

Memo e Kelembra nas Escolas foi o vencedor da edição seguinte, em 2015, visando aumentar o nível de literacia na área das demências, junto das crianças. Um ano depois, o público-alvo do projeto distinguido é constituído por idosos, mas acompanhados por jovens como tutores, através da iniciativa Centro de Inclusão digital Cyber-Sénior, promovido pela Fundação Otília Murta Lourenço e marido Dr. José Lourenço Júnior. O objetivo é simples: levar a que os mais novos ajudem os séniores na aquisição de competências digitais.

Ainda na área da tecnologia, Code Mode foi o nome do programa vencedor da quinta edição, desenvolvido pela Santa Casa da Misericórdia de Peso da Régua. Trabalhar com as crianças de forma a estimulá-las para as áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática foi o mote, contribuindo para a formação de cidadãos ativos e autónomos.

Vencedores acompanhados ao longo do percurso

E se, noutros prémios e galardões, só se sabe do vencedor no ano em que a distinção é entregue e depois aquele acaba por cair no esquecimento, aqui as coisas não se passam da mesma maneira. De acordo com Maria de Belém Roseira, “há sempre um acompanhamento e depois, na edição de entrega do prémio, vamos dar conta do que foi feito com o valor atribuído no ano anterior”, explica.

Prazos de candidatura

As candidaturas ao Prémio Maria José Nogueira Pinto decorrem até ao dia 10 de maio e devem ser apresentadas através do formulário online disponível para o efeito. O galardão será entregue no início do mês de julho em cerimónia pública a anunciar.

“É muito interessante perceber que, mesmo nas menções honrosas, o pequeno contributo que se dá é extraordinariamente importante para as instituições, porque vivem todas com grandes dificuldades”, diz, considerando o prémio como “um balão de oxigénio relevante”. O reconhecimento, afirma, é determinante: “Estas pessoas esforçam-se muito em zonas de grande privação e se tiverem um reconhecimento público, isso já é muito estimulador da sua autoestima. Assim, as pessoas sentem-se muito mais motivadas para investir na sua criatividade e não perdem a esperança, não se sentem completamente esquecidas ou desterradas, mas sim pertença de um país que reconhece o valor dessas organizações, como tendo um trabalho que é muito importante e que exige muito esforço e sacrifício”.

A responsabilidade social como “exigência cívica”

Para Maria de Belém Roseira, o investimento do setor privado na área da responsabilidade social “é cada vez mais uma exigência cívica”, desde logo porque “o lucro que obtém deve-se à sociedade, pelo que dar-lhe um retorno dos ganhos financeiros é muito importante”. Nas suas palavras, “isso aprofunda a responsabilidade social, porque o objetivo de uma empresa não pode ser só gerar lucro financeiro, tem também de contribuir para o desenvolvimento do tecido social. Caso contrário, deixará de ter, progressivamente, capacidade de gerar mais lucro”.

“Quando se fala de inclusão, qualquer gesto pode fazer a diferença. A expectativa é de que consigamos reconhecer, todos os anos, novos projetos que contribuam para uma sociedade melhor, mais equilibrada e mais inclusiva”
Vítor Virgínia, Diretor-Geral da MSD Portugal

Idêntica perspetiva é partilhada pela MSD, com Vítor Virgínia a afirmar que “as questões sociais são também uma preocupação presente na atuação da companhia”. “No nosso dia a dia, o principal compromisso passa por descobrir as melhores formas de marcar a diferença em tudo o que fazemos”, refere, sublinhando que o “Prémio Maria José Nogueira Pinto é, desde 2012, uma das ações cimeiras para cumprir este objetivo”.

“Continuar a cumprir a missão”

Segundo Vítor Virgínia, “as dificuldades por que passam os outros devem suscitar a atenção e o apoio da sociedade envolvente”, razão por que a companhia pretende “continuar a cumprir a missão de destacar a inovação social, reforçar a importância do terceiro setor e celebrar a iniciativa cívica de projetos de relevante dimensão comunitária”. Até porque estes, por norma, são desenvolvidos “num quadro de grande insuficiência de recursos”, reconhece.

Questionado sobre a expectativa que a companhia mantém em relação ao galardão, o responsável é claro na resposta: “Quando se fala de inclusão, qualquer gesto pode fazer a diferença. A expectativa é de que consigamos reconhecer, todos os anos, novos projetos que contribuam para uma sociedade melhor, mais equilibrada e mais inclusiva”.

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