Veja aqui se entrou no ensino superior

São precisos cinco algarismos para escrever o número de candidatos aos cursos de Saúde (e que os elegeram logo em primeira opção): 10.684. Embora Engenharia ande a ganhar a corrida à soma dos cursos de Medicina e Enfermagem, no ano em que a Covid-19 tomou conta do mundo os papéis invertem-se. Há cerca de mais 3.500 alunos a escolher formações de saúde do que no ano anterior — e isso acontece apesar de as faculdades de Medicina terem optado por não aumentar as vagas disponíveis, uma oportunidade única em vários anos oferecida por Manuel Heitor, mas que os reitores recusaram.

Os candidatos a engenharias também aumentam, mas não tanto (+1.413), ficando nos 9.493 — um terceiro lugar, já que a área de Ciências Empresariais, onde se inclui Gestão, foi a primeira escolha de quase 10 mil alunos (9.992), mantendo-se como segunda mais escolhida, tal como em 2019.

Num ano cheio de desafios, os novos alunos são a prioridade do ensino superior

Estes aumentos eram esperados num ano em que o número de candidatos foi o mais alto em 24 anos (mais de 62 mil) e em que foi preciso criar um mecanismo especial para aumentar as vagas disponíveis. A consequência, até porque as médias dos exames nacionais também subiram, foi que quase 51 mil alunos entraram no ensino superior logo na primeira fase — uma subida de 15% face a 2019. E destes, sensivelmente metade (51%) ficou colocada na primeira opção, algo que surpreendeu o ministro Manuel Heitor já que havia maior probabilidade de os estudantes ficarem afastados das suas preferências.

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“Mais de metade dos jovens vão para onde querem e vemos que houve um aumento muito grande dos colocados em politécnicos. Também subiram os colocados em 1.ª opção no interior do país, o que é muito positivo, e um sinal de maturidade dos nossos jovens”, acrescenta o ministro, já que isso mostra que há uma diversificação grande das escolhas de primeira linha.

Nos politécnicos houve um aumento de 18% de colocados (20.293 versus 17.220), uma subida maior do que nas universidades, embora estas ofereçam quase mais 10 mil lugares em números absolutos. Ali, o crescimento foi de 12%, tendo passado de 27.280 para 30.671. No entanto, quando se olha para as primeiras escolhas dos alunos, o crescimento dos politécnicos como 1.ª opção foi de 30%.

Ensino Superior. Faculdades de Medicina recusam oferta de Manuel Heitor e não criam mais vagas

“Podíamos esperar que a escolha estivesse toda concentrada em Lisboa e Porto e não está, o que significa que há uma maior perceção da qualidade de ensino das instituições fora destas cidades”, argumenta o titular da pasta do Ensino Superior.

Já Pedro Dominguinhos, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) considera que “estes resultados demonstram que, apesar do momento que vivemos, de incerteza relativamente ao futuro, os jovens e as famílias acreditam que o ensino superior é um investimento importante a longo prazo”. Por outro lado, vê neles uma prova da confiança das famílias nos politécnicos, “pela qualidade da formação e investigação realizadas” e pelas condições tecnológicas e materiais que oferecem.

Com todas as instituições de ensino superior a aumentar o número de colocados, a previsão de Manuel Heitor é de que um número recorde de novos estudantes entre nas instituições públicas e privadas em 2020. “Pela primeira vez quase 95 mil jovens vão entrar no ensino superior e é também a primeira vez que mais de 50 mil estudantes ficam colocados na 1.ª fase. Isto é um marco muito importante e quer dizer que temos mais jovens a estudar e as suas ambições têm de ser satisfeitas”, sustenta o governante.

81% dos candidatos colocados na 1.ª fase. Veja aqui se entrou no ensino superior

Num ano recordista em candidatos e colocados, também o número de estudantes que não conseguiu lugar aumenta, com mais de 11 mil jovens a não conseguir lugar. Manuel Heitor contrapõe e lembra que sobraram mais de 6 mil vagas desta 1.ª fase do concurso e que as instituições vão poder transferir as vagas sobrantes de outros concursos para o nacional. “Estou certo de que todos encontrarão a oportunidade de estudar”, afirma o ministro.

Subidas há muitas: bons alunos, interior do país e maiores de 23 anos

As subidas foram, por isso, muitas: o número de colocados nos cursos com maior concentração de bons alunos aumentou cerca de 29% (um total de 1.984 estudantes), os colocados em regiões com menor pressão demográfica cresceram 20% (12.314) e houve um aumento de 6% no concurso para maiores de 23 anos (2.800 colocados).

Mas querer um curso não é significado de conseguir lugar. Voltando a olhar para as áreas de formação, Saúde tinha quase 7 mil vagas disponíveis (6.961), insuficientes para os mais de 10 mil candidatos. Com Engenharia deu-se o oposto: havia quase mais mil vagas do que candidatos (10.501 versus 9.493).

Assim, quando se olha para os alunos que ficaram colocados em cada uma das três áreas mais cobiçadas, as medalhas entregues seguem a mesma lógica do ano anterior: ouro para Engenharia (8.669), prata para Ciências Empresariais (8.212) e bronze para Saúde (6.929). Dentro da área da saúde, num ano de polémica com o aumento de vagas a Medicina e que culminou na acreditação do primeiro curso de medicina numa escola privada, os futuros médicos ocuparam 1.523 vagas, incluindo os ciclos básicos do curso ministrados nos Açores e na Madeira.

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ISCTE fica sem vagas, Universidade de Lisboa ganha na procura e nos candidatos

Em relação ao ano passado, há apenas uma pequena alteração: em vez de cinco, foram quatro as instituições que ocuparam todas as vagas disponíveis na 1.ª fase do concurso. Com a saída da Universidade Nova de Lisboa da lista (ficou com uma vaga sobrante), o ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa é a única universidade a ficar sem vagas logo em setembro.

Mesmo saindo daquela lista, a Nova conseguiu um outro feito: colocou 2.978 alunos, uma subida de 16%, superior à média nacional, que se situa nos 15%.

As restantes três instituições que esgotaram as vagas, e que repetem a façanha do ano passado, são todas escolas superiores de enfermagem, a de Lisboa, a do Porto e a de Coimbra.

Por instituições, a tradição quase que se mantém, não fosse o aumento de colocados no Politécnico do Porto (3.349). A Universidade de Coimbra, habituada a ficar em terceiro lugar, é destronada e desce para quarto lugar (3.282).

No topo, nada muda. A Universidade de Lisboa é quem coloca mais estudantes (7.723), sendo também a que recolhe maior número de candidatos (10.749, um aumento de 2.144 pretendentes). A Universidade do Porto mantém em ambos os rankings o segundo lugar com 8.572 candidatos e 4.629 colocados.

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Quanto aos cursos, foi Direito, na Universidade de Lisboa, quem mais lugares garantiu aos estudantes com 466 lugares ocupados. O mesmo curso, desta feita na Universidade de Coimbra, é o que fica em segundo lugar, com 334 assentos ocupados.

A fechar o top 5, segue-se Enfermagem na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra (320), Medicina na Universidade de Lisboa (320) e, de novo, um curso de formação para enfermeiros na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa (288).

Os resultados da 1.ª fase do concurso nacional de acesso foram divulgados às 00h01 de domingo, 27 de setembro, no site da Direção-Geral do Ensino Superior, embora seja habitual, algumas horas antes, os estudantes receberem mensagens, ou por sms ou por correio eletrónico, com o anúncio da instituição e do curso em que ficaram colocados.

Para além dos dados individuais disponibilizados pela DGES, também pode consultar a tabela que o Observador disponibiliza, confirmando qual foi a média do último aluno a entrar em cada curso. Se não entrou, saiba que decorre de 28 de setembro a 9 de outubro a 2.ª fase do concurso, estando disponíveis pelo menos 6.050 vagas.

Este número pode ainda vir a subir já que este ano, devido ao grande aumento do número de candidatos, as instituições de ensino superior podem aumentar esse número através da transferência de vagas fixadas e não ocupadas nos concursos especiais de acesso.