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Na Europa, como em Lisboa, Cristas quer provar que "não há impossíveis" (mesmo que seja só para inglês ver)

A dois dias do fim, CDS mostra força numa mega-arruada em Lisboa para "inglês ver". Melo ataca "deplorável" BE (e poupa PCP), e garante que defender polícias "não é de extrema-direita".

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(artigo em atualização ao longo do dia)

Cristas em mega-arruada em Lisboa para provar que “não há impossíveis” (e para inglês ver)

A imagem é boa para a televisão (e Nuno Melo admite-o), mas não tão boa para as centenas de turistas que esta tarde estavam na rua Augusta, em plena baixa de Lisboa, sem perceber bem o que se passava. A dois dias do fim da campanha eleitoral, o CDS foi finalmente mostrar força na cidade que se tornou o bastião simbólico de Assunção Cristas. O CDS Lisboa contratou a banda — os Fanfarra Bandalheira, que também já tinham animado arruadas na campanha de Cristas para as autárquicas –, os organizadores da campanha distribuíram bandeiras, os jotas fizeram o seu criativo papel, e Nuno Melo e Assunção Cristas fizeram o resto: estava montado o cenário perfeito de mobilização partidária, para transmitir a mensagem que o CDS queria passar: se em Lisboa não houve “impossíveis”, na Europa e nas legislativas também não vai haver.

Provámos em Lisboa que não havia impossíveis. Todos achavam que havia, nós provámos que não havia. Eu continuo a acreditar que não há impossíveis, nas europeias e nas legislativas”, afirmou Assunção Cristas no meio da baixa lisboeta, sublinhando que a ambição “não tem limites” e que o CDS não se contenta com “poucochinho”. Assunção Cristas conseguiu, nas autárquicas de 2017, o feito de ser a segunda força mais votada em Lisboa, e foi esse trunfo que a campanha de Nuno Melo jogou hoje. Se se consegue em Lisboa, não custa acreditar que também se consegue este domingo e, sobretudo, que também se vai conseguir nas legislativas. É essa a ideia.

De bandeira nacional em riste, o conservador Nuno Melo destribuiu selfies e folhetos (muitos deles estrangeiros), com Assunção Cristas ao lado a chamar a atenção dos poucos portugueses que por ali passavam. Em plena rua Augusta, a verdade é que eram mais os turistas do que os cidadãos eleitores, mas até para isso havia uma narrativa pensada. “Estamos na rua mais europeia de Portugal, e esta é uma ação de campanha cheia de simbolismo”, disse Nuno Melo justificando que foi no governo do PSD/CDS, com Adolfo Mesquita Nunes como secretário de Estado do Turismo (que também lá estava na rua Augusta), que se deu o “boom” do turismo em Lisboa. Lisboa é por isso uma cidade “aberta, cosmopolita”, que simboliza tudo aquilo que o CDS quer para a Europa.

Por isso, o CDS, que tem feito gala de fazer uma campanha de proximidade, porta a porta, não se importa que o número mediático da rua Augusta cheia de bandeiras, de gente, e de música atinja mais turistas do que lisboetas. É que a comunicação social faz o resto: “o contacto com os portugueses é depois através da televisão e da rádio”, admitiu o próprio candidato.

Quanto a Cristas, está como esteve na campanha autárquica de 2017: em casa. E quer ouvir, no domingo, a música “We are the champions”, êxito dos Queen, banda sonora que usou enquanto candidata à câmara de Lisboa. Para o CDS, era bom que a história, neste caso, se repetisse.

Um abraço ao Aliança, que pode roubar votos ao CDS

O primeiro encontro da manhã estava marcado para as 10h30, na praça da fruta das Caldas da Rainha, e quando a caravana azul e branca lá chegou deparou-se com a presença de outras bandeiras (curiosamente também azuis e brancas, mas num tom mais claro). Era um pequeno grupo da campanha do Aliança, com o candidato Paulo Sande a liderar as tropas. Primeiro, a ordem foi seguir viagem, uns para o lado, entre nêsperas e kiwis, e outros para outro, entre morangos e hortelã. O encontro, contudo, seria inevitável.

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E o abraço também. Um por um, todos os membros da lista do CDS, de Nuno Melo a Pedro Mota Soares passando por Raquel Vaz Pinto e até pela deputada Ana Rita Bessa, abraçaram calorosamente o cabeça-de-lista do partido de Pedro Santana Lopes, que disputa o mesmo espaço político da “direita democrática” do CDS. Concorrência à parte, os abraços serviram para perguntar como estava de saúde, e como estava Santana Lopes, visto que ambos sofreram na semana passada um acidente de viação. De resto, os desejos de “boa campanha” foram mútuos e cordiais. “Não nos preocupamos um dia com o que os outros partidos estão a fazer, e isso vale para todos, do PS ao partido mais pequeno do boletim de voto”, diria depois Nuno Melo aos jornalistas.

Nuno Melo acirra sentimento anti-BE. “O Bloco de Esquerda é tudo o que mais deploro na política”

A quatro dias das eleições, o CDS está confiante e Nuno Melo não se cansa de dizer que o CDS “pode muito bem ser a surpresa da noite”. Mas para ser a surpresa da noite, o CDS tem de ficar à frente do Bloco de Esquerda e do PCP, já que tem sido essa a fasquia de Nuno Melo. Por isso, a ordem continua a ser atacar estes dois partidos — sobretudo o Bloco de Esquerda. O PCP, admitiu esta quarta-feira Nuno Melo, é mais “coerente” no que defende, enquanto o Bloco de Esquerda “defende tudo e o seu contrário”. “O Bloco de Esquerda é a expressão do que eu mais deploro na política”, disse, referindo-se à “forma leviana com que se diz uma coisa e o seu contrário na expectativa de enganar toda a gente”.

Fora vários os casos levantados por Nuno Melo para atacar os bloquistas (já ontem à noite, no jantar em Cascais, tinha ensaiado este tiro ao alvo): primeiro, o caso Robles, onde o então vereador da câmara de Lisboa se dizia defensor da habitação urbana no combate à gentrificação, e depois viria a ser envolvido numa polémica de especulação imobiliária numa casa de família; depois, Catarina Martins por, segundo os centristas, ter defendido a saída do euro em declarações de 2017, e agora Marisa Matias — “com uma cara seráfica a fingir sentido de Estado” — dizer que o BE nunca o defendeu; e, por fim, o caso Francisco Louçã, que simboliza “a revisita ao PREC, às nacionalizações, à Reforma Agrária” e que, depois de “provar o poder, numa extrema-esquerda que é chique e é caviar, acabou conselheiro do Banco de Portugal”.

“Isto diz tudo. É extraordinário crescer na política a combater o capital e depois ser-se entronizado na sua defesa”, numa instituição que é a “caracterização máxima desse capital”, o Banco de Portugal, disse ainda Nuno Melo.

Na terça-feira, em Braga, a coordenadora do BE, Catarina Martins, tinha sublinhado a participação de Paulo Portas na campanha do CDS com uma referência implícita à investigação da compra dos submarinos, decidida quando o ex-líder era ministro da Defesa: “Paulo Portas emerge também esta noite [terça-feira], qual submarino, do seu mundo de negócios. Fez uma pausa da Mota Engil para aparecer na campanha do CDS”, disse a coordenadora bloquista, numa referência que Nuno Melo considerou uma “alarvidade”, por “trazer uma suspeição miserável sobre quem nunca sequer foi constituído arguido fosse do que fosse”.

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Dia dedicado aos polícias. “Isso não é ser de extrema-direita, é ter decência”

Basta olhar para as sondagens que são feitas, como as que foram compiladas pelo Politico, para perceber que no topo da preocupação dos eleitores portugueses a nível europeu está, não a imigração, não a situação económico-financeira do país, nem sequer já o desemprego, mas sim o terrorismo. Uma realidade que tem vindo a mudar desde 2016, já que, em 2014, por exemplo, quando se realizaram as últimas eleições europeias, era o desemprego e as contas públicas o que mais preocupava os portugueses (o terrorismo aparecia no fundo da tabela, em décima posição). Foi talvez com base nisso que o CDS escolheu para esta quarta-feira o tema da “segurança” e da “defesa dos polícias”. Sem medo de, com isso, ser conotado de partido de extrema-direita.

“Nós dizemos o que qualquer político com moderação e decência tem de dizer. Não vamos deixar de falar das forças de segurança e das dificuldades que as polícias têm por corrermos o risco de entrar no discurso ficcionado de que isso é sermos de extrema-direita”, disse Nuno Melo aos jornalistas, fazendo-se valer do seu trabalho de dez anos no Parlamento Europeu na comissão de liberdades cívicas, onde os temas da segurança e terrorismo à escala europeia são tratados.

Para Nuno Melo, o CDS diz o que sempre disse, sem “medo”: “Um país só é verdadeiramente soberano se souber assegurar a liberdade e a segurança do seu povo”, disse aos jornalistas à margem de uma visita à feira das Caldas, lembrando que no Parlamento Europeu o PCP e o BE votam sistematicamente contra o reforço das condições de segurança e o intercâmbio de informações entre autoridades dos vários Estados-membros. E isso é o equivalente ao Bloco de Esquerda apelidar, como fez a propósito dos incidentes no bairro da Jamaica, a polícia de “bosta da bófia”. “As polícias não existem para ser apoucadas, e dizer isto não é ser de extrema-direita, é ter decência”, acrescentou.

Questionado sobre se dizer isso não era, pelo menos, adotar um discurso alarmista, tendo em conta que Portugal aparece sempre no topo dos rankings no que à segurança diz respeito, o candidato do CDS limitou-se a dizer que isso se deve precisamente às forças de segurança portuguesa e, como tal, o Governo e os partidos que o apoiam deviam “estar gratos por isso”, em vez de “apoucar” essas mesmas forças de segurança. O tema veio para ficar e, saindo do distrito de Leiria, a caravana centrista segue para Lisboa, onde vai ter uma reunião com o comando da divisão da PSP de Sintra.

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