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RODRIGO MENDES/OBSERVADOR

RODRIGO MENDES/OBSERVADOR

Quem podem ser as estrelas do próximo Parlamento Europeu? 16 deputados a acompanhar neste novo mandato

Entre veteranos e estreantes, muitos dos próximos eurodeputados vão ser o centro das atenções. Em todas as famílias políticas (e até independentes), há quem possa vir à tona — ou afundar-se de vez.

As eleições europeias deste ano prometem um abanão no Parlamento Europeu. A atual maioria de Partido Popular Europeu (PPE), Socialistas (S&D) e Liberais (Renew) está em risco e Ursula von der Leyen tem namorado os Conservadores e Reformadores (ECR), mas traçando a cerca sanitária junto ao Identidade e Democracia (ID). São os grandes mais à direita que se perfilam como prováveis vencedores, ao mesmo tempo que Socialistas, Verdes, Liberais e Esquerda assistem com receio às sondagens que lhes preveem uma hecatombe.

Num provável novo Parlamento, há caloiros que podem tornar-se estrelas e veteranos que podem manter influência. Mas entre tantos partidos e países, a que figuras devemos prestar mais atenção? O Observador fez uma ronda pelas várias famílias europeias e mostra-lhe os candidatos (que provavelmente serão eleitos) que se podem tornar mais relevantes. Incluindo independentes, que podem vir a ter mais poder do que alguma vez pensaram numa União Europeia fraturada.

Roberta Metsola, o trunfo sólido dos populares (Malta)

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NurPhoto via Getty Images

Partido/Família política europeia: Partido Nacionalista/PPE (centro-direita)

Idade: 45 anos

Experiência: Envolvida desde jovem na política partidária no seu país, concorreu pela primeira vez ao Parlamento Europeu em 2004, com apenas 25 anos. A tentativa falhou, bem como a de 2009, mas Metsola sempre foi trabalhando na área da política externa e em colaboração com matérias da União Europeia a partir de Malta. Em 2013, chegou ao hemiciclo europeu, de onde não mais saiu. Em 2022 foi eleita presidente do Parlamento Europeu (PE), cargo que ainda ocupa.

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O que representa a sua eleição: Como presidente do PE, Metsola injetou nova vida ao cargo. Aliando o seu carisma a declarações fortes, conseguiu que o órgão ganhasse uma relevância mediática normalmente atribuída apenas à Comissão Europeia. Para isso contribuiu em muito o seu apoio vocal à Ucrânia após a invasão russa, notório no facto de ter sido a primeira líder das instituições europeias a visitar Kiev (lembram-se de roupa em tom verde tropa?). Por outro lado, teve de lidar com os escândalos de influência externa no organismo como o Qatargate e suspeitas de infiltração de Rússia e China. Mas há quem lhe preveja altos voos no futuro, num PPE pós-Von der Leyen, onde a oportunidade do atual líder do grupo (Manfred Weber) já deverá ter passado.

Frase: “Quando um país olha para a UE como o seu lar, a UE deve escancarar-lhe as portas.”

Péter Magyar, o candidato a substituto de Orbán (Hungria)

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Getty Images

Partido/Família política europeia: Partido do Respeito e Liberdade (TISZA)/Deverá aderir ao PPE (centro-direita)

Idade: 43 anos

Experiência: O historial político de Magyar é complexo. Antigo membro do Fidesz de Viktor Orbán, foi até casado com a ex-ministra da Justiça Judit Varga. Um escândalo nessa área e um divórcio depois, liderou uma série de protestos de oposição ao governo de Orbán e fundou entretanto o seu próprio partido.

O que representa a sua eleição: As sondagens mostram que Magyar deve mesmo ser eleito eurodeputado à primeira tentativa. E, mais do que isso: o seu partido provavelmente terá um resultado que faz mossa ao Fidesz, ator dominante da política húngara há anos, ficando apenas 10% a 5% atrás do partido de Orbán e comendo-lhe eurodeputados. Não é de surpreender, por isso, que o PPE tenha convidado Magyar a entrar na sua família política (depois de o Fidesz ter sido expulso no mandato passado).

Frase: “Orbán já tem os joelhos a tremer.”

Raphaël Glucksmann, a esperança do socialismo europeu (França)

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AFP via Getty Images

Partido/Família política europeia: Partido Socialista Francês/S&D (centro-esquerda)

Idade: 44 anos

Experiência: Antigo jornalista e realizador, Glucksmann juntou-se à política fundando um partido em 2018, o Place Plubique. Um ano depois, a pequena formação política concorria nas listas do Partido Socialista ao Parlamento Europeu e o candidato era eleito à primeira. No PE, destacou-se pelos seus trabalhos nas comissões de Negócios Estrangeiros e no comité criado especialmente para analisar a interferência estrangeira na instituição.

O que representa a sua eleição: A esperança para os socialistas franceses de que o seu partido não esteja condenado ao desaparecimento. Nas últimas europeias, os socialistas não foram além dos 6%, obliterados pelo En Marche! de Emmanuel Macron — agora, deverão obter o dobro do número de votos e disputam o segundo lugar nestas europeias com os liberais, embora bastante atrás da União Nacional de Marine Le Pen. Para além de uma figura popular dentro do PE, Glucksmann tem dado nas vistas esta campanha pelo facto de defender um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza e, ao mesmo tempo, ter sido vítima de ataques anti-semitas pelas suas origens judaicas.

Frase: “É possível pôr um fim ao duelo letal Macron/Le Pen.”

Christel Schaldemose, o possível embaraço dos socialistas na imigração (Dinamarca)

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Ritzau Scanpix/AFP via Getty Ima

Partido/Família política europeia: Sociais-democratas/S&D (centro-esquerda)

Idade: 58 anos

Experiência: Schaldemose é uma veterana do PE. Foi eleita pela primeira vez em 2006 e desde então renovou sempre o mandato.

O que representa a sua eleição: Uma encruzilhada para os socialistas. Nem a ampla experiência de Schaldemose é suficiente para contornar o facto de que a política de imigração defendida pelo seu partido na Dinamarca destoa bastante da dos outros socialistas europeus. A primeira-ministra Mette Frederiksen seguiu a receita do antecessor de centro-direita e manteve uma das política de imigração mais duras de toda a Europa (basta recordar a famosa “lei das jóias”, em que bens de valor são confiscados pelo Estado dinamarquês a requerentes de asilo). Isso tem-lhe permitido travar o crescimento da extrema-direita no país e manter os socialistas à frente nas intenções de voto, mas pode trazer dores de cabeça aos eurodeputados dinamarqueses neste mandato.

Frase: “Acredito que as migrações são um tema quente não apenas agora, mas irão continuar a ser nos próximos anos.”

Giorgia Meloni, a mulher que quer influenciar a Comissão (Itália)

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AFP via Getty Images

Partido/Família política europeia: Irmãos de Itália/ECR (direita radical)

Idade: 47 anos

Experiência: Meloni entrou na política muito cedo, para a juventude partidária do partido herdeiro do fascismo de Mussolini. Chegou a ser ministra da Juventude de Silvio Berlusconi e durante anos liderou os Irmãos de Itália sem grande sucesso eleitoral. Até que, em 2022, explodiu na cena política italiana, vencendo eleições e tornando-se primeira-ministra. Concorre agora como cabeça-de-lista ao PE enquanto lidera o governo, um hábito da política italiana — Berlusconi e Matteo Renzi chegaram a fazer o mesmo.

O que representa a sua eleição: Uma possível transformação radical da política europeia. Como primeira-ministra italiana, Meloni tem mantido uma política ambígua, ora mais moderada no plano externo (é uma forte defensora da Ucrânia), ora mais radical em casa. Como líder do ECR, tem liderado uma ofensiva de charme junto do PPE e de Ursula von der Leyen, tentando convencer os populares a formar uma próxima Comissão Europeia mais à direita, em vez da fórmula atual (populares, socialistas e liberais, com apoios pontuais dos verdes). E apesar de Von der Leyen não ter assinado nenhum compromisso prévio, dentro do PPE há quem diga que a aproximação é clara: “As viagens constantes a Itália dizem tudo”, chegou a comentar um responsável do partido ao Politico nos últimos meses.

Frase: “Hoje há espaço para construir uma maioria diferente no Parlamento Europeu e para aplicar políticas diferentes.”

Herman Tertsch, o saudosista do franquismo que critica Von der Leyen (Espanha)

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Europa Press via Getty Images

Partido/Família política europeia: Vox/ECR (direita radical)

Idade: 66 anos

Experiência: Jornalista durante décadas, Terstsch entrou na política apenas em 2019, como candidato do Vox às eleições europeias, tendo consigo ser eleito. No PE faz parte da Delegação Europa-América Latina e pronuncia-se frequentemente sobre temas da política desse continente — tendo, por exemplo, recebido um dos filhos de Jair Bolsonaro em solidariedade com as críticas ao juiz Alexandre de Moraes e criticando frequentemente o regime de Nicolás Maduro na Venezuela.

O que representa a sua eleição: É um exemplo claro do crescimento da direita radical no PE e de como, mesmo tentando muito manter uma imagem de moderação, o ECR ainda mantém membros cujas posições políticas parecem estar mais próximas da extrema-direita. Tertsch é conhecido pela polémica: filho de um jornalista austríaco que foi chefe de imprensa do regime nazi na Alemanha, faz publicações nas redes sociais elogiosas do franquismo e é conhecido pelas tiradas radicais, que já lhe valeram inclusivamente condenações em tribunal por ofensas à honra de Pablo Iglesias e da sua família. E não se coíbe de criticar Von der Leyen, com quem o ECR gostaria de chegar a acordo.

Frase: “Em Espanha, para seres livre, tens de perder o medo de que te chamem fascista.”

Malik Azmani, o liberal tramado pelo acordo com Wilders (Países Baixos)

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ANP/AFP via Getty Images

Partido/Família política europeia: Partido pela Liberdade e Democracia (VVD)/Renew (liberais)

Idade: 38 anos

Experiência: No VVD, partido do antigo primeiro-ministro Mark Rutte, foi deputado nacional durante quase uma década. Em 2019, candidatou-se ao PE e desde então tem trabalhado particularmente na questão de migrações, relações com o Magrebe e defesa dos direitos LGBT.

O que representa a sua eleição: As dificuldades em que o Renew está embrulhado e o ainda domínio do En Marche! de Macron sobre a família política europeia. Azmani era um forte candidato à presidência do grupo, mas foi ultrapassado pela francesa quase desconhecida Valérie Hayer. Isto porque o VVD ficou mal visto entre os liberais por ter feito um acordo de governo nos Países Baixos que incluía o partido de extrema-direita PVV, de Geert Wilders. E as sondagens revelam que os tempos estão difíceis para os liberais em vários países: podem mesmo perder quase 20 dos 120 deputados que têm neste momento

Frase: “O tempo para o progresso concreto no Pacto das Migrações é agora (…). Em vez de retórica e contos de fadas, precisamos de foco a sério e de concretizar.”

Irena Joveva, o rosto do liberalismo nos costumes (Eslovénia)

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AFP via Getty Images

Partido/Família política europeia: Movimento pela Liberdade/Renew (liberais)

Idade: 35 anos

Experiência: Jornalista de profissão, em 2019 aceitou candidatar-se ao Parlamento Europeu e foi a segunda eurodeputada mais votada na Eslovénia. Dentro do PE, tem trabalhado nos Comités de Cultura e Educação e no Emprego e Questões Sociais.

O que representa a sua eleição: Joveva é uma das representantes da vaga de eurodeputados mais jovens que se assume como liberal menos no plano económico, e mais no federalismo europeu (chegou a comparar Putin ao Rei de O Principezinho) e na defesa de causas sociais. É, por exemplo, presidente de um subcomité que defende a criação de um Sistema Nacional de Saúde Europeu. E leva frequentemente a filha pequena para o plenário.

Frase: “Uma vitória da direita não é algo que nos deixe felizes. Não estaremos felizes quando nos forem retirados os nossos direitos. Como o direito de uma mulher a ter um aborto seguro e de forma acessível, bem como o direito de tomar a decisão livremente.”

Jordan Bardella, o menino prodígio da extrema-direita (França)

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AFP via Getty Images

Partido/Família política europeia: União Nacional/ID (extrema-direita)

Idade: 28 anos

Experiência: Bardella juntou-se à antiga Frente Nacional quando tinha apenas 16 anos, “mais por Marine Le Pen” do que pelo partido, admitiu. Desde então, assumiu o lugar de delfim da líder. Teve várias candidaturas autárquicas falhadas, até que em 2019 se candidatou às europeias e se tornou o segundo eurodeputado mais jovem de sempre, aos 23 anos. É neste momento formalmente presidente do partido e cabeça-de-lista a esta eleição.

O que representa a sua eleição: Bardella tornou-se uma peça fulcral no processo liderado por Marine Le Pen de dédiabolisation do partido, tentando afastar-se dos elementos mais racistas e antissemitas protagonizados pelo antigo líder (e pai de Marine), Jean-Marie Le Pen — e agora, na Europa, distanciando-se da Alternativa pela Alemanha (AfD) e as declarações antissemitas do seu candidato. Sempre de fato, Bardella evita declarações polémicas, é um sucesso no TikTok entre os jovens e representa um possível caminho de futuro para a União Nacional pós-Le Pen. Mas será isso suficiente para convencer o resto da direita europeia de que o ID não é tão radical como parece?

Frase: “Os únicos modelos que sigo são os exemplos franceses. Entre Biden e Trump, o meu coração inclina-se para Trump — mas não sou americano.”

Sebastiaan Stöteler, o fantoche de Wilders na Europa (Países Baixos)

Partido/Família política europeia: Partido da Liberdade (PVV)/ID (extrema-direita)

Idade: 40 anos

Experiência: Aos 33 anos, Stöteler deixou para trás uma vida profissional como especialista em cobranças difíceis para mergulhar na política. Em 2016, juntou-se ao PVV de Geert Wilders, o polémico partido de extrema-direita dos Países Baixos, e fez algum trabalho autárquico. Depois de ter sido candidato a deputado nas últimas legislativas (que o PVV venceu), acabou por ser escolhido para cabeça-de-lista para as europeias.

O que representa a sua eleição: A entrada do PVV no PE e a sua consolidação como partido de poder em todas as frentes. A força política de Geert Wilders existe há quase 25 anos, mas foi tendo altos e baixos. Chegou a eleger quatro deputados para o PE, mas perdeu-os entretanto, voltando a reconquistá-los graças à redistribuição de mandatos com a saída do Reino Unido. Agora está à beira de vencer a eleição, depois de em 2023 ter sido o partido mais votado nas legislativas. Wilders acabou por conseguir formar governo com outros partidos à direita, depois de meses de negociações — quem sabe o que fará agora em Bruxelas, com um candidato que ofusca em quase todas as ações de campanha?

Frase: “E agora Greta [Thunberg], com um distúrbio semelhante ao de Asperger, é recebida de braços abertos (leia-se: na verdade acabou de ser abusada) e tem permissão para executar o seu truque de ativista climática em todo o lado.”

Terry Reintke, a líder de uns Verdes a caminho de um tombo (Alemanha)

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dpa/picture alliance via Getty I

Partido/Família política europeia: Aliança90-Os Verdes/Verdes-Aliança Europa Livre (ecologistas)

Idade: 37 anos

Experiência: Reitnke sempre esteve nos Verdes alemães e aos 20 anos já tinha um cargo de destaque na juventude partidária. Em 2014, foi eleita para o Parlamento Europeu, onde se mantém desde então. Já fez parte de vários comités e tornou-se vice desta família europeia em 2019. Para estas eleições, tornou-se a escolha natural para suceder à também alemã Ska Keller.

O que representa a sua eleição: A descida muito provável dos Verdes como grupo parlamentar. Em 2019, uma “onda verde” varreu a Europa, elegendo 72 deputados, mas as sondagens este ano são muito menos favoráveis. A agenda climática parece ter criado anti-corpos e até países onde os partidos ecologistas tinham resultados fortes, como França e Áustria, deverão agora registar maus resultados.

Frase: “Tenho um perfil claro ligado à justiça social (…). Somos um partido de esquerda, mas creio que muitas pessoas não entendem isso e gostava que isso mudasse.”

Marcel Kolaja, o guru das tecnologias da onda verde (República Checa)

Partido/Família política europeia: Partido Pirata Checo/Verdes-Aliança Europa Livre (ecologistas)

Idade: 44 anos

Experiência: Kolaja envolveu-se no ativismo relacionado com a lei das patentes eletrónicas da UE. Daí à entrada no Partido Pirata foi um salto. Falhou a eleição para o PE em 2014, mas em 2019 foi eleito. Desde então, tem-se dedicado sobretudo aos temas da transparência, proteção de dados e regulação tecnológica — foi um dos relatores do caso Pegasus.

O que representa a sua eleição: Os Partidos Pirata protagonizaram uma vaga de fundo em meados dos anos 2000 que acabou por definhar. Mas alguns, como o checo, reinventaram-se, colocando a transparência e a defesa da democracia direta como prioridade e alinhando-se a ideias progressistas como a dos Verdes — mas bem distantes de países não democráticos como a China ou a Rússia.

Frase: “Precisamos de regras para a Inteligência Artificial, porque há certos usos dela que são prejudiciais para a sociedade. Um exemplo extremo é o do uso da inteligência artificial na China, com um sistema de pontuação realmente assustador. É uma distopia.”

Marc Botenga, a esquerda de tradição marxista em queda (Bélgica)

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Getty Images

Partido/Família Europeia: Partido dos Trabalhadores da Bélgica/Esquerda Unitária Europeia-Esquerda Nórdica Verde (esquerda radical e extrema-esquerda)

Idade: 43 anos

Experiência: Botenga sempre se envolveu no ativismo desde cedo, mas foi a crise das dívidas soberanas e, em particular, o caso da Grécia, que o politizou definitivamente. Foi eleito eurodeputado em 2019 e trabalha sobretudo no Comité de Indústria, Investigação e Energia. É conhecido pelas suas intervenções vivas no PE, recentemente amplificadas com a situação em Gaza, e, não por acaso, é um dos eurodeputados com mais seguidores no TikTok.

O que representa a sua eleição: A resistência de uma esquerda radical e extrema-esquerda que é clara em matérias económicas e de defesa de direitos sociais e mais dividida no que toca a política externa. Botenga é claro a acusar Israel de genocídio e mais hesitante nas acusações à Rússia, por exemplo — que justifica acusando a UE de usar um “duplo padrão”. Em geral, as sondagens mostram que os partidos do grupo conhecido como “A Esquerda” podem dar um grande tombo nestas eleições, passando dos atuais 37 deputados para menos de dez.

Frase: “Celebrámos recentemente os 200 anos de Karl Marx e à luz da atual crise económica e do impacto desastroso nos nossos sistema de saúde devido às políticas neoliberais, o trabalho dele certamente merece ser revisitado.”

Clare Daly, a eurodeputada viral na Rússia e na China (Irlanda)

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Anadolu via Getty Images

Partido/Família Europeia: IndependentespelaMudança/Esquerda Unitária Europeia-Esquerda Nórdica Verde (esquerda radical e extrema-esquerda)

Idade: 56 anos

Experiência: Clare Daly passou toda a vida à esquerda e toda a vida agitou as águas. Na década de 1980 foi expulsa do Partido Trabalhista irlandês por suspeitas de ser uma “trotskista” infiltrada. Fundou depois um partido que acabou por se definir como Partido Socialista, mas abandonou-o em solidariedade com o colega Mick Wallace, expulso por suspeitas de evasão fiscal. Os dois tornaram-se um duo inseparável, primeiro na política nacional e, desde 2019, no Parlamento Europeu — duo que pode agora chegar ao fim, já que Daly tem mais hipóteses de ser eleita do que Wallace, segundo as sondagens.

O que representa a sua eleição: Daly e Wallace representam uma corrente dentro da esquerda europeia que dá nas vistas pelas suas posições na política externa, orientadas constantemente por uma lógica de anti-americanismo. As tiradas intensas de ambos no PE viralizam nas redes sociais, com particular destaque na Rússia e na China, onde as suas palavras são frequentemente vistas como amigáveis. Os dois deputados foram aliados políticos em várias circunstâncias de uma eurodeputada letã suspeita de ter trabalhado para os serviços secretos russos. Mas ambos continuam a ser um fenómeno de popularidade: ainda nesta campanha, a atriz Susan Sarandon apelou ao voto em ambos.

Frase: “Carniceiro Biden, os antepassados da Irlanda que dizes serem teus deserdam-te.”

Fabio de Masi, o protagonista de uma possível revolução à esquerda (Alemanha)

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dpa/picture alliance via Getty I

Partido/Família europeia: Aliança Sahra Wagenknecht/Ainda sem família política

Idade: 44 anos

Experiência: Um fiel militante do Die Linke, o partido de esquerda radical alemão, De Masi teve experiência como eurodeputado entre 2014 e 2017, mas saiu de Estrasburgo para passar a representar o partido no Parlamento alemão. Até que, em 2022, anunciou a saída do partido — e juntou-se à nova força política criada por uma das suas aliadas de sempre, também dissidente do Die Linke, Sahra Wagenknecht. As sondagens dizem que o mais provável é ser eleito.

O que representa a sua eleição: Um possível terramoto à esquerda do hemiciclo. Isto porque o partido de Sahra Wagenknecht tem um programa atípico: define-se como sendo de esquerda, economicamente mantém todas as políticas semelhantes às propostas pelo Die Linke, mas difere radicalmente em temas como a imigração e algumas “guerras culturais” como os direitos LGBT. Para além disso, Wagenknecht sempre foi conhecida pelas suas posições de simpatia em relação à Federação Russa, opondo-se a sanções desde a tomada da Crimeia. O mais surpreendente? O partido já se mostrou disponível para formar uma nova família política à esquerda, que poderia incluir partidos como o eslovaco SMER (de esquerda, mas pró-Rússia) ou o italiano 5 Estrelas.

Frase: “Já fui um membro desconhecido do Parlamento Europeu. Mas, ao fim de uns meses, as pessoas já sabiam o meu nome, porque consegui apanhar Jean-Claude Juncker a mentir em frente às câmaras.”

Peter Volgin, o oportunista à direita de olho na AfD (Bulgária)

Partido/Família europeia: Renascimento/Ainda sem família política

Idade: 54 anos

Experiência: Volgin é jornalista há anos, mas nos últimos tempos os seus programas — com particular destaque para o programa de rádio “Politicamente INCORRETO” — passaram a tornar-se muito claros em termos de inclinação política e a incluir a divulgação de desinformação — geralmente pró-russa. Depois de avisos dos reguladores e protestos de ouvintes, Volgin anunciou em abril deste ano que seria o cabeça-de-lista do partido Renascimento (fundado em 2021) às europeias. O Renascimento é conhecido pelas suas posições abertamente pró-russas.

O que representa a sua eleição: Não só a provável entrada de uma figura claramente próxima do Kremlin — delegados do partido encontraram-se pessoalmente com Putin há poucos meses —, como de alguém que tem uma sugestão para alargar essa influência. Após a expulsão da AfD do ID, na sequência de declarações pró-nazis do cabeça-de-lista do partido Maximilian Krah, Volgin sugeriu que ambos se juntassem para formar uma nova família política e atrair outros partidos. Para além de considerar que nem todos os SS eram criminosos, Krah também tem ligações próximas ao Kremlin e o número dois da sua lista (Petr Bryston) é mesmo suspeito de ter recebido pagamentos da Rússia.

Frase: “Não gosto da forma como a atual União Europeia está. Aprecio muito a ideia de uma Europa unida. Temos de libertar a Europa da UE.”

 
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