Quem entra e quem fica de fora? Guia para eleitores indecisos nas europeias de domingo /premium

24 Maio 2019

Estão na linha de água das listas dos seus partidos. Pelas sondagens, tanto podem ser eleitos como ficar fora do Parlamento Europeu. Quem são os candidatos que os votos dos indecisos podem decidir?

Sociólogos, advogados e médicos. Assessores políticos, vereadores e eurodeputados. À volta da linha vermelha que vai decidir quem ruma a Bruxelas e quem fica àquem da eleição gravitam dez deputados. Na lista há candidatos repetentes, figuras que, em tempos, não escapavam aos lugares seguramente elegíveis, e vários novatos. E há também atletas amadores, comilões, músicos e amantes da vida marítima (em aquários). As sondagens mostram que só os votos dos indecisos vão definir quais deles passam a eurodeputados durante cinco anos. Para alguns pode significar o regresso a Portugal — e até mesmo o fim de um percurso com 20 anos.

PS: 7 a 9 deputados

Com o primeiro lugar praticamente garantido nas eleições do próximo domingo, o PS mantém uma dúvida, alimentada pelas sondagens mais recentes. Conseguir 7, 8 ou 9 deputados no Parlamento Europeu será o mesmo que eleger ou não eleger Isabel Santos e Manuel Pizarro — cujo nono lugar na lista do PS ao Parlamento Europeu (PE) não foi pacífico dentro do partido.

Isabel Santos, a bisneta viciada em trabalho
51 anos
Deputada
8.ª da lista

Antiga governadora civil do Porto, Isabel Santos é, agora, deputada e vice-presidente da Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação Europeia, onde também já desempenhou as funções de presidente da Comissão de Democracia, Direitos Humanos e Questões Humanitárias.

Natural de Valbom, Gondomar, formou-se em Relações Internacionais e, antes de chegar à Assembleia da República, exerceu vários cargos autárquicos. Trabalhou como coordenadora do Centro Cultural de Rio Tinto, mas, com a vitória de Valentim Loureiro, pediu para ser transferida para a Câmara de Matosinhos, onde foi diretora de recursos humanos e adjunta do presidente. Os colegas que a receberam, na altura, notaram-lhe uma curiosidade: em cima da mesa de trabalho, Isabel Santos tinha a fotografia de um familiar — que, aparentemente, fazia questão de ter sempre com ela, um bisavô. Até aqui, nada de estranho, não fosse o facto de a candidata nunca ter conhecido esse bisavô. A quem perguntava porque razão se sentia tão apegada a esse parente desconhecido, ao ponto de andar sempre com o seu retrato, respondia que o via como o seu grande guia, do ponto de vista ideológico e do republicanismo.

Isabel Santos foi Governadora Civil do Porto e deputada socialista. Concorre pela primeira vez ao Parlamento Europeu, no 8.º lugar da lista encabeçada por Pedro Marques (Pedro Correia/Global Imagens)

Também nessa altura já lhe antecipavam uma carreira política como a que está a traçar, por ser muito obstinada e focada no trabalho. Isabel Santos é, aliás, descrita como viciada no trabalho, competente e muito aplicada naquilo que faz. Talvez por isso — e por ser mais reservada quanto à sua vida pessoal —, não se desvia muito de conversas sobre geopolítica, por exemplo, mesmo em encontros mais informais.

Chegou a ser candidata à Câmara de Gondomar e vereadora. Apesar das origens, não tem pronúncia do norte, mas garante que tem “um certo som a Porto” que, por vezes, acaba por sair. Na adolescência e na juventude gostava de ouvir Pink Floyd, Supertramp e Janis Joplin.

Manuel Pizarro, o guia turístico
55 anos
Vereador da Câmara do Porto
9.º da lista

O rosto de Manuel Pizarro será mais conhecido, sobretudo, pela passagem pelo governo de José Sócrates, como secretário de Estado da Saúde, e pela luta política com Rui Moreira — de quem passou de aliado a adversário (derrotado) nas últimas eleições para a Câmara do Porto. Médico, Pizarro foi também deputado e é, agora, vereador na Câmara do Porto e presidente da Federação Socialista portuense — para a qual foi reeleito, no ano passado, quase sem contestação, com 96,6% dos votos.

Foi, aliás, dos membros e militantes do PS no Porto que vieram as maiores críticas pela colocação de Manuel Pizarro apenas no nono lugar da lista a estas europeias. Um lugar visto como muito dificilmente elegível e, por isso, considerado “humilhante” e “desprestigiante” para o socialista.

No caminho para as eleições deste domingo, Pizarro enfrentou ainda uma outra polémica. Em abril, a revista Sábado tornava públicas acusações de falta de assiduidade no Hospital de S. João, onde também é assessor. Segundo a revista, o candidato tinha presença marcada no hospital ao mesmo tempo que estava em reunião na Câmara do Porto.

A escolha de Pizarro para, apenas, o novo lugar da lista de candidatos à europeias, vista como "humilhante", abriu uma guerra entre o PS Porto e António Costa (JOSÉ COELHO/LUSA)

Antes de chegar ao PS pela mão de Francisco Assis, Pizarro estava no Partido Comunista. A única ligação atual à ideologia comunista será agora pela literatura. Dizem dele que continua a ler  “literatura proto-comunista” e que, aos amigos, oferece livros como biografias de Lenine ou Trotsky.

Adora uma boa tasca — e tem menos gosto por cozinha complexa e luxuosa — e não tem o hábito de fazer muitas ou grandes viagens, mesmo em férias — que passa, sobretudo, na praia de Francelos, em Gaia. Pelo contrário, cá dentro, talvez pudesse ser guia turístico no Porto, apesar de não ter nascido na Invicta, como a maioria costuma pensar, mas em Coimbra. Num elogio ao, na altura, candidato a presidente da autarquia, em 2017, António Costa revelava essa faceta de Pizarro: “Tem sido o meu guia nas longas caminhadas que gostamos de dar”. Longas na altura, mas, provavelmente, agora curtas demais para chegar a Bruxelas.

PSD: 5 a 7 deputados

Com Paulo Rangel como cabeça de lista, é preciso começar a contar a partir do quinto lugar para encontrar a chamada zona cinzenta do PSD. Rui Rio já se queixou das sondagens, por serem interpretadas como uma vitória do PS, e também já disse que não se demite em caso de derrota, mas pode perder um eurodeputado no Parlamento Europeu este ano — ou, no melhor cenário, acrescentar um aos seis atuais.

Cláudia Monteiro de Aguiar, a bandolinista discreta
37 anos
Eurodeputada
6.ª da lista

É a única eurodeputada portuguesa com a função de representar os dois arquipélagos — Madeira e Açores. É madeirense e, talvez por isso, para compensar, vai ter açorianos no seu gabinete em Bruxelas. É conhecida entre os colegas portugueses por “dar cartas” na área do turismo, que estabeleceu como prioridade. Nessa mesma área, fez frente à taxa turística de António Costa.

O seu percurso profissional também andou perto desse setor, antes da política. Formada em Sociologia, fez uma pós-graduação em Marketing e Comunicação e foi com essa especialidade que trabalhou numa cadeia hoteleira. O dia em que foi anunciada a sua recandidatura ao Parlamento Europeu não caiu bem à eurodeputada — que também já foi deputada à Assembleia da República. Quando enumerou todos os nomes da lista do PSD, Rui Rio foi destacando as características positivas de cada candidato — menos de Cláudia Monteiro de Aguiar. A candidata abandonou, por isso, o Conselho Nacional mais cedo, e regressou a Lisboa. Paulo Rangel sairia depois em sua defesa.

Da juventude traz o gosto pouco habitual pelo bandolim — que tocou, por exemplo, numa das tunas da Universidade do Minho, onde estudou. Não há relatos de que mostre esse talento com regularidade, mas, em novembro do ano passado, juntou-se à Orquestra de Bandolins — de que já fez parte — que foi convidada a atuar no evento “Tasting Madeira”, organizado em Bruxelas pela eurodeputada.

É descrita como muito reservada e capaz de passar despercebida em qualquer grupo, por ser muito terra-a-terra e “sempre normal”. Casada, teve duas filhas durante a atual legislatura, mas as crianças vão continuar em Lisboa também durante o seu segundo mandato no PE, se for eleita.

Carlos Coelho, o desconfiado
59 anos
Eurodeputado
7.º da lista

É o deputado que está há mais tempo no Parlamento Europeu de todos os eurodeputados portugueses: em contínuo, ocupa o cargo há 20 anos. A sua história na política também é longa. Tornou-se deputado com apenas 19 anos (em substituição de Natália Correia) e, ainda na década de 1980, liderou a JSD. Já em 1990, integrou o Conselho Nacional de Educação.

Os colegas portugueses tratam-no como “o senhor Schengen” porque Carlos Coelho fez parte de um dos mais importantes relatórios do espaço de livre circulação dentro da União Europeia. Uma das suas lutas é a proteção de dados e da privacidade — e o eurodeputado leva o tema mesmo a sério. Desconfia da tecnologia e da segurança informática ao ponto de não usar smartphones ou qualquer tipo de telemóvel mais avançado.

Carlos Coelho é, há vários anos, o reitor da Universidade de Verão do PSD, cuja organização está a seu cargo (NUNO VEIGA/LUSA)

Mais: o telemóvel velhinho que usa está quase sempre desligado — até os seus assessores sabem que, durante a campanha, pode até ser fácil apanhá-lo numa chamada, mas a partir da próxima segunda-feira volta tudo ao normal. As cautelas podem ter uma origem: Carlos Coelho presidiu à comissão provisória que investigou os voos da CIA (os serviços secretos norte-americanos), em 2006. O que aprendeu nesse tempo terá feito com passasse a desconfiar da forma como todos, hoje em dia, comunicamos.

Ainda assim, por estranho que pareça, um estudo feito em 2015 pela empresa de consultoria de comunicação Imago-Llorente & Cuenca colocava o eurodeputado no 14.º lugar da lista dos políticos portugueses mais influentes na rede social Twitter. A lista era, na altura, liderada por Rui Tavares, do Livre.

É no Twitter que também se encontra uma imagem mais ou menos inesperada — pelo menos para quem nunca esteve na Universidade de Verão do PSD.

Carlos Coelho é o reitor há vários anos, com a tarefa de organizar o evento. Quem por lá passa já está habituado a vê-lo vestido com um pólo verde e um bordado no peito. Não, não é o logótipo do partido — é um rato Mickey. E também não é só para os momentos mais descontraídos — recebe assim até os mais ilustres convidados.

O que o eurodeputado não fará, seguramente, durante a Universidade de Verão do partido, é deitar-se tarde. É muito disciplinado com o sono, quase todos os dias está na cama à meia noite. Além disso, acorda cedo e é muito pontual.

CDS-PP: 2 deputados

À procura de eleger um segundo eurodeputado, o CDS-PP apresenta-se às eleições com um repetente, Nuno Melo, e uma cara que já escolheu até para funções governativas em Portugal, nos tempos da coligação com o PSD, Mota Soares. A prova é determinante para Assunção Cristas, que, dentro e fora de portas, tem apostado em distanciar-se do antigo aliado à direita, na tentativa de crescer como partido da oposição.

Pedro Mota Soares, o maratonista
44 anos
Advogado
2.º da lista

Deputado, presidente do grupo parlamentar do CDS-PP, presidente da Juventude Popular e secretário-geral do partido. Na carreira política de Pedro Mota Soares há de quase tudo, ainda que na memória de quase todos esteja aquela chegada de ‘Vespa’ à tomada de posse como ministro da Solidariedade e Segurança Social do governo de coligação de Pedro Passos Coelho, em 2011 — à saída, seria o colega de partido João Almeida e levar a mota. O novo governante “achou mal” deixar o motorista da frota do Estado que lhe foi atribuído sem ninguém para conduzir e pediu ajuda ao amigo.

Luís Pedro Russo da Mota Soares, 44 anos, é licenciado em direito e exerce como advogado, especializado na área do Trabalho. Deu aulas na universidade e é autor de livros relacionados com a sua especialidade e com o sistema de segurança social. Se for eleito, faz crescer a representação do CDS-PP na Europa. Antecede, na lista, Raquel Vaz Pinto que, segundo as sondagens, poucas hipóteses terá de ser eleita.

Pedro Mota Soares é o número dois da lista encabeçada por Nuno Melo. Atrás de ambos está Raquel Vaz Pinto, a número três, que dificilmente conseguirá a eleição (LUSA)

De Lisboa a Bruxelas vão 2 mil quilómetros de distância. Não consta que Pedro Mota Soares deseje fazê-los a pé, mas é possível que esteja já muito perto de cumprir uma distância semelhante — senão maior —, na soma das muitas corridas que faz como hobby. Já correu a maratona de Roterdão e acabou os 42 quilómetros da maratona de Lisboa do ano passado em 4 horas, 36 minutos e 32 segundos. Começou a correr “mais a sério” em 2005, preocupado com o facto de ter pouco cuidado com o peso e a saúde, mas garante que não pensa muito nos tempos ou nos resultados.

O filho, provavelmente, achará que isso também não faria sentido. Em 2017, o candidato contou à revista Sábado (numa entrevista com Miguel Frasquilho, também corredor nas horas vagas) que, depois de uma corrida oficial, ouvia sempre a mesma pergunta: “Lembro-me que quando chegava a casa a primeira pergunta que o meu filho fazia era: ‘O pai ganhou?’ E tinha de lhe explicar que tinham corrido 20.000 pessoas e o pai tinha ficado no 13.400 e qualquer coisa. Havia algum sentimento de desilusão nos olhos da criança”.

Posted by Pedro Mota Soares on Sunday, October 14, 2018

Para manter a passada, corre entre três e quatro vezes por semana. Nesses dias, acorda por volta das 6h30 da manhã e segue para a Avenida Marginal, que liga Lisboa a Cascais. Por causa das eleições, planeia fazer apenas uma maratona até ao final do ano — ainda que já tenha feito a meia da Ponte 25 de abril, em março.

BE: 2 a 3 deputados

As sondagens mais recentes indicam que o Bloco de Esquerda pode não só eleger um segundo eurodeputado como ainda sonhar com um terceiro para acompanhar Marisa Matias em Bruxelas. Os dois homens na zona cinzenta são, por isso, José Gusmão e Sérgio Aires — este último praticamente desconhecido dos eleitores até agora.

José Gusmão, o bom prato
42 anos
Economista
2.º da lista

Nasceu na política como militante do PCP, mas chegou à Assembleia da República como deputado com as cores do Bloco de Esquerda. Aos 42 anos, José Gusmão, um lisboeta formado em Economia, candidata-se a eurodeputado pela primeira vez, mas já conhece bem os cantos à casa. Entre 2011 e 2018, viveu nos corredores de Bruxelas e Estrasburgo como assistente de Miguel Portas e Marisa Matias no Parlamento Europeu.

Esse trabalho não escapou à polémica — da qual o, agora, candidato saiu ilibado. O Parlamento Europeu quis explicações sobre o trabalho extra que o assistente dos eurodeputados fazia, em Portugal, para o Bloco de Esquerda — por exemplo, nos grupos de trabalho da formação da “geringonça” que viabilizou o governo de António Costa.

José Gusmão, um dos homens fortes do Bloco de Esquerda, pode juntar-se, como eurodeputado, a Marisa Matias, de quem é muito próximo (LUSA)

Agora, ele que se tornou um dos homens fortes do partido, tem a responsabilidade de furar a barreira de um deputado e passar a estar de novo ao lado de Marisa Matias, mas na condição de eleito. Gusmão é tido, de resto, como uma das pessoas em quem a cabeça de lista mais confia, com uma presença sempre forte nas iniciativas da eurodeputada.

Fora da política, é irmão de Daniel Oliveira, ele próprio antigo membro do Bloco e com quem, confessa, chega a ter discussões “agressivas” — porque é assim que se discute na família e “2 minutos depois” já estão a falar de outra coisa “tranquilamente”. Mas se há luta diária que José Gusmão tem é com a comida. É o primeiro a sentar-se à mesa e o último a sair. Enquanto tiver comida à frente, não é capaz de parar de comer — seja o que for, não tem fama de ser esquisito. Quem o conhece diz que é, aliás, uma capacidade “impressionante”. Também por isso, é conhecido por falar pouco às refeições: a concentração está sempre no prato. Claro que, depois a balança queixa-se e o candidato a eurodeputado tenta fazer dieta, mas sempre com pouco sucesso.

Sérgio Aires, o fotógrafo
50 anos
Sociólogo
3.º da lista

É um dos independentes que surgem no topo da lista do Bloco de Esquerda ao Parlamento Europeu. Natural do Porto, Sérgio Aires é licenciado em Sociologia e, entre 2012 e 2018, presidiu à Rede Europeia Antipobreza e foi diretor do Observatório da Luta contra a Pobreza na cidade de Lisboa. Da sua biografia, não consta que tenha já exercido cargos políticos.

Diz que aceitou o convite do partido por causa do “momento em que vivemos”, no qual “a democracia está claramente em risco” — por mais de 113 milhões de pessoas da União Europeia viverem em risco de pobreza. Por isso, não quis “ficar em cima do muro”: continuar a tentar fazer o mesmo trabalho a partir de estruturas da sociedade civil que estão “muito limitadas” na influência que exercem sobre as decisões políticas. A sua visão no que diz respeito à pobreza é simples: é preciso identificar o fenómeno (que vai sempre mudando), definir prioridades e agir — criticando o Tratado Orçamental e o Pacto de Estabilidade, que “impedem que o combate à pobreza se possa fazer”, ao não distinguirem investimento de despesa.

Sérgio Aires é um dos independentes do topo da lista do Bloco de Esquerda a estas europeias. Até agora, não se lhe conhecem quaisquer cargos politico-partidários.

Dele dizem que é muito observador e isso até já tem dado jeito para a campanha do Bloco de Esquerda. O candidato tem uma paixão pela fotografia e aproveita para fotografar alguns dos eventos até à eleições. Na prática, é um dois em um: um candidato/fotógrafo oficial.

Para o partido, não deve haver preço, mas outras fotos que vai fazendo estão à venda na sua página pessoal, que junta também o blog entre.tantas. Ali pode encontrar imagens de Ney Matogrosso ou Nick Cave, de momentos instantâneos registados na rua ou… nus eróticos.

CDU: 2 deputados

As eleições de domingo dificilmente trarão à CDU um sentimento de normalidade. Atualmente com três eurodeputados, a CDU, segundo as sondagens, pode agora ficar-se apenas pelos dois — ou, no pior cenário, só com o cabeça de lista, João Ferreira. Na linha de risco está, por isso, João Pimenta Lopes, o eurodeputado que entrou no Parlamento Europeu apenas em 2016 para substituir Inês Zuber, que renunciou a meio do mandato.

João Pimenta Lopes, sem “vida pessoal” por ordem do PCP
39 anos
Eurodeputado
3.º da lista

Membro do PCP, João Pimenta Lopes candidata-se ao Parlamento Europeu na lista da CDU. Será, se conseguir, a primeira vez que será eleito, ainda que lá tenha estado nos últimos dois anos — chegou a Bruxelas em 2016, depois da renúncia de Inês Zuber. Agora, tem o lugar em risco. Está no terceiro lugar da lista e a maioria das sondagens diz que a CDU conseguirá apenas eleger dois eurodeputados.

Nos dois anos que passou no Parlamento Europeu, foi vice-presidente da Comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade dos Géneros e membro da Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais. No currículo disponibilizado pela coligação está também o cargo de vice-presidente da Delegação à Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana.

É muito ativo no Twitter onde, nos últimos dias, tem partilhado sobretudo, ações de campanha da CDU às europeias, mas onde coloca também, frequentemente, tweets de crítica às ações de tentativa de retirada do poder de Nicolás Maduro, na Venezuela, por parte de Juan Guaidó. Fala em “golpe”, “agressão” e “provocação”.

Para lá do que diz qualquer nota biográfica, é difícil falar de alguma característica mais curiosa de João Pimenta Lopes — por opção do partido, que recusou dar qualquer informação sobre isso, “por não querer explorar o lado mais pessoal do candidato”. Os tempos em que Álvaro Cunhal abria uma bolsinha preta para mostrar a foto da filha e dos netos durante uma entrevista da RTP2, conduzida por Carlos Cruz, em 1991, ou em que Jerónimo de Sousa falava da infância, da família e do seu salário, por exemplo, numa entrevista ao Alta Definição da SIC serão, aparentemente, passado para o PCP.

Aliança: 0 a 1 deputado

Recém formado por Pedro Santana Lopes, o Aliança tem nestas eleições europeias o primeiro embate eleitoral. O caminho até aqui parece, até, nem ter corrido mal: as sondagens admitem que possa eleger um deputado.

Paulo Sande, o homem que não “adora” aquários, só gosta muito
62 anos
Assessor do Presidente da República
1.º da lista

Assessor de Marcelo Rebelo de Sousa para os assuntos assuntos europeus, Paulo Sande pediu uma licença sem vencimento para se apresentar como cabeça de lista do Aliança nas eleições do próximo domingo. Ainda esta semana ficou a saber-se, porém, que recebeu o salário de maio, que entretanto devolveu — como a lei eleitoral diz que, durante a campanha, os candidatos têm direito a dispensa, a Casa Civil decidiu pagar a remuneração. Quando publicou a notícia, o Expresso já tinha a resposta do candidato em como já tinha dado instruções para que o salário fosse devolvido.

A sua candidatura esteve, aliás, envolta em polémica desde que foi anunciada, por causa do receio de outros partidos — com críticas vindas, nomeadamente, do PSD — de que Sande fosse visto como um mensageiro de Belém — que o próprio admite que possa acontecer. No final, o próprio Marcelo insistiu que se limitou a cumprir a lei e Paulo Sande deixou o cargo quando formalizou a candidatura.

Paulo Sande foi o escolhido de Pedro Santana Lopes para encabeçar a lista às europeias, na primeira eleição a que o partido se candidata (MÁRIO CRUZ/LUSA)

Desta campanha leva, pelo menos, um grande susto: o acidente no qual o candidato e o líder do partido estiveram envolvidos, na semana passada na A1, que levou ambos ao hospital, mas que obrigou ao internamento, apenas, de Pedro Santana Lopes. Desde essa altura, Paulo Sande tem estado mais sozinho na campanha. No rescaldo do despiste dizia que esperava que Santana ainda pudesse juntar-se às ações do Aliança até esta sexta-feira. E foi isso mesmo que aconteceu neste último dia, na arruada no Chiado, onde o presidente do partido participou.

Nasceu em Macau e viveu em Goa e em África durante a infância, tem uma família ligado ao exército, mas seguiu outra carreira. Especialista em assuntos europeus (embora tenha tenha feito o curso de Direito) — com obras publicadas sobre o tema —, foi, por exemplo, representante de Portugal no Parlamento Europeu.

Nunca foi militante de partidos e, no Aliança, apresenta-se como independente.

Se for eleito, o que é que leva para Bruxelas? Alguns dirão, de imediato, um aquário, mas isso talvez seja pouco provável. Descrito, muitas vezes, como alguém que “adora” aquários, é o próprio Paulo Sande quem esclarece ao Observador que isso não é bem verdade. Gosta muito, admite, mas daí a “adorar” vai um passo grande.

Ainda que a sua relação com os compartimentos estanques que contêm espécie marinhas pareça dizer o contrário — sobretudo quando o próprio confessa, em jeito meio a sério, meio de brincadeira, que a morte de alguns deles o deixou “traumatizado”. Por exemplo, a do peixe dourado que tinha “num daqueles aquário redondos” e que levou para o escritório, ainda no tempo da Expo 98. Um fim-de-semana, deixou-o lá. Fez algum calor e, quando regressou, na segunda-feira, o peixe estava morto.

A escolha de Paulo Sande como cabeça de lista do Aliança causou polémica por causa do cargo que o especialista em assuntos europeus desempenhava: assessor do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Sande está, agora, com licença sem vencimento — que entrou em vigor a partir do momento em que a candidatura foi formalizada.

Ficou traumatizado com esse mas, provavelmente, não tanto como com todos os que não foram sobrevivendo no aquário de água e sal, “muito grande mesmo”, que instalou em casa. Ao Observador, contam que chegou a contratar um funcionário do Aquário Vasco da Gama para lhe dar uma ajuda com “o equilíbrio”, mas ele próprio diz que acabou por desistir.

Porque é que “gosta muito” de aquários? “Os aquários dão-nos aquele sentimento de todo o poderoso: estamos a criar uma coisa que depende de nós e podemos ficar a olhar para um ecossistema inteiro criado por nós e que dá muito trabalho. É isso, o trabalho, que me faz gostar ainda mais”, explica.

Na última mudança de casa que fez, já não abriu espaço para os peixes.

PAN: 0 a 1 deputado

As eleições do próximo domingo podem significar para o PAN a sua afirmação, também, como força política em Portugal. Até fora visto com o partido com apenas uma cara — a de André Silva, eleito deputado à Assembleia da República em 2015 —, o partido parece lançado para um resultado histórico, com todas as sondagens a admitirem a possibilidade de eleger um eurodeputado.

Francisco Guerreiro, o apanha lixo
34 anos
Assessor político do PAN na AR
1.º da lista

Não é a primeira vez que Francisco Guerreiro se apresenta como candidato às eleições europeias. Em 2014, aparecia no primeiro lugar da lista do PAN, que não conseguiu eleger qualquer eurodeputado. Ainda antes, tinha sido o segundo da lista do partido às legislativas — nas quais André Silva, o primeiro, foi eleito — e candidato à presidência da Câmara Municipal de Coimbra.

Licenciado em Comunicação Social, foi analista de estudos de mercado e project leader para a Comissão Europeia, até se candidatar. Agora, é assessor político do PAN na Assembleia da República e, como cabeça de lista, aparece nas sondagens como a primeira hipótese provável de o partido — do qual é militante desde 2012 — colocar um dos seus membros em Bruxelas.

Francisco Guerreiro repete a candidatura ao Parlamento Europeu, como cabeça de lista, depois de em 2014 ter concorrido no 3.º lugar. Foi número 2 de André Silva nas legislativas (ANDRE KOSTERS/LUSA)

Recusa dizer se o PAN está mais colado à esquerda ou à direita, mas admite maior proximidade com a esquerda, “que tem uma capacidade legislativa maior” e que apresenta temas que mais interessam ao partido. E também recusa que os partidos ambientalistas sejam entraves ao desenvolvimento. “Pelo contrário”, falta uma análise mais ao nível da qualidade do que da quantidade, diz.

Casado e pais de duas filhas — uma delas recém-nascida —, mas a casa é cheia: à família, juntam-se ainda “dois gatos e uma coelha selvagem, todos adotados”, segundo comunicado oficial do PAN. É vegano e cresceu numa família adoptiva: foi adotado quando tinha três anos e só tarde descobriu que tinha dois irmãos biológicos.

O resultado de uma hora de recolha de lixo na praia do Abano, em Cascais. Se queres ajudar cria o teu evento de recolha…

Posted by Francisco Guerreiro on Wednesday, May 1, 2019

Os seus hobbies também não andarão muito distantes de algumas das batalhas do partido. No tempo livre, tem o hábito de fazer caminhadas, mas com um objetivo específico: apanhar lixo. Sobretudo ao fim-de-semana e em grupos organizados entre amigos ou em eventos oficiais, o candidato caminha por praias, serras ou parques, como o de Monsanto, por exemplo, a recolher o que outros atiraram para o chão em vez de para o caixote. É uma espécie de juntar a ação ambiental útil à caminhada agradável.

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

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