Índice

    Índice

Sem hesitações, com sentido de humor e de dedo apontado às redes sociais. Foi assim que Steve Blank recebeu o Observador, por videochamada, numa entrevista que atravessou uma diferença de oito horas. De São Francisco, nos EUA, o autor do livro que é considerado a bíblia do empreendedorismo, o “Four Steps to the Epiphany”, explicou-nos porque é que, em 2020, teria “vergonha” de trabalhar no Facebook: porque a rede social é como uma empresa de cigarros nos anos 1950 e 60. “Mas em vez de matar pessoas, pode matar países”, referiu o empreendedor que também é conhecido por ser “O Padrinho” de Silicon Valley.

“Estas empresas de tabaco descobriram como tornar o produto que vendiam mais viciante e há pessoas no Facebook que, na verdade, é este o trabalho que têm: perceber como é que a rede social pode ter mais engagement. E o engagement não é necessariamente saudável, tal como eu fumar mais cigarros”, referiu.

Com uma experiência de 21 anos em oito empresas de alta tecnologia, Blank reformou-se em 1991 e foi aí que escreveu o livro que veio a anteceder aquele que é o “The Lean Startup Movement” — conceito que pela primeira vez distinguiu o modus operandi das startups do das grandes empresas. Além de empreendedor, Blank é professor, tendo já lecionado nas universidades de Stanford, Berkeley, Columbia ou Nova Iorque. Em 2012, a Harvard Business Review listou Blank como um dos mestres da inovação e, no ano seguinte, a Forbes integrou-o na lista das 30 pessoas mais influentes no ecossistema tecnológico. Ao Observador, deixou um alerta sobre os tempos que correm: “A história diz-nos que isto não acaba bem e acho que tendo a seguir a história: isto não vai acabar bem. Sou um grande fã da inovação e do empreendedorismo, mas estes extremos preocupam-me”.

Com a pandemia como pano de fundo e as eleições nos EUA na mira, Steve Blank explicou-nos qual é o grande erro da tecnologia. “Há muito tempo que o erro é achar que a tecnologia consegue resolver os problemas humanos. Mas só os humanos conseguem resolver os seus problemas. E a maioria da tecnologia acaba por não ser usada da forma que as pessoas inicialmente pensaram que iria ser usada”, referiu.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.