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PS vai organizar uma conferência nacional num centro de congressos em Coimbra. No ano passado, rentrée do PS foi na Madeira

GREGÓRIO CUNHA/LUSA

PS vai organizar uma conferência nacional num centro de congressos em Coimbra. No ano passado, rentrée do PS foi na Madeira

GREGÓRIO CUNHA/LUSA

Sem Pontal nem Pontinha, as rentrées já não são o que eram. Só PS aposta em "conferência nacional" à antiga /premium

PSD sem nada. PAN idem. Chega aposta em manif e na reeleição de Ventura. BE com eventos distritais ao ar livre, e CDS nos Açores. Só o PS faz conferência em Coimbra à moda antiga. As rentrées mudaram.

“Antigamente, a rentrée era assim: em meados de julho havia o debate do Estado da Nação, depois entrava-se em férias e, até meados de agosto, às vezes até ao começo de setembro, havia um mês, um mês e meio, parado e as ‘rentrées’ eram momentos para grandes discursos, grandes novidades, coisas completamente diferentes (…) Agora passou a ser natural haver outro ritmo, outro tempo de intervenção política. Se quiserem, o tempo acelerou. Era possível estar calado durante um mês e meio e depois era bombástico o que se dizia ao fim de um mês e meio. Agora não é possível. Se não é o líder, é o vice-líder, é o secretário-geral, é um parlamentar que tem de comentar o que se passou entretanto.”

As considerações são de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente, em setembro de 2018 quando, entre um livro e outro, na Feira do Livro que organiza em Belém, comentava — sem comentar — os discursos partidários que habitualmente dão o pontapé de saída do ano político. São as chamadas rentrées, que em tempos punham fim à acalmia de agosto, mas que agora se parecem ter “diluído” por ter deixado de haver acalmia em agosto. Para trás ficam os tempos da festa do Pontal ou da festa da Pontinha — quando PSD e PS interrompiam agosto para fazer provas de vida no Algarve. E, pela frente, está um ano de eleições, primeiro nos Açores, depois presidenciais e depois autárquicas, ensombrado pela pandemia da Covid-19.

Antes ‘era possível estar calado durante um mês e meio’, agora não. Antes era possível fazer festas e jantares com os militantes, agora é preciso regras e muitas limitações. Daí que, a duas semanas do fim de agosto, à exceção do PCP, que foi o único que manteve a habitual festa do Avante, ainda haja quem nem sequer tenha fechado o programa de festas… Se é que vai ter festas.

PS com conferência ‘Recuperar Portugal’. PSD sem nada

Fonte oficial do PSD afirma ao Observador que “não está nada previsto” para a rentrée, e fonte do PAN remete para “mais tarde”. Há também o Iniciativa Liberal que não é apologista de rentrées porque isso seria o mesmo do que dizer que houve um período de saída de cena, o que não aconteceu. Coisa diferente é o PS que, confirmou o Observador, está a organizar uma conferência nacional em Coimbra para lançar “pistas para o futuro”.

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António Costa será a estrela principal do evento da rentrée socialista que durará “um dia inteiro” e que terá como mote “Recuperar Portugal”. Vai ser no dia 31 de agosto, no Convento de São Francisco, em Coimbra, e vai contar com intervenções políticas de vários dirigentes socialistas, com o secretário-geral à cabeça. De acordo com fonte do partido, a ideia é que não seja uma “rentrée formal” devido à pandemia, mas, na prática é isso que vai ser — apenas com limitação de lugares. O auditório do centro de congressos estará apenas a um terço da capacidade e haverá “medição de temperatura” à entrada, bem como todas as regras e recomendações sanitárias da DGS, com quem os socialistas estão em contacto permanente no âmbito da organização do evento.

“Será um momento marcante”, diz fonte socialista ao Observador, sublinhando que a ideia do evento é ser um “fórum” ou uma “sessão política” para “lançar pistas para o futuro”, e não uma conferência para “avaliar trabalho feito”.

Rentrée do PS vai ser no dia 31 de agosto, no Convento de São Francisco, em Coimbra, e vai contar com intervenções políticas de vários dirigentes socialistas.

Já o Bloco de Esquerda, que cedo anunciou o cancelamento do seu habitual Fórum Socialismo, que juntava centenas de bloquistas no final do verão em escolas do país para debaterem ideias e lançarem as bases da mensagem política com que arrancariam o ano, optou por algo diferente: sessões distritais ao ar livre, organizadas pelas estruturas locais, que contarão com momentos culturais mas também com intervenções políticas. Ao Observador, fonte do partido confirmou que a grande aposta será feita nos dois primeiros fins de semana de setembro, em Viseu, Braga, Porto e Almada. Não obstante outros eventos que se irão realizar noutros distritos, é nestes quatro que vai estar Catarina Martins.

A ideia é “privilegiar o ar livre” mas não descurar a “intervenção política”. Catarina Martins estará na sexta-feira, dia 4 de setembro, em Viseu, partindo depois para Braga no sábado. O domingo, dia 6, fica a descoberto para não colidir com o comício de Jerónimo de Sousa, que se realiza, como sempre, no terceiro e último dia da Festa do Avante. No fim de semana seguinte, a lógica repete-se, com Catarina Martins a marcar presença num evento na Alameda das Fontainhas, no Porto, partindo depois para Almada, no dia seguinte. Porquê estes quatro distritos? Primeiro, para dar atenção ao interior (Viseu), depois para premiar Braga que tem tido uma “forte mobilização de bloquistas”, tendo até conseguido um segundo deputado nas últimas eleições, e depois por motivos de “distribuição geográfica”. Cada evento terá atividades culturais ao ar livre, desde cinema a espetáculos circenses, seguido de intervenções políticas dos deputados da região e da coordenadora do partido. Segundo fonte bloquista, a organização dos eventos está a ser articulada com as autoridades de saúde de forma a serem cumpridas todas as normas.

Do lado do CDS, a aposta será os Açores. Com eleições regionais marcadas já para o próximo mês de outubro, os centristas criticam o facto de, no continente, as atenções estarem todas viradas para as presidenciais de janeiro, quando, na verdade, ainda há umas eleições antes. Francisco Rodrigues dos Santos está neste momento nos Açores e, segundo fonte do partido, é para aquele arquipélago que estará reservado espaço para uma espécie de rentrée do partido — ainda em moldes a definir.

O PSD, por sua vez, não tem nada “previsto”, segundo confirmou ao Observador fonte oficial do partido, ainda que se mantenha aberta a possibilidade de haver “conferências online e webinar” promovidos pelo Conselho de Estratégia Nacional, dirigido por Joaquim Miranda Sarmento, que podem também dar aso a algum momento “presencial”, ainda por definir. Isto depois de o partido se ter apressado a cancelar os habituais eventos da rentrée social-democrata, tanto a festa do Pontal, no Algarve, como a Universidade de Verão, em Castelo de Vide, que por norma terminava com uma intervenção política de fundo do líder do partido, devido à pandemia da Covid-19.

Bloco de Esquerda quer "privilegiar o ar livre" sem descurar a "intervenção política" e vai organizar rentrées distritais. Catarina Martins vai estar em Viseu, Braga, Porto e Almada

Tal como o PAN que, em resposta ao Observador, limitou-se a remeter para “mais tarde” eventuais informações sobre eventos que venham a estar previstos para marcar a rentrée política do partido. O Iniciativa Liberal também não terá nenhum evento específico com o carimbo de “rentrée”, mas por statement. A ideia é que para regressar é preciso sair e, segundo diz fonte do partido ao Observador, “a luta pelo liberalismo não para, nem no mês de agosto, onde a IL tem mantido a sua atividade”. Prova disso é que esta quarta-feira haverá um live no Facebook do partido com João Cotrim Figueiredo e o centrista Adolfo Mesquita Nunes dedicado ao tema do Turismo, e no próximo dia 24 haverá “ações de celebração dos 200 anos da Revolução Liberal”. Além disto, o líder do partido também irá aos Açores, depois de ter já anunciado dois dos cabeças de lista do IL nas eleições regionais.

O Chega, por sua vez, vai entrar no novo ano político de forma peculiar: com a eleição do líder, estando marcadas para dia 5 de setembro as eleições diretas do partido, a que André Ventura se vai recandidatar com o intuito de reforçar a liderança. Antes disso, segundo explicou fonte do partido ao Observador, terão lugar dois jantares-comício, que pararam durante cerca de 20 dias e que regressam agora em Loulé, dia 26 de agosto, e depois em Setúbal, dia 29. Mas o momento mais “mediático” da rentrée, a seguir à reeleição de Ventura, será uma manifestação de negação do racismo, marcada para Évora, dia 18 de setembro, que dará o tiro de partida para a Convenção Nacional do partido, no dia 19 e 20, e que consagrará a liderança do também candidato presidencial para um novo mandato.

Adeus às barbas e às peras

Era o momento das mangas de camisa, das peles bronzeadas e das barbas de 15 dias por fazer. Fosse no calçadão de Quarteira, no pinhal de Loulé, na Madeira ou noutro ponto do país, a rentrée dos dois maiores partidos sempre foi o momento de reencontro pós-férias que servia como prova de força para o que aí vinha. A história do Pontal, a tradicional rentrée algarvia do PSD, é tão longa quanto a democracia, mas passou por altos e baixos. Nos últimos dois anos, Rui Rio quis acabar com a tónica que Passos Coelho tinha posto no convívio algarvio e passou a festa do Pontal para outros locais no interior algarvio, reduzindo o número de participantes e tirando peso político a uma rentrée que Rio preferia que não se chamasse rentrée.

Pontal. Quando Marcelo pagava e Ferreira Leite dava tampas

O atual líder do PSD preferiu voltar aos meandros do Pontal de Sá Carneiro, quando a festa se realizava num pinhal de Faro, junto ao aeroporto, com atividades lúdicas e com o intuito de puxar pelos militantes laranja a sul do Tejo, que sempre foram escassos se comparados com a onda laranja a norte. Mas a festa deu muitas voltas e, se com Cavaco voltou a ter novo impulso, com Marcelo chegou quase a desaparecer, não fosse o próprio ter pago do seu próprio bolso, com Manuela Ferreira Leite nem vê-la, e com Passos Coelho assentou arraiais em Quarteira.

Passou de uma festa para um jantar, com os militantes a chegarem ao Algarve vindos em autocarros de vários pontos do país, mas durante 6 anos manteve-se como um dos pontos altos da política laranja. Deputados e dirigentes encontravam-se ali em mangas de camisa e com barbas por fazer — Assunção Cristas, a ex-líder do CDS, chegou a marcar presença em 2015, no ano em que PSD e CDS concorreram em coligação às legislativas, com um vestido que captou a atenção das câmaras por ser recheado de peras — e o líder do partido definia, num longo discurso, as traves mestras da estratégia para o ano que se seguia.

Ano houve em que o PS se juntou à festa. Foi em 1995, no fim do cavaquismo, quando António Guterres (com Jorge Coelho ao lado) afinava os motores para ganhar as legislativas desse ano. Num gesto arrojado, como contou o Observador, os socialistas, que não têm uma tradicional festa de rentrée, decidiram tomar de assalto o terreno do largo da Pontinha, ao lado do terreno do recinto do Pontal, em Faro, para medir forças. Conta quem viu que até as televisões privadas (SIC e TVI), que também faziam prova de vida, apostaram todos os seus meios e recursos naquele episódio que depressa se transformou num derby de verão. Histórias que não se repetem. Sobretudo em ano de pandemia.

O derby das rentrées. PSD no Pontal, PS de volta à Pontinha

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