Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Os suíços vão ter neste domingo, na ponta de uma esferográfica, uma decisão sobre algo que pode ser verdadeiramente revolucionário para a forma como as economias modernas funcionam — começando pela Suíça, um país quase sinónimo de finanças. Os promotores do referendo do Vollgeld — o dinheiro inteiro — querem acabar com a capacidade que os bancos privados têm de “criar dinheiro a partir do nada“, uma prática que está na base de como, há vários séculos, o sistema está organizado mas de que a maioria dos cidadãos não tem consciência.

O governo e o banco central suíço avisam que acabar com o sistema da reserva fracionária seria “uma experiência desnecessária e perigosa, que iria infligir graves danos na economia”. Mas a inovação tecnológica está a inspirar o movimento internacional que não vê razões por que os cidadãos não possam depositar o dinheiro diretamente nos bancos centrais, prescindindo da intermediação dos bancos privados (e evitando as crises financeiras recorrentes que, defendem, o atual sistema proporciona). Até um ex-governador do Banco de Espanha considera estas ideias “interessantes”.

“O referendo não tem recebido muita atenção até ao momento, pelo menos fora da Suíça”, escrevem dois economistas do ING, Charlotte de Montpellier e Teunis Brosens, num relatório distribuído pelos investidores clientes do banco holandês e enviado ao Observador. E porque não? “Talvez porque se subestima o impacto que o Vollgeld teriacaso fosse aplicado. Ou, então, talvez porque se acredita que a probabilidade de uma vitória do sim não é muito elevada — mas acreditar nisso pode revelar-se um erro“, avisam.

Uma sondagem encomendada pela televisão pública SRF antecipou, há cerca de um mês, que 49% dos suíços vão votar contra o referendo, que 16% estão indecisos e que os restantes 35% admitem votar favoravelmente a proposta. Existem, porém, sondagens que apontam para um resultado bem mais renhido: 45% contra e 42% a favor, com 13% de indecisos, segundo chegou a calcular uma sondagem online da empresa Tamedia.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.