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“Ele gosta da cor do carro, mas é em madrepérola. Como não é essa cor, não gostou. Ele já levou um igual. Deve estar cheio, é isso! Todos os carros que lá tem são em madrepérola”

Não eram carros que Franklim Lobo negociava. Estaria, na verdade, a usar uma linguagem codificada para falar sobre droga. Azeite, queijo ou tinta castanha metalizada também eram designações que habitualmente utilizaria para se referir à verdadeira mercadoria. Mas daquela vez terá preferido fingir que estava a falar de automóveis para ajustar os últimos detalhes de uma importação de cocaína do Brasil. Entre 15 a 20 quilos de droga seriam dissimulados na estrutura de um avião comercial que aterraria no aeroporto de Lisboa no fim de semana de 10 e 11 de outubro. O ano era 2015.

Segundo a acusação, a cocaína tinha sido colocada em diferentes locais da cabine do avião pelos colaboradores que Franklim Lobo tinha no Brasil. Tinham filmado todo o processo de acondicionamento da droga e fotografado cada sítio onde tinha sido escondida de forma a que outro colaborador que esperava o avião no aeroporto de Lisboa a pudesse recolher. O plano estava a correr como previsto: o avião aterrou no fim de semana com vários quilos de cocaína que, na segunda-feira seguinte, alguém iria recolher. Mas, por alguma razão, o colaborador não conseguiu localizar a droga e Franklim Lobo entrou em “desespero” — descrevem os procuradores que o viriam a acusar, anos mais tarde, de tráfico de estupefacientes.

Do Brasil chegava-lhe a informação de que a droga tinha sido colocada no avião como planeado. Ao mesmo tempo, o seu braço direito, Vítor Caeiro, tentava perceber junto do colaborador do aeroporto de Lisboa porque é que não conseguia encontrar a droga. Já “desesperado”, Franklim Lobo “descontrola-se” e deixa de usar a linguagem codificada relacionada com compra de carros para começar a falar do verdadeiro produto que estava a negociar. Aquele que é considerado o maior narcotraficante português acabaria por explicar na chamada todo o processo de importação da cocaína do Brasil, sem saber que a chamada estava a ser intercetada pela polícia e que tinha acabado de lhes dar de bandeja o seu modus operandi — mas o que aconteceu à mercadoria nem a polícia veio a perceber ao certo.

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