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No que toca a números absolutos, Portugal é o 15.º país do mundo com mais casos de Covid-19

Pedro Fiúza/NurPhoto via Getty Images

No que toca a números absolutos, Portugal é o 15.º país do mundo com mais casos de Covid-19

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Saímos mais ao fim de semana, região Norte está mais em risco e somos o 73.º país em camas hospitalares. Os números de Portugal à lupa /premium

Quando foi o pico da infeção, quando começará a curva a descer, qual o risco em cada concelho e quem está a cumprir melhor o confinamento? Parceria COTEC/NOVA IMS mostra números do país ao pormenor.

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O pico de prevalência da infeção pelo o novo coronavírus terá sido atingido esta sexta-feira, os últimos três dias representaram uma “situação anómala”, Vila Nova de Foz Côa é o município do país com maior índice de risco e os portugueses quebram o confinamento principalmente ao fim de semana. Tudo isto são dados apresentados pelo Covid-19 Insights, um portal que analisa a situação epidemiológica portuguesa e internacional criado numa parceria entre a COTEC e a NOVA Information Management School (IMS) da Universidade Nova de Lisboa.

O Covid-19 Insights, que utiliza os dados oficiais divulgados diariamente pela Direção-Geral da Saúde, distribui-se por seis tópicos: a situação em Portugal, a situação internacional, o índice de risco, a mobilidade, os modelos epidemiológicos e a análise económica, sendo que este último indicador não está ainda disponível para análise. O tratamento dos dados, feito principalmente através de gráficos, permite perceber qual é a expectativa de evolução da situação portuguesa — e ainda compará-la dentro de si mesma, entre regiões e municípios, e com os outros países, no interior da Europa e fora dela.

Pedro Simões Coelho, professor catedrático da NOVA IMS e um dos coordenadores do projeto, dissecou ao Observador alguns dos dados disponíveis no Covid-19 Insights e explicou o modelo utilizado para chegar aos modelos epidemiológicos que colocam a data do pico de prevalência (número mais elevado de pessoas infetadas simultaneamente no país) nesta sexta-feira, 8 de maio, e que indicam que o pico de infeção (número máximo de infetados na curva) ocorreu no início de abril, precisamente no dia 7.

O Covid-19 Insights analisa os dados oficiais divulgados diariamente pela Direção-Geral da Saúde

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Pico de prevalência esta semana e a possibilidade de um segundo pico de infeção

Para delinear os modelos epidemiológicos de todas as regiões, e também a nível nacional, a equipa da COTEC e da Universidade Nova de Lisboa utilizou um modelo conhecido mas acrescentou um indicador, tal como explica Pedro Simões Coelho ao Observador. “Foi uma extensão que desenvolvemos de um modelo conhecido, o modelo de equações diferenciais SEIR, que trabalha com quatro indicadores: os suscetíveis, os expostos, os infetados e os recuperados. A maior alteração foi que, a estes quatro compartimentos acrescentámos um quinto, o das mortes. Por outro lado, estimámos os dados através de uma abordagem hierárquica porque, se pensarmos, todos fazemos parte de um destes grupos — ou somos suscetíveis, ou já estivemos expostos mas não fomos infetados, ou estamos infetados, ou já estivemos e recuperámos ou acabámos por morrer”, indica o professor catedrático. Todos os gráficos e projeções foram realizados com base nos dados oficiais divulgados pela DGS.

No Covid-19 Insights, a equipa estima que esta quarta-feira, dia 6 de maio, Portugal atingiu 95% do total expectável de casos do novo coronavírus que vai acabar por ter. Ou seja, de agora para a frente só teremos mais 5% do total máximo esperado de casos do seu modelo, 33.303 casos, sendo que neste momento estamos já com 27-268 devidos aos números altos, com uma média de mais de 500 casos diários, dos últimos três dias.

No gráfico que dá conta da população infetada ao longo da epidemia, é possível ver que os dados reais se têm mantido não só dentro do intervalo de confiança estabelecido pelos especialistas, como inclusivamente abaixo da linha de infetados expectável. Algo que não acontece, por exemplo, no gráfico da incidência da infeção.

Maior número de infetados ao mesmo tempo deve ser atingido esta semana. Bragança, Beja e Portalegre foi onde mais se quebrou o confinamento

Nos últimos três dias, os números diários de novos casos (480, 533 e 553) não só saíram da linha de infetados expectáveis — algo que já acontecera noutras ocasiões desde o início da pandemia, já que a evolução irregular acabou por empurrar o aumento diário de infeções tanto para cima como para baixo da linha — como superaram o intervalo de confiança, algo que só tinha acontecido uma vez, no início de abril. Algo que Pedro Simões Coelho descreve como uma “situação anómala”.

“Principalmente em Lisboa e Vale do Tejo. Os dados dos últimos três dias estão muito desalinhados com o histórico e ultrapassam até a banda de confiança. Estão anormalmente altos. Podem existir duas explicações para isto: ou é um fenómeno localizado, e as autoridades estão a investigar isto, que pode ter uma explicação prosaica com indústrias ou empresas em que as pessoas se contaminaram umas às outras [o tal caso da fábrica da Azambuja]; ou as consequências desta abertura gradual, que todos sabemos que ocorreu, estão já a fazer-se sentir, já que a data dessa abertura seria compatível com estes três dias”, indica o coordenador do projeto.

A estimativa do Covid-19 Insights para a data do pico de infeção, o tal pico da curva, em Portugal é 7 de abril, há um mês, mas o professor universitário recorda que “nada nos garante que não volte a acontecer um novo pico”, que “poderá ser mais baixo do que o primeiro”.

O gráfico de incidência de infeção: nos últimos três dias, o número de novos casos diários superou a faixa de confiança, algo que só tinha acontecido uma vez

Pedro Simões Coelho acrescenta ainda que, caso a explicação dos números dos últimos três dias seja a segunda e não a possibilidade “prosaica”, isto pode levar a que o “pico de prevalência seja mais prolongado no tempo”. Ora, o pico de prevalência é um fator que tem sido algo esquecido pela maioria das análises mas que merece muita atenção por parte do Covid-19 Insights. Em suma, este pico representa o número mais elevado de pessoas infetadas simultaneamente no país e, de acordo com as estimativas deste estudo, deverá ter sido atingido no fim desta semana, sexta, dia 8. Isto se, voltando ao que disse Pedro Simões Coelho, os números registados nos últimos três dias não se prolongarem no tempo, arrastando também a ocorrência deste pico.

Sobre o porquê de este pico de prevalência não ter sido muito abordado desde o início da pandemia, o professor universitário não tem explicações. “É uma questão sobre a qual me interrogo. Todos nós ouvimos falar no passado da data do pico, que terá sido no final de março ou no início de abril, mas esse não é o verdadeiro ou o mais importante pico. O importante é o momento a partir do qual o nosso stock de infetados começa a diminuir, porque a verdade é que até agora continua a crescer”, explica.

O gráfico de prevalência da infeção, onde é possível ver que o pico está previsto para esta sexta-feira, dia 8

Para o académico, a prevalência dos contágios associada ao coeficiente de reprodução da infeção, o conhecido “R”, que “não atinge ainda os valores de segurança, desejavelmente abaixo de 1”, pode provocar uma “subida súbita do número de infeções se os comportamentos adequados não forem uma constante”. “O comportamento que adotamos quando não estamos confinados é tão ou mais importante que o próprio confinamento na contenção da propagação da doença. Quando comparamos Portugal com outros países que estiveram menos confinados, o sucesso não é, em vários casos, superior. Da mesma forma que, se nos compararmos com outros países que estiveram mais confinados, o sucesso também não é muito menor. O que faz realmente a diferença é o comportamento que as pessoas adotam uma vez fora de casa, como o uso de máscaras ou o respeito pelas distâncias de segurança”, acrescenta Pedro Simões Coelho.

Este pico, que terá ocorrido ao longo desta semana a nível nacional, poderá ser assimétrico em todas as regiões. Na região de Lisboa e Vale do Tejo e do Alentejo, por exemplo, este pico de prevalência está previsto apenas para o dia 15 e 18 de maio, respetivamente, enquanto que zonas como os Açores e o Algarve já poderão ter superado este período no início deste mês. Sem que estejam previstas grandes alterações por parte dos portugueses no que toca aos comportamentos de risco que têm, como explicou o professor universitário, é provável que este pico se prolongue no tempo.

“R” volta a subir e ameaça regresso à normalidade. Que número é este e porque é tão importante?

Os modelos epidemiológicos permitem ainda perceber que, a nível nacional, os casos recuperados se têm mantido abaixo da linha expectável, ainda que sempre dentro da faixa de confiança, mas aproximaram-se nos últimos dias dessa curva esperada.

Já nas mortes, a situação é semelhante mas em tendência oposta: também dentro da banda de confiança, estiveram consistemente acima da linha expectável e aproximaram-se nos últimos dias da curva esperada. Quanto ao Rt, as atualizações feitas periodicamente ao valor do R, o número de contágio do vírus por parte de cada pessoa, o estudo indica que a 27 de abril era de 1,04 a nível nacional — ou seja, que cada pessoa infetada continuava a contagiar mais que uma outra.

Índice de Risco: norte é a região mais em risco, Vila Nova de Foz Côa é o município com maior índice de risco

O Covid-19 Insights inclui ainda o Índice de Risco, ou seja, o risco de cada região do país tendo em conta tanto a taxa de infeção como outros fatores, como o índice de dependência de idosos, a densidade populacional, o rendimento bruto per capita e a taxa de população sem ensino secundário. Os dados concluem que o maior índice de risco está na região Norte de forma destacada: 28,48 contra os 13,14 da segunda zona do ranking, a região Centro. Seguem-se Lisboa e Vale do Tejo, Algarve, Alentejo, Madeira e Açores.

Os gráficos que mostram como Vila Nova de Foz Côa lidera todos os indicadores analisados pelo Covid-19 Insights quanto ao índice de risco

No que toca aos municípios, Vila Nova de Foz Côa, na Guarda, é de longe a cidade mais em risco. Seguem-se Castro Daire, em Viseu, Ovar, em Aveiro, e ainda Melgaço, em Viana do Castelo. Na região Centro, a zona com o maior índice de risco é Condeixa-a-Nova, em Coimbra, sendo que em Lisboa e Vale do Tejo destacam-se Loures, Amadora e Coruche. No Alentejo, Moura é a zona mais em risco, sendo que no Algarve é Albufeira. Na Madeira, Câmara de Lobos é a região com maior índice de risco, sendo que nos Açores é o Nordeste, em São Miguel, e a Calheta de São Jorge, na ilha de São Jorge. Ainda assim, existem 78 municípios espalhados por todo o país com índice de risco 0.

Mobilidade: Bragança, Beja e Portalegre foi onde menos se respeitou o confinamento

Sobre as mudanças na mobilidade dos portugueses desde o início da pandemia, desde março até agora, a maior quebra deu-se compreensivelmente nos espaços de retalho e diversão, que em abril chegou a cair 86% e a descida em Portugal foi ainda mais acentuada do que a média a nível mundial. Portugal contraria a tendência internacional no que toca à mobilidade dos parques: no resto do mundo, a quebra nunca chegou aos 40%, cá chegou a ser de 88%.

A redução da mobilidade dos portugueses em todos os setores sob estudo foi, aliás, mais reduzida do que a média internacional. Portugal teve uma quebra muito superior na utilização de transportes públicos e até da presença nos locais de trabalho — ainda que, neste último indicador, a tendência se tenha vindo a amenizar nos últimos dias, com a saída de muitos portugueses do regime de teletrabalho.

O único fator onde Portugal se aproxima de facto dos números dos outros países é a mobilidade em supermercados e farmácias, onde apesar de mantermos números inferiores estamos muito mais perto dos valores registados no resto do mundo. Os portugueses também ficaram mais em casa do que a média internacional, ainda que, tal como acontece com os locais de trabalho, esta diferença se venha a esbater com os números dos últimos dias.

A comparação da mobilidade portuguesa (a linha verde) com a dos restantes países

Em comparação com os meses de janeiro e fevereiro, em pré-pandemia, o aumento da permanência em zonas residenciais situa-se acima dos 30% durante a semana e cai para os 20% ao fim de semana: ou seja, os portugueses quebram mais o confinamento ao fim de semana do que durante a semana. Em oposição, é à segunda e à sexta-feira, principalmente nesses dois dias, que os portugueses ficam mais em casa quando comparado com os primeiros dois meses do ano.

A Covid-19 Insights indica ainda que, face à média nacional, Bragança, Beja e Portalegre foram os distritos onde menos se respeitou o confinamento, enquanto que Lisboa, Madeira e Setúbal foram as zonas onde mais pessoas ficaram em regime de teletrabalho nas próprias casas.

Situação em Portugal: casos internados abaixo dos 4% há sete dias seguidos

Portugal teve o maior crescimento percentual diário de novos casos a 15 de março, na semana em que o confinamento da população se tornou generalizado e em que Marcelo Rebelo de Sousa acabou por decretar o estado de emergência pela primeira vez. Aí, os novos contágios chegaram a crescer 31% num único dia — altura em que, é necessário ressalvar, Portugal tinha ainda apenas 245 casos confirmados, registou nesse dia mais 76 e ainda não tinha qualquer vítima mortal.

A quebra consistente da subida diária de novos casos começou a partir do fim de março. O último dia desse mês ainda registou um aumento de 13,9%, significativamente superior ao do dia anterior (7%) e a percentagem mais alta que Portugal teve desde então. De lá para cá, o único dia que salta à vista no gráfico desenhado pela COTEC e pela Universidade Nova de Lisboa é 10 de abril: verificou-se uma subida de 9,8%, três pontos percentuais acima do número da véspera (5,3%) e seis acima do número do dia seguinte (3,2%).

A percentagem diária de novos casos cresceu pela primeira vez abaixo de 1% no dia 27 de abril, na semana passada (0,7%), dado que se repetiu dois dias depois e que se prolongou por quatro dias consecutivos entre 2 e 5 de maio. A 2 de maio, aliás, registou-se a subida diária percentual mais baixa de sempre, 0,2%, ainda que tenham de ser feitas as necessárias ressalvas por se tratar de um sábado logo a seguir a um feriado. Nos últimos dias, porém, Portugal voltou a crescer acima de 1% e tanto esta sexta-feira como na véspera este indicador subiu mesmo mais do que 2%. Mais: em termos brutos, os novos casos subiram em mais de 500 tanto esta quinta como sexta-feira, algo que não acontecia em dias consecutivos desde 25 de abril.

Vêm aí os dias D para perceber o impacto do desconfinamento na evolução da Covid em Portugal

No que diz respeito aos casos hospitalizados, Portugal tem registado uma tendência decrescente constante desde o dia 2 de abril, data em que se verificou a maior taxa de pessoas internadas por casos confirmados desde que foi decretado o primeiro estado de emergência (11,5%). Desde aí, a percentagem de internados caiu de dia para dia (exceção feita a quatro dias, 7 de abril, 16 de abril, 29 de abril e 7 de maio) e as pessoas hospitalizadas estão abaixo dos 4% do global de infetados há sete dias seguidos, desde o início de maio.

A quebra consistente da subida diária de novos casos começou a partir do fim de março. O último dia desse mês ainda registou um aumento de 13,9%, significativamente superior ao do dia anterior (7%) e a percentagem mais alta que Portugal teve desde então.

Quanto aos casos em Unidades de Cuidados Intensivos, estes representam nesta altura (a 7 de maio, data até onde vão os dados da COTEC e da NOVA) 15,4% do número global de pessoas hospitalizadas. Este indicador também tem vindo a cair desde o início de abril, altura em que, no primeiro dia do mês, chegou a representar mais de 30% dos casos de hospitalização (31,7%, 230 pessoas nos cuidados intensivos para 726 pessoas hospitalizadas no total).

Já os casos recuperados começaram a subir de forma consistente a partir do início de abril. Desde o dia 5 de abril que se registam crescimentos diários no que toca aos casos recuperados: o salto mais acentuado foi entre os dias 20 e 22 de abril, altura em que, em apenas 48 horas, a percentagem de recuperações passou de 2,9% para 5,2%. A 7 de maio, na quinta-feira, Portugal chegou aos 8,5% de casos recuperados, o valor mais elevado registado pela Covid-19 Insights e que representa 2.258 recuperações. Esta sexta-feira, porém, com os dados atualizados do boletim diário da Direção-Geral da Saúde, o número de casos recuperados cresceu 7,3%, mais 515 do que na véspera, e significa agora 8,8% do total de infeções no país.

“Onde há relaxamento há focos de infeção”, alerta Graça Freitas

A taxa de letalidade portuguesa tem vindo a crescer consistentemente desde o agravamento da situação pandémica. Ainda assim, entrou numa fase de estabilização a partir do dia 29 de abril, quando atingiu os 4%: de lá para cá, tem subido o máximo de uma décima percentual de dia para dia ou até se tem mantido inalterada, sendo que, de 6 para 7 de maio, caiu mesmo uma décima percentual (4,2% para 4,1%, algo que não acontecia há cerca de um mês, desde a quebra entre 9 e 10 de abril).

Na distribuição de casos por grupo etário e género, fica patente algo que já tem sido sublinhado nas análises diárias dos boletins da DGS: ao contrário do que se passa na maioria dos outros países, Portugal regista maior incidência de infeção nas mulheres do que nos homens. Os homens, contudo, superiorizam-se noutro indicador — registam uma maior letalidade em todas as faixas etárias mais afetadas, 21% acima dos 80 anos, 10% dos 70 aos 79 anos e 4% dos 60 aos 69 anos. A análise de dados da COTEC e da NOVA IMS permite ainda perceber que a faixa etária mais suscetível, acima dos 80 aos, começou como a menos afetada no início de março mas é já a terceira mais fustigada (4.116 casos), seguindo de perto os intervalos dos 40 aos 49 anos (4.493) e dos 50 aos 59 anos (4.515).

O gráfico geral da situação epidemiológica em Portugal: a linha azul representa o crescimento diário do número de casos

A população mais envelhecida destaca-se, de longe, nos números relacionados com as vítimas mortais. A larga maioria dos óbitos registados em Portugal aconteceram com pessoas com mais de 80 anos (743), sendo que a tendência é decrescente conforme a idade: o segundo intervalo mais castigado é dos 70 aos 79 anos (223), depois dos 60 aos 69 anos (95), 50 aos 59 anos (33) e 40 aos 49 anos (10).

Os gráficos do Covid-19 Insights confirmam ainda a tendência espelhada nos boletins da DGS, em que os sintomas mais recorrentes em pacientes diagnosticados com o novo coronavírus são a tosse e a febre, seguidos de dores musculares, cefaleia, fraqueza generalizada e dificuldade respiratória. Um fator que se tem mantido quase inalterado ao longo do tempo, com exceção para um dia, 26 de março, em que tanto a cefaleia como a fraqueza generalizada registaram um pico. Algo que Pedro Simões Coelho, professor universitário da NOVA IMS e um dos coordenadores do Covid-19 Insights, justifica ao Observador com o facto de ser algo “relacionado com o registo” de dados, já que “nem todos são colocados no sistema na base diária” de forma imediata.

Na distribuição de casos por região do país, é notório que Lisboa é a zona mais afetada (1.668), seguindo-se Vila Nova de Gaia, Porto, Matosinhos, Braga e Gondomar, todos com mais de mil casos de infeção. Excluindo a capital do país, a região Norte é a mais castigada a nível nacional pela pandemia, destacando-se largamente de Lisboa e Vale do Tejo e do Centro. Algo que se verifica também nos óbitos, ainda que aí a diferença entre Lisboa e Vale do Tejo e o Centro seja muito reduzida (230 para 213 vítimas mortais). Em ambos os indicadores, a Madeira é a região com números mais reduzidos, enquanto que os Açores têm apenas 132 casos mais levam 14 mortos, mais um do que no Algarve e mais 13 do que no Alentejo.

No que toca aos óbitos, a taxa de letalidade portuguesa tem vindo a crescer consistentemente desde o agravamento da situação pandémica. Ainda assim, entrou numa fase de estabilização a partir do dia 29 de abril, quando atingiu os 4%.

Situação Internacional: Portugal é o 73.º país em camas por mil habitantes

Na análise que a COTEC e a NOVA fazem da situação internacional, é possível perceber que a curva portuguesa de contágios está já numa fase de estabilização, semelhante à de França, mas ainda não entrou num período de maior queda, como já fez a curva espanhola. Pedro Simões Coelho explica que é “importante olhar sempre para estes dados do ponto de vista absoluto mas também relativizado pela população dos países” e comenta a resposta portuguesa à pandemia em comparação à dos outros países.

“Os resultados são significativamente diferentes no caso dos números absolutos. Em termos brutos, Portugal estará na posição 21 neste indicador, muitos países europeus têm mais casos e outros que não estando piores estão muito parecidos, como a Suécia ou a Irlanda. Quando olhamos para estes casos relativizados, a situação de Portugal não é tão favorável assim. Mas não deixa de ser verdade que Portugal aparece em 15.º em termos mundiais e países como o Luxemburgo, Bélgica, Espanha, Itália e Suíça continuam a ter situações menos favoráveis do que a portuguesa. Diria que Portugal tem uma posição relativamente mediana do ponto de vista europeu que, no entanto, é mais favorável do que a de muitos outros países”, indica o professor da NOVA IMS.

O gráfico que mostra a diferença da situação que se vive nos Estados Unidos quando comparada com a dos restantes países

Nos dados internacionais, é ainda possível detetar a distância abissal entre os casos e óbitos confirmados nos Estados Unidos e nos restantes países do mundo. Num plano mais ou menos intermédio — mais longínquo do panorama norte-americano e mais próximo dos outros países, ainda que claramente distanciado — estão Itália, França, Reino Unido e Espanha.

Na contabilização da percentagem de população com mais de 70 anos, Portugal está em quarto lugar, com 14,9% e apenas abaixo do recordista Japão, de Itália e da Alemanha. O país é ainda o 7.º com mais médicos por cada mil habitantes (4,43), atrás de Cuba, Mónaco, San Marino, Grécia, Áustria e Geórgia e com números semelhantes aos da Noruega. No que toca às camas por mil habitantes, porém, Portugal cai para a 73.ª posição, com 3,40, valores semelhantes aos de Itália, das Maurícias e de Porto Rico.

Depois de registar 243 novas mortes, Itália torna-se no terceiro país a ultrapassar os 30 mil óbitos por Covid-19

Por fim, através de um gráfico interativo, é possível perceber que, a 6 de maio, a Guiné Equatorial era o país a crescer mais em termos de novos casos, com um crescimento perto dos 40%, seguido do Tajiquistão. Os restantes países a nível internacional com maior crescimento estão agora principalmente no continente africano: Gana, Guiné-Bissau, República Democrática do Congo, República do Congo, Serra Leoa e Etiópia, acompanhados pelos sul-americanos das Honduras.

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