Uber quer transportes públicos na app portuguesa. “Portugal é um dos nossos modelos de ouro” /premium

04 Julho 2019236

Os 5 anos da Uber, a saída de Rui Bento, o "modelo de ouro" que é Portugal e a aposta nos transportes públicos. A entrevista exclusiva à responsável da Uber para o sul da Europa, Giovanna D’Esposito.

Para Giovanna D’Esposito, não há dúvidas: “Portugal é um dos modelos de ouro da Uber”. A tecnológica que começou a operar em Lisboa faz esta quinta-feira cinco anos tem usado o país como “um ícone de inovação” e agora que já tem uma “regulação justa” no mercado, que a Uber Eats está presente em 19 cidades portuguesas e há 1.750 bicicletas elétricas Jump disponíveis para partilha em Lisboa, a responsável pelo mercado do sul da Europa quer levar Portugal para o “próximo nível”: “Gostávamos muito de continuar a trabalhar com o poder local para integrar coisas como transportes públicos [na app]”. Mas estará para breve? “Esperamos que sim. (…) É a direção que queremos seguir e tenho muita esperança de que vamos conseguir fazer isso em Portugal”.

Em entrevista exclusiva ao Observador a partir de uma videocall em Madrid, Giovanna D’Esposito explicou porque é que a empresa ainda não substitui Rui Bento, o ex-diretor da Uber em Portugal que deixou o cargo em setembro de 2018: “O Rui é um homem muito talentoso e, por isso, a fasquia está elevada”, disse, acrescentando que prefere esperar mais seis meses (ou mais) e “ter a pessoa certa” do que contratar alguém que não seja capaz de levar Portugal no sentido que a empresa quer. “Não é assim tão óbvio encontrar alguém que tenha as competências certas”. Rui Bento foi o responsável por lançar a operação da empresa em Portugal, a 4 de julho de 2014. A regulamentação para os transportes em veículos descaracterizados (TVDE), no qual se inclui a Uber, só foi aprovada no Parlamento em julho de 2018 e entrou em vigor em novembro. Entre setembro de 2018 e janeiro de 2019, Rui Bento liderou as operações da Uber Eats para o sul da Europa.

A Uber começou a operar em Lisboa há cinco anos com o serviço UberBlack. Progressivamente, introduziu mais três: UberX, UberGreen, UberStar e lançou o UberPool em eventos especiais. Atualmente, a Uber cobre utilizadores nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, assim como no Algarve, Braga, Guimarães e Coimbra. Enfrenta, em várias destas cidades, a concorrência da Cabify, Bolt e Kapten. Tem mais de 8.000 motoristas parceiros e, desde que chegou ao país, a app da Uber foi descarregada mais de 2,5 milhões de vezes. A Uber Eats — o serviço de entrega de refeições ao domicílio — chegou a Lisboa em 2017 e está presente em 19 cidades, com parcerias com 2 mil restaurantes. Lisboa foi a primeira cidade europeia a receber as bicicletas elétricas partilháveis Jump. Sobre todas estas iniciativas, Giovannia explica: “As parcerias com o Governo e os municípios correram bem, o que levou a Uber a ter sempre um compromisso elevado com Portugal”.

“Portugal tem sido um dos modelos de ouro da Uber. O nosso compromisso é bastante forte”

A Uber está há cinco anos em Lisboa. O que podemos esperar para os próximos cinco?
Não tenho uma bola de cristal para os próximos cinco anos, mas posso dizer, sem dúvida, quais são os nossos principais objetivos e como estamos a pensar alcançá-los. Portugal tem sido um dos modelos de ouro da Uber. E tem corrido bem: as parcerias com o Governo e os municípios correram bem, o que levou a Uber a ter sempre um compromisso elevado com Portugal. Um compromisso que funciona para os dois lados, certo? Portugal tem sido fantástico para a Uber e, por isso, o nosso compromisso tem sido bastante forte desde o início. Lisboa foi a primeira cidade, o primeiro país no mundo onde lançámos o nosso produto Green (opção de escolher só carros elétricos), em 2017. Foi uma das primeiras cidades do mundo onde lançámos um produto de micromobilidade, as bicicletas Jump, em fevereiro, e, claro, temos o programa Uber Star, que é outra inovação.

7 curiosidades sobre a Uber em Portugal

  1. O motorista que mais viajou com a Uber fez mais de 23.000 viagens;
  2. Em 5 anos, viajaram pela Uber turistas de 125 nacionalidades;
  3. A viagem mais curta aconteceu em Cascais. O utilizador entrou no carro em vez de cancelar a viagem;
  4. O dia com mais viagens: 28 de junho de 2019, entre as 20h e as 21h;
  5. Os itens que mais se perderam em viagens: telemóvel, câmara fotográfica, carteira, mochilas, sacos, documentos, caixas, bagagem, chaves, óculos, roupa, headphones e guarda-chuva;
  6. O motorista que recebeu mais gorjetas totalizou 1.835 euros;
  7. A viagem mais longa começou em Lisboa, parou no Algarve e terminou no Porto: 800 km.

Falei de todos estes exemplos para explicar que existe um compromisso atualmente e que esse compromisso vai continuar. Como é que vai continuar para nós? Acho que isto é bastante claro em termos de princípios orientadores. Esses princípios dizem que queremos ser uma plataforma [de mobilidade]. Esta é a narrativa da Uber, mas em Portugal isto é muito real. Porque em Portugal temos muitos produtos na categoria dos carros, temos a Uber Eats, a Jump e gostávamos muito de continuar a trabalhar com o poder local para integrar coisas como transportes públicos. É uma coisa que já começámos a fazer na Europa. Fazemos isto em Londres, muito bem, com uma parceria com a TFL e se agora fores a Londres podes planear uma viagem que também inclua o metro e comprar o bilhete [dentro da app].

Por isso, a nossa linha orientadora é exatamente esta. Queremo-nos certificar de que podemos, ao criar parcerias com as entidades responsáveis, integrar várias modalidades de transporte, para que possam ir do ponto A para o ponto B, mesmo que tenham de mudar três vezes de transporte. Nós podemos fazer isso.

"Todas estas coisas dependem muito da forma como conseguimos cooperar com as autoridades, porque integrar transportes públicos requer uma parceria com estas entidades. Por isso, é essa a direção que queremos seguir e tenho muita esperança de que vamos conseguir fazer isso em Portugal. Também espero conseguirmos ter mais meios de transporte." 

Quer isso dizer que vamos ter em breve, em Portugal, esse modelo de integração com os transportes públicos?
Esperamos que sim. Mas tudo isto depende muito da forma como conseguimos cooperar com as autoridades, porque integrar transportes públicos requer uma parceria com o poder local. Por isso, essa é a direção que queremos seguir e tenho muita esperança de que vamos conseguir fazer isso em Portugal. Também espero conseguirmos ter mais meios de transporte. Temos outros projetos a nível global que estão a chegar devagar à Europa e não temos planos específicos para Portugal agora, mas temos os camiões da Uber, que estão a trabalhar muito bem nos Estados Unidos e que lançámos recentemente na Holanda.

Também pensamos noutras coisas mais futuristas, como os carros autónomos e os táxis voadores. Vai tudo demorar alguns anos, mas é algo que pode acontecer num país como Portugal, que é um exemplo fantástico na Europa, e onde podemos integrar todas estas coisas. A ideia é que tudo isto faça com que as cidades sejam mais eficientes e pratiquem preços sustentáveis, mas só conseguimos fazer isso se fizermos parcerias com a administração pública. Por isso, são estas as nossas linhas orientadoras e desafios.

Mas já começaram a conversar com as entidades em Portugal sobre estas parcerias?
Esperamos começar a fazer isso mesmo.

Já têm as bicicletas Jump disponíveis na app, mas também investiram nas trotinetes da Lime. Podemos esperar encontrá-las na app da Uber em breve? 
Investimos, sim, mas a Jump também tem trotinetes: tem bicicletas e trotinetes.

As trotinetes e bicicletas elétricas e partilháveis da Jump, startup que foi adquirida pela Uber em abril de 2018

Vamos ter as trotinetes da Jump em Portugal?
Depende do tipo de acordo que conseguirmos fazer e das parcerias que conseguirmos formar. Agora, temos trotinetes da Jump em três cidades: Paris (onde as lançámos primeiro), em Madrid (onde lançámos em abril) e em Málaga (onde lançámos na semana passada). Por isso, estamos a tentar avançar com isto sempre que fizer sentido e dependendo do desenho das cidades. Há muitos fatores que nos fazem lançar um produto deste ou de outro tipo e que têm de ser tidos em conta. Uma das coisas que posso dizer é que a segurança é uma grande preocupação para a Uber e que por isso é um fator — tendo em conta a topografia da cidade — na hora de escolhermos que produto lançamos em cada cidade em específico.

“Não temos planos para mudar a comissão que cobramos aos motoristas”

Cinco anos depois, há mais competição. Surgiram muitas empresas a prestar os mesmos serviços. Como é que a Uber planeia diferenciar-se da concorrência que enfrenta na Europa?
Vou fazer uma pequena premissa e depois ir direta a esse assunto. A premissa é a de que um mercado como Portugal, que criou e permitiu uma boa regulação, que é justa para todos, consegue abrir-se para diferentes operadores, porque cria um ambiente seguro. Do nosso ponto de vista, quando vemos competição isso significa que o ambiente é seguro e que permite que haja negócio. Isso é um bom sinal, um sinal positivo para o mercado português. Temos outro país nesta região do sul da Europa que tem uma situação semelhante à portuguesa e que é a Croácia.

Centro de Excelência já criou 400 empregos

A Uber escolheu Lisboa para localizar o novo Centro de Excelência para a
Europa, em outubro de 2017. É a partir deste centro que é prestado apoio às operações da empresa na Europa, em países como Espanha, França e Portugal. Também é aqui que são concebidas, testadas e lançadas inovações. O Centro de Excelências já criou 400 empregos diretos e serve igualmente utilizadores, motoristas e restaurantes da Uber Eats. Até ao final de 2019 a Uber pretende contratar mais 200 pessoas.

Dito isto, como podemos ser diferentes em relação à concorrência? Duas coisas sobre isso — a primeira tem a ver com uma coisa que dizemos aqui em Espanha: “No futuro, cabemos todos”. E isto é muito importante para nós, manter esta ideia nas nossas cabeças. Porque sei que toda a gente diz que a competição é bem-vinda, que é saudável. Todas as empresas dizem isso. Mas no nosso caso é mesmo um facto: uma boa dose de competição é saudável porque significa que nos educa a ter uma boa oferta, um bom marketplace, educa as cidades e a mudança de mentalidade que é precisa para trocar os carros privados por outras modalidades. Isto tudo junto constrói um ecossistema e isto para nós é positivo.

"Temos uma quantidade incrível de dados. Temos dados sobre o trânsito, sobre utilização, sobre qualquer aspeto da mobilidade e isso é muito importante, porque significa que podemos ter cada vez mais e mais produtos eficientes e também que podemos cooperar com as autarquias locais, o que é interessante."

Além disso, se olhares para as viagens de carro à volta da Europa, penso que a percentagem de viagens em carros não privados representa cerca de 1%, ou seja, estamos apenas apenas a arranhar a superfície. E é por isto que digo que no futuro cabemos todos. Estamos apenas a arranhar a superfície e todos estes operadores, incluindo a Uber, educam o público e os carros privados começam a descer de forma significativa. E isto permite que muitos operadores atuem. Dito isto, é óbvio que este é o nosso negócio e há duas coisas que caracterizam a Uber. Uma delas é a escala — estamos presentes em 700 cidades, em 63 países, com pelo menos um produto de carros e isso ajuda muito. Significa que temos capacidade para investir em tecnologia e inovação e que estamos a fazer isso de várias formas à volta do mundo.

Em segundo lugar, isto também significa que temos uma quantidade incrível de dados. Temos dados sobre o trânsito, sobre utilização, sobre qualquer aspeto da mobilidade e isso é muito importante, porque significa que podemos ter cada vez mais e mais produtos eficientes e também que podemos cooperar com as autarquias locais, o que é interessante. Nalgumas partes do mundo, temos aquilo a que chamamos Movements: é um produto da Uber que, basicamente, são dados. É um painel de dados agregados que podemos recolher das cidades onde estamos e que podemos deixar à disposição da administração pública. E com isto podemos trabalhar para melhorar o trânsito, congestionamentos públicos e por aí fora. Tudo isto só é possível porque temos escala.

O outro elemento diferenciador é o facto de sermos uma plataforma: temos todos estes produtos, que são diferentes. Tal como estava a dizer, em cada mercado e cidade vais ter produtos diferentes que dependem de como a cidade se parece e de quais são os estudos de caso, os desafios locais e por aí fora. E o facto de termos tantos produtos de carros diferentes, termos a Uber Eats, a oferta de micromobilidade, as Jump, carros autónomos, na Croácia temos até Uber Boats… Temos as carrinhas, algumas ativas em Portugal. Por isso, temos a capacidade de oferecer estes produtos e de os levar àquelas que são as necessidades locais. Acho que no longo prazo, vamos ser um operador diferenciado.

A Uber Eats chegou a Portugal em novembro de 2017 e tem de momento mais de 2 mil restaurantes parceiros

Uber lança promoções para o aniversário

Para comemorar os cinco anos de atividade em Portugal, a empresa lança várias promoções para esta quinta-feira:

  • Quem fizer uma viagem pela Uber entre 4 e 15 de julho pode ganhar 6.500 euros em créditos que podem ser aplicados em viagens Uber durante 5 anos;
  • Utilizadores podem andar nas bicicletas Jump gratuitamente todo o dia;
  • Taxa dos pedidos Uber Eats é gratuita entre as 19h e as 23h;
  • Motoristas que viajam desde 2014 vão receber créditos.

Há algo que os vossos concorrentes têm feito desde o início e que a Uber não costuma fazer: promoções. A concorrência pode fazer com que isso mude?
Temos uma obrigação para com todas os players que fazem parte da Uber: as nossas empresas parceiras, os motoristas, as câmaras municipais, os nossos acionistas. Temos uma obrigação para com todos estes agentes, para asseguramos que construímos um negócio sustentável e as decisões que tomamos, em termos de Marketing e serviços, têm de ir nesse sentido.

Em relação às condições de trabalho dos motoristas, vão mudar alguma coisa? Vão continuar a cobrar uma comissão de 25%?
Por enquanto, não temos planos para mudar essa comissão. E isso vai ao encontro do que estava a dizer antes — da obrigação de construirmos um negócio sustentável. Por isso, não temos planos de momento para mudar isso.

Substituição de Rui Bento: “A fasquia está elevada e prefiro esperar até ter a pessoa certa”

Rui Bento já deixou a liderança da Uber em Portugal há muito tempo e, neste momento, não temos ninguém a ocupar o seu lugar. Como é que está este processo de substituição? 
O Rui é um homem muito talentoso e, por isso, a fasquia está elevada. A fasquia é o Rui e outras pessoas que temos noutros países. E, por isso, requer tempo. A resposta é “sim, estamos à procura”. Estou pessoalmente à procura. Tenho padrões elevados, a Uber tem padrões elevados e num país como Portugal, onde o trabalho local está a ser feito, precisamos agora de construir parcerias ainda mais fortes e assegurar que o país se mantém um ícone de inovação e este é um trabalho de luta, não é assim tão óbvio encontrar alguém que tenha as competências certas para alcançar essa melhoria geral e levar Portugal neste sentido. Por isso, a procura ainda está a decorrer, a fasquia está elevada e prefiro esperar mais seis meses ou o tempo que for preciso para ter a pessoa certa. Tenho o luxo de poder fazer isto porque tenho colegas extremamente talentosos no terreno e aqui, em Madrid, onde damos apoio em diversos setores a Portugal e a outros mercados. O talento que está aqui é incrível.

Rui Bento liderou a Uber em Portugal desde a entrada no mercado, em 2014, até setembro de 2018

É uma mulher executiva numa empresa que foi notícia pela forma como tratava as mulheres. Porque é que se juntou à Uber?
Juntei-me à Uber por dois motivos: um deles foi pessoal e o outro teve a ver com o conteúdo do trabalho que vim fazer. A um nível mais pessoal, tenho de dizer que quando a Uber me contactou não estava à procura de um trabalho. Tinha deixado o meu emprego numa empresa em 2017 e estava a dedicar-me a melhorar o ecossistema digital de Itália. Era isso que queria fazer. Estava a trabalhar com startups, investidores e sentia que tinha uma missão.

Depois, a Uber entrou em contacto comigo e comecei o processo com alguma curiosidade. Demorou muito tempo, teve muitos obstáculos. E por isso, durante esses meses, o meu envolvimento pessoal cresceu muito. Fiquei impressionada. Impressionei-me com a forma como estas pessoas levam isto como se fosse uma missão pessoal. Porque, tudo bem, é a narrativa da empresa, é a sua missão, e quando olhas do lado de fora parece-te uma boa narrativa, mas depois tocas-lhe. Quando as pessoas falam contigo, podes ver que estão absolutamente motivadas por várias coisas, que variam consoante a pessoa com quem estás a conversar. Nalguns casos, a conversa é sobre como tornar as cidades menos poluentes, noutros trata-se de ajudar as pessoas a encontrar alternativas e oportunidades de trabalho se não conseguirem ter um emprego permanente seja porque motivo for. Todas as pessoas têm um fator de motivação ligeiramente diferente, todos têm uma missão. E depois vês o quanto eles trabalham e todos os desafios que enfrentam e todos os altos e baixos que acontecem nesta montanha-russa diária e percebes que precisam disto. Que isto é que os guia. E isto foi muito poderoso para mim.

Acredito no poder de ter um propósito e uma missão que é poderosa. Do ponto de vista do negócio, esta região [sul da Europa] que é tão bonita também é uma confusão. Estou a falar das diferenças entre todos os mercados e da forma como tens de mudar mentalmente de um desafio para outro, constantemente. Às vezes é desafiante, mas é muito entusiasmante. Gosto muito desta diversidade intelectual, que é um estímulo e um desafio.

"Portugal é fantástico para nós e tudo o que alcançámos... Mas agora queremos levar Portugal ao próximo nível e isso também é um desafio. Porque quando tens um diálogo aberto e regulações que são justas, e que são avançadas, como é que levas isso ao próximo nível?"

Mas é uma mulher executiva numa empresa como a Uber. Quais sãos os desafios que enfrenta?
Bom, o que é interessante é que nenhum dos meus desafios tem a ver com o meu género. Isso é a primeira coisa: sou engenheira mecânica e tive sempre alguma coisa a ver com motores, motos ou carros. Tive sempre tudo isto presente na minha vida. Como engenheira mecânica, estive sempre rodeada de homens. Também trabalhei na indústria dos jogos de azar, que é um ambiente inteiramente masculino. Trabalhei numa fábrica, por isso estou habituada a estar rodeada de homens e de ter de ultrapassar muitos preconceitos. Estou habituada a ter de lidar com o facto de ser mulher num ambiente de trabalho destes.

Surpreendentemente — e agora entendo porque é que não é assim tão surpreendente, mas no início foi –, isto não foi sequer um fator. No que faço todos os dias, ser uma mulher não é sequer um fator. E acho que isso se deve apenas ao facto de a Uber ser uma empresa que investiu fortemente nisto depois dos escândalos que referimos. Investiu fortemente na mentalidade, mas também em coisas muito práticas, como agora, atrás de mim, há cerca de 20 mulheres. A diversidade não é um fator.

Os meus desafios têm a ver com o que referi antes: cooperar com estas realidades que são muito, muito diferentes, com diferentes níveis de maturidade na região. Acho que o mercado mais duro é o do meu país natal, a Itália, é onde as regulações e o diálogo com as autoridades está muito menos avançado do que noutros mercados. Em Espanha também é duro. Portugal é fantástico para nós e tudo o que alcançámos… Mas agora queremos levar Portugal ao próximo nível e isso também é um desafio, não é? Porque quando tens um diálogo aberto e regulações que são justas, e que são avançadas, como é que levas isso ao próximo nível?

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: apimentel@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)