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Quer ser milionário? Não é preciso ser bandido

Se ainda não começou a poupar, as probabilidades estão contra si. Não desespere: se quer chegar ao milhão de euros, saiba quanto e como amealhar. Os melhores investimentos são as suas armas.

Se o maior objetivo que tem para a sua vida financeira é chegar a um milhão de euros, prepare-se: a meta pode estar muito longe. Aliás, se ainda não está perto do seu alvo, não planeia concorrer a um concurso televisivo ou assaltar um banco, é pouco provável que lá chegue sem muito esforço.

Se ainda não começou a amealhar, mesmo que ganhe 10% por ano e que poupe mil euros por mês, demorará 24 anos até poder classificar-se como milionário. Se a rentabilidade que estima para os seus investimentos for menor ou não conseguir poupar tanto todos os meses, então o milhão fica ainda mais longe.

Número de anos necessários para chegar a um milhão de euros, em função da rentabilidade anual e da poupança mensal.

Pode mudar a perspetiva da sua análise, mas o cenário não ficará mais positivo.

Por exemplo, se está a 30 anos da sua aposentação, sabe quanto terá de amealhar todos os meses para chegar a milionário? Se ganhar tanto como a rentabilidade histórica das ações (5,2% acima da inflação) terá de adicionar ao seu pé-de-meia mais de 1.200 euros por mês. Para a maioria das famílias, é uma tarefa impossível.

Quantidade de euros necessários mensalmente para chegar a um milhão de euros, em função da rentabilidade anual e do número de anos.

O Observador também calculou a rentabilidade que precisa para chegar ao restrito grupo dos milionários portugueses.

Se o seu agregado familiar consegue guardar 500 euros por mês e ainda tem 30 anos pela frente para acumular riqueza, então necessita de alcançar uma rentabilidade anual de 9,8% para chegar ao milhão de euros.

É por isto que deve escolher cuidadosamente os melhores investimentos. Uma diferença de 1% na rentabilidade anual pode ter um efeito dramático na sua poupança. A lista dos melhores fundos de investimento pode ser um bom ponto de partida.

Rentabilidade anual necessária para chegar a um milhão de euros, em função do número de anos de poupança e da poupança mensal.

Alguns cenários são claramente irrealistas, como os em que tem menos de 20 anos de poupança mensal ou aqueles em que guarda menos de 200 euros por mês.

No mundo das finanças, é preciso ser mais realista.

Precisa mesmo de um milhão?

Embora um milhão seja um número atraente, a maior parte das pessoas não precisa de amealhar este montante para viver confortavelmente.

Em média, os portugueses tiveram um salário mensal líquido de 818 euros no quarto trimestre de 2014. Nestas condições, um casal de 25 anos, no início da carreira profissional, que reserve periodicamente 20% do seu vencimento para o futuro, conseguirá viver até aos 100 anos sem recorrer a pensões de velhice.

Um casal de 25 anos que poupe 20% dos rendimentos consegue viver até aos 100 anos com a mesma disponibilidade financeira sem mexer nas pensões de reforma.

Se, em vez de gastar os 1.636 euros de rendimentos mensais (818 euros × 2), conseguir viver com cerca de 1.309 euros, guardando os restantes 327 euros para o futuro, o casal chega aos 66 anos com pouco mais de 543 mil euros (a preços de hoje), assumindo que os salários crescem ao nível da inflação e que as poupanças são capitalizadas a 5,2% acima da inflação (que, historicamente, foi a rentabilidade anual dos mercados acionistas). Depois de aposentados, poderiam retirar o equivalente aos 1.309 euros de hoje para viver até aos 100 anos, desde que a poupança rendesse, pelo menos, o mesmo que a inflação.

A taxa de poupança de 20% é indiferente do nível de rendimentos. Se o casal tiver um rendimento líquido conjunto de 3.000 euros por mês, também deverá guardar cerca de 20% (600 euros) para manter o nível de vida após os 66 anos sem contar com as pensões de velhice.

Nestes moldes, apenas os casais de 25 anos que ganhem mais de 3.015 euros por mês (1.507,50 euros cada) é que atingem uma carteira avaliada em um milhão de euros na altura da aposentação, mas todos eles conseguem uniformizar o seu bem-estar ao longo da vida.

Conte com alguma pensão

Quanto mais tarde se começa a poupar, maior a taxa de poupança que é necessária para garantir a estabilidade económica do agregado familiar. Se apenas começar aos 30 anos, a taxa de poupança deve ser mais próxima de 25%, assumindo uma rentabilidade real de 5,2% da poupança até aos 66 anos para não ser necessário recorrer às pensões. Iniciar aos 40 anos, exige que se rentabilize 38% dos rendimentos mensais líquidos, pelo menos.

Evolução da carteira de um casal com um rendimento mensal líquido de 1.636 euros assumindo uma taxa de poupança de 20% a a partir dos 25 anos, de 25% a partir dos 30 anos e de 38% a partir dos 40 anos.

Evolução da carteira de um casal com um rendimento mensal líquido de 1.636 euros assumindo uma taxa de poupança de 20% a partir dos 25 anos, de 25% a partir dos 30 anos e de 38% a partir dos 40 anos.

Naturalmente, é provável que haja pensões na altura da sua aposentação, embora sejam cada vez mais magras e exigíveis cada vez mais tarde.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico estima que, em média, as primeiras pensões líquidas dos portugueses que entraram no mercado de trabalho em 2012 sejam equivalentes a 68% do último vencimento líquido para quem tem uma carreira profissional completa.

Se o casal de 25 anos apenas precisar de poupar para ter os restantes 32% do último salário que não serão cobertos pela pensão, a sua taxa de poupança pode descer para 7,5% dos rendimentos líquidos. Isto assume uma rentabilidade real de 5,2% até aos 66 anos, altura da aposentação, e um retorno equivalente à inflação após esta data.

Se contar com as pensões, o casal de 25 anos pode baixar a sua taxa de poupança de 20% para 7,5%, mantendo a mesma disponibilidade financeira após a aposentação.

Nestas condições, quem começar a amealhar aos 30 anos deve guardar 10% dos seus salários líquidos. Iniciar o pé-de-meia aos 40 anos exige uma taxa de poupança de 17%. Aos 50 anos, o esforço deve ser um pouco superior a 30%, assumindo que a primeira pensão será igual a 68% do último vencimento, em termos líquidos.

No entanto, os cortes esperados nas pensões são mais baixos para quem se reforma primeiro, isto é, um trabalhador com 50 anos agora deve esperar uma pensão superior a um que esteja nas mesmas condições, mas que tenha 25 anos.

É obrigatório poupar

É uma regra que todos os trabalhadores devem seguir: poupar 10% dos rendimentos líquidos, no mínimo. Para os mais novos, se contarem com uma pequena pensão, terão o futuro financeiro assegurado. Para os mais velhos, que ainda podem esperar pensões mais elevadas, 10% deverá ser suficiente para compensar a reduzida perda de poder de compra.

A melhor maneira de processar esta poupança é automaticamente. Pode, por exemplo, agendar mensalmente uma transferência de 10% do seu vencimento líquido da sua conta-ordenado para uma conta de investimentos. Pode, em alternativa, aderir a um plano de programado de poupança, em que o seu banco efetua mensalmente um reforço de um montante fixo num fundo de investimento.

As transferências automáticas de poupança e os planos programados de reforço em fundos de investimento são ideias interessantes para quem quer acumular riqueza.

Este conceito é conhecido por “pagar primeiro a si”. Basicamente, antes de gastar o seu dinheiro a pagar a outros (renda da casa, despesas mensais, lazer, etc.), se poupar primeiro está a guardar o pé-de-meia para a versão futura de si próprio.

Não se esqueça que, se tiver muitos anos de poupança pela frente, deve preferir uma carteira pejada de ações ou fundos de ações, como o Observador já explicou. São as ações que mais rendem no longo prazo.

Embora seja possível subscrever bons fundos de ações com apenas 200 euros, se a sua poupança é de baixo calibre, pode guardá-lo numa conta de poupança e, quanto acumular um montante superior, aplicá-la na subscrição do seu fundo de eleição.

Se, ao longo da sua vida contributiva, não chegar ao milhão de euros, não se aborreça: há mérito em ter metas financeiras, mas é mais importante ter objetivos realistas.

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