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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Rangel sobe o tom: "A mim ninguém me viu com a família a fazer cataplana na televisão"

Paulo Rangel aparece com versão mais afetuosa com o povo, mas feroz com o PS e primeiro-ministro. Atacou António Costa com a ida em família ao programa de Cristina Ferreira.

Artigo em atualização ao longo do dia

Sentado num banco alto, na Casa das Artes ,em Famalicão, Paulo Rangel levanta-se e faz uma graça antes de começar a responder a perguntas de jovens: “No meu caso não há muita diferença entre estar sentado e estar de pé”. A diferença foi no tom contra António Costa, que para Rangel é o cabeça de lista do PS. Enquanto respondia a uma pergunta o candidato do PSD aproveitou para lembrar que Costa o acusou de fazer “política-espectáculo”, mas que o primeiro-ministro fez pior: foi com a família ao programa matinal de Cristina Ferreira.

“Ele tem dito que é contra a política-espectáculo, mas há uma coisa que ele a mim não pode dizer, já que está a falar de Paulo Rangel e quer personalizar as coisas: a mim ninguém me viu com a minha família a cozinhar cataplana num programa de televisão”, atirou o candidato do PSD. Rangel diz que não tem nada contra isso, mas que o que Costa diz tem de ser consequente. E a ele, garante, não o irão ver “num programa da manhã“, muito menos levando a família. “Não viram agora. Nem nunca”. Houve ovação na sala.

Paulo Rangel tinha dito minutos antes que Pedro Marques até calúnias tem utilizado, numa “linguagem deplorável, triste, infantil“. O candidato pediu “serenidade e elevação no debate político”, mas o PSD carregou nas tintas nesta ação. Mesmo o número três da lista, José Manuel Fernandes, tinha visado António Costa, dizendo que “Paulo Rangel nunca esteve de férias em praias, quando Portugal estava a arder.” E as farpas não se ficaram por aqui.

O próprio Paulo Rangel, minutos antes, tinha visado o homólogo de José Manuel Fernandes na lista do PS: “Onde está o número três que nunca aparece em nada, Pedro Silva Pereira? Onde está o braço direito de José Sócrates?

Rangel tenta o milagre das rosas em terras socialistas e centra ataques em Costa

Pela manhã, Paulo Rangel tinha voltado à rua e ao mercado. Mas para subir a cotação, precisa de conquistar votos ao centro. E roubá-los ao PS. No Minho, a comitiva escolheu fazer arruadas em três concelhos socialistas (dois PS e um independente com ex-PS). No mercado de Vizela, o candidato do PSD aproveitou o facto de uma mulher lhe ter oferecido rosas laranja: “É o milagre das rosas, da transformação das rosas em rosas laranjas é o que António Costa precisa.”

É esse o esforço do PSD: roubar eleitorado de forma direta ao PS e para isso o partido já conta com uma versão Rangel dos afetos e comunicador. Abraços, beijos, mais beijos, tão calorosos que chegam a ser à esquimó e há quase um beijo na boca por engano numa esplanada em Guimarães.

O novo Rangel até já faz um esforço para responder a quem o aborda de forma negativa. “Vocês vão lá para Europa e depois não fazem nada“, ouviu de uma mulher no mercado. Ao que respondeu: “Não diga isso”. Mais à frente, quase indignada, um outra mulher atira: “O PS é sério, é muito grande, não diga que é ladrão que não fica bem”. Rangel voltou a responder: “O PS? O PS? Ui, ui, ui, ui, ui, o PS”.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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Em 15 minutos arrumou-se Vizela e siga para Guimarães. A maior mobilização que a campanha teve até agora, os rufos dos Zé Pereiras (que tocaram o Bella Ciao, ignorando que a música é utilizada pela campanha do socialista candidato a Presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans). Encheram a rua, houve confusão. Rangel beijou mais eleitoras que em todos os outros dias juntos, para não falar dos abraços apertados. Passou ainda por um homem que ostentava o símbolo da União Europeia no bolso: “Este é dos bons”.

Se é Costa quem mais vezes tem aparecido na campanha do principal adversário, é Costa quem Rangel ataca. Nas primeiras declarações do dia, o candidato do PSD começa por dizer que o primeiro-ministro “está claramente nervoso e preocupado” e que é por isso que diz que Paulo Rangel não fez nada pelo interior nos últimos dez anos em Bruxelas. “O trabalho dos eurodeputados é conhecido, tem até reconhecimento externo, portanto não vale a pena estarmos a dar relevância a isso.”

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Antes de dizer o que o PSD está a fazer, Paulo Rangel denuncia o que está a fazer “neste momento, contra o interior, o Governo português, António Costa e Pedro Marques, que fazem perder 7% dos fundos”. O candidato do PSD questiona: “O que fez [António Costa] pelo interior?” E acusa: fez “uma reprogramação em que desvia para a Área Metropolitana do Porto e de Lisboa, fundos que eram da região norte, da região centro e do Alentejo. Às centenas de milhões de euros, é disso que estamos a falar.”

Rangel diz ainda que “António Costa está a debater-se com Paulo Rangel porque ele sabe muito bem que ele é que é o cabeça de lista às Europeias, o cabeça de lista real, porque o cabeça de lista virtual não aparece. É algo que tem de ser dito”.

Nas preocupações do Minho, região que está a visitar, Rangel encontra mais motivos para atacar o governo. Primeiro diz que o “Governo nada fez para as pequenas e médias empresas”, apesar da Europa ter “muitos instrumentos, alguns que podiam até alavancar investimento também público”. E acrescentou: “Dependiam diretamente do Governo, como é o caso do Plano Juncker, em que os privados usaram, mas o governo não usou”.

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Depois, a questão do “desenvolvimento rural”, em que “o governo está resignado, está a aceitar cortes de 10%, 500 milhões de euros aos agricultores e 25%, um quarto dos fundos, no envolvimento rural”. E ainda o caso dos fundos para a agricultura em que vê “cortes atrás de cortes, sem que o Governo reaja, sem que o Governo faça nada”.

Rangel tenta ainda atirar os contactos com a população — que lhe correram relativamente bem — contra o PS. “Estamos a fazer ações de rua em Vizela, Guimarães e Barcelos . São tudo municípios de cor socialista”, começou por explicar. Paulo Rangel diz que sai “à rua em todo o lado, não é como o PS que nunca sai à rua e quando sai é em clima favorável e, mesmo assim, ninguém sabe quem é o cabeça de lista. A nós isso não acontece”. O cabeça de lista destaca que o PSD “está onde está o povo português para o ouvir e, naturalmente, para o tentar cativar e convencer para o nosso programa”.

Sobre o caso do helicóptero, Rangel diz que o PS aproveitou o caso porque “dói” a António Costa que o PSD denuncie a “falta de meios aéreos”. E voltou a lembrar que o primeiro-ministro prometeu no debate quinzenal de segunda-feira “tratar do assunto do SIRESP em meia dúzia de horas e já passaram praticamente oito dias e ainda não aconteceu nada.”

Apesar de ter saído uma sondagem desfavorável, Rangel concordou com um eleitor que o abordou e disse: “Vamos ganhar, tenho fé”. O candidato retorquiu: “Eu também tenho fé”.

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Quem aumenta o volume de dia para dia é o exército da JSD que acompanha Rangel. Hoje voltou a estrear vários hits. Com a métrica do “Estava a assar sardinhas com o lume a arder”, saiu um “Estava o Rangel na rua, e o PS a ver/Marques foi chamado e saiu a correr/Se fosse outra coisa, eu não me importava/Mas era o ministro que todos enganava“. Depois, com a melodia da “choradeira” dos Super Dragões: “Vamos acabar com esta bandalheira/Emprego para o pai/Emprego para a filha/E para a família europeia”.

Este sábado já estão todos a pensar no futebol. Quando chegou a Vizela, a concelhia ofereceu a José Manuel Fernandes (número três da lista) uma mini-estátua da Vizela romana cor-de-laranja e a Rangel uma azul. Logo alguém disse: “Isso azul hoje é mau, hoje é vermelho”. Embora Rangel seja portista, respondeu no imediato:”É azul Europa”.

Menina estás à janela, com a bandeira à lua

A mobilização em Barcelos ao final da tarde voltou a ser grande, com uma bandeira gigante, como a das claques. Foi nesse ritmo que estiveram os “jotinhas”, que contaminaram os candidatos (José Manuel Fernandes mais ativo que Paulo Rangel). Sempre que viam mulheres à janela, os “jotas” cantavam o Menina estás à janela e, numa das circunstâncias, o presidente da concelhia do PSD de Vale de Cambra, João Carvalho da Silva, colocou-se às cavalitas de um dos jotas e deu uma bandeira à mulher que estava no primeiro andar.

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Não agitou a bandeira, mas colocou-a no vaso como ornamento. Quanto a Rangel seguiu como de manhã, mas mais cansado. Ainda assim foi tendo abordagens simpáticas, como um homem que lhe garantiu: “Eu só não vou lá votar em si se morrer ou ficar aleijado”. Rangel agradeceu, mas disse que não era preciso exagerar: “Não diga isso”. A arruada foi a ritmo acelerado porque seguia-se os jogos do título. E assim terminou o dia de campanha.

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