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André Ventura fez um discurso mais curto do que o habitual

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

André Ventura fez um discurso mais curto do que o habitual

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Convenção do Chega. Ventura quer ser grande, já sofre dores de crescimento e diz que partidos têm medo de ir a votos /premium

Ventura continua subir a fasquia e já fala em ganhar as eleições legislativas. Admite que a comunicação entre estruturas não é a melhor e, por isso, vai criar o cargo de secretário-geral.

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Artigo em atualização ao longo do dia

Ao segundo discurso do primeiro dia de Convenção, André Ventura subiu ainda mais a fasquia. Apontou para a cadeira de presidente para reiterar que “coligações nem vê-las” e que prefere “esperar para ser governo em Portugal do que ser muleta de um partido do sistema”. E explica que não tem pressa, aproveitando para uma farpa ao CDS: “Meu deus, se tenho tempo. Não sou tão novo como o Chicão, mas tenho tempo“. Disse ainda que os partidos à esquerda se entendem com o PS “não por serem amigos”, mas “porque têm medo de ir a eleições“. Já a falar para dentro do partido, Ventura admitiu que precisa de “melhorar a comunicação interna” e que por isso vai criar o cargo de “secretário-geral” e “secretário-geral adjunto”.

O presidente do Chega prometeu que a nova direção, que será votada amanhã, será “mais jovem e, nalguns casos, algo mais feminina”. Sobre a dinâmica do partido, o presidente do Chega disse ainda que foi mal interpretado quando disse que o partido “é uma religião” e justificou: “Se nos querem chamar uma religião, que seja a religião dos portugueses comuns, que é isso que eu acredito profundamente.”

Sobre as presidenciais, Ventura respondeu a Ana Gomes, quando esta disse que tinha “muito orgulho de ser a candidata de todos os ciganos”. O líder do Chega aproveitou para fazer uma dicotomia crítica da comunidade: “Eu sou o candidato de todos os portugueses que trabalham e pagam impostos“. Disse ainda que levaria Marcelo, o “mister selfies“, à segunda volta.

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Ao comentar a manifestação do dia anterior, André Ventura chamou os antifas de “meninos de coro” e comentou o facto de terem cravos: “Os cravos têm 46 anos, mas a bandeira de Portugal tem oito séculos e é essa a nossa bandeira”. Num final em que se entusiasmou, o deputado do Chega disse ainda que o grande momento da história de Portugal não seria “o 25 de Abril, nem os descobrimentos”, mas sim o dia em que partido que lidera “ganhar as eleições legislativas”.

André Ventura acabou o discurso aos gritos e com entusiasmo. Foi de tal forma intenso e o calor no palco era tanto que quase ficou sem forças. Após terminar o discurso, ainda tentou recuperar no seu lugar,na mesa que está no palco, bebeu água, mas teve de ser acompanhado até ao carro, onde esteve uns minutos a recuperar antes de abandonar o local onde se realiza a convenção.

O primeiro discurso do dia. A fasquia começou a subir logo de manhã

Se o segundo discurso de André Ventura foi intenso, o de manhã foi mais calmo.  André Ventura chegou com uma hora de atraso, mas o palco estava à sua espera, numa tenda gigante na Quinta Nova do Degebe, em Évora.  Na plateia, eram centenas os delegados, quase todos de máscara, mas sem respeitar o distanciamento físico em tempo de pandemia. Na abertura da II Convenção do Chega, André Ventura foi subindo a fasquia, dizendo logo estava pronto para ganhar na segunda volta a Marcelo. Começou por dizer que queria ficar em terceiro nas legislativas, mas logo acrescentou que queria ser também a terceira força autárquica em Portugal. Deixou ainda claro que não ia quer ir para o Governo com Rui Rio e conseguiu o momento mais apoteótico desta abertura quando atacou o Bloco de Esquerda.

O presidente do Chega vincou que nunca se irá “vergar ao sistema” e que não nasceu para “fazer fretes a nenhum partido, nem ao PSD nem a nenhum“. Tal como já tinha feito na rentrée do Chega no Algarve, Ventura reiterou que não nasceu para “negociações de lugares” e que, se se afastasse da sua “linha” — condição de Rui Rio para aceitar coligar-se com o Chega — até podia “ganhar o governo”, mas acabaria por “perder o povo de Portugal”.

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André Ventura destacou que o Chega passou de partido criticado por todos a “partido com quem todos se querem coligar”. E que, por isso, passou de “partido que muitos achavam que não podia fazer a diferença a único partido que faz a diferença em Portugal” e de “partido que muitos diziam que não deviam ser legalizado, aquele que todos temem.”

O líder do Chega prometeu “dar tudo” o que tem “para ficar em segundo lugar nas Presidenciais de janeiro” e também “dar tudo” para que nas próximas eleições ficar em terceiro “e remeter o Bloco de Esquerda para o lugar que deve ter“. Foi aí que os delegados se levantaram e gritaram no momento mais apoteótico: “Ventura, Ventura, Ventura.” Dizia ainda, definindo uma meta para o mandato, que tem a “ambição de querer a segunda volta nas Presidenciais e ficar em terceiro nas legislativas e ser a grande surpresa nas eleições autárquicas do próximo ano”.

Mas minutos depois a fasquia subiria. Ventura não dizia só estar em condições de ser o “partido mais votado” do país e disse que queria ler no ecrã gigante da próxima Convenção, como epíteto do Chega, a indicação de que é o “terceiro partido com mais câmaras e mais presidências de junta” e acrescentou que tudo fará para em “janeiro derrotar Marcelo Rebelo de Sousa na segunda volta das Presidenciais.”

Na dramatização do discurso, Ventura voltou a dizer que está disposto a “dar a vida por isto”, queixando-se  da “difamação permanente em todo o lado” e de ataques “repteis”. E acrescentou: “Quanto mais nos atacam, mais força temos.”

Mais aberto para escolher estruturas locais mas mais controlador da Juventude

André Ventura sentou-se, mas levantou-se logo a seguir para apresentar rapidamente a sua proposta de alteração aos estatutos do partido. A primeira passa pela extensão em um ano do mandato para os órgãos de direção do partido, ou seja, de três para quatro anos de forma a que “os órgãos sejam responsabilizados pelo ciclo eleitoral e não a meio”.

Além disso, o presidente do Chega quer também que as secções concelhias do partido (estrutura local dos partidos) sejam eleitas diretamente pelas bases em vez de serem nomeadas pelas comissões políticas distritais. “Isto vai implicar com toda a nossa política autárquica”, diz Ventura a preparar o partido para o combate eleitoral que segue o das presidenciais e a dar poder aos delegados na Convenção para escolherem os representantes concelhios do partido.

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Já na Juventude do Chega, Ventura quer “evitar a multiplicação de estruturas desestabilizadoras”, por isso quer um maior controlo. Na proposta de alteração estatutária prevê que “não sejam eleitas diretamente, mas pela direção nacional” e, assim, garantir que as Juventude está aqui para nos ajudar”, argumentou.

A última proposta é a consagração de eleições diretas (aberta a todos os militantes e não uma escolha exclusiva dos delegados da Convenção) no Chega — como aconteceu no último fim de semana, com o líder a ser reeleito por mais de 99%. “Com esta alteração penso que estamos no caminho dos partidos mais evoluídos da Europa, sem medo de eleições, de escrutínio e sem medo de pedir ao partido inteiro que escolha o seu presidente”.

Dores de crescimento do Chega do “pai de abutres” aos “fofinhos de Leiria”

O Chega está a crescer e, com ele, vêm as dores de crescimento: a guerrilha interna. O antigo cabeça de lista do Chega por Leiria, vice-presidente da distrital de Leiria, Luís Paulo Fernandes, apresentou uma moção de censura dirigida a André Ventura e à presidente da distrital, Ana Ferrinho. O antigo deputado municipal de Pedrógão Grande foi apupado quando fez críticas à direção e disse ser “lamentável” não ter conseguido saber quais os procedimentos necessários para ser delegado na Convenção. Queixou-se ainda de ser preciso ter gritado para conseguir entrar no último Conselho Nacional do partido.

Acabou por ser aplaudido por alguns na sala. Na moção é ainda pedida a retirada de confiança política de dois militantes. Num deles, uma das razões apresentadas é a “conduta imprópria nas redes sociais”, com Luís Paulo Fernandes a queixar-se de ser atacado nas redes sociais em páginas como o “Pai de Abutres” ou perfis falsos do Facebook como “Fofinhos de Leiria”.

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Pouco depois, a presidente da distrital de Leiria, Ana Ferrinho, respondeu também com uma moção de censura, mas ao Conselho de Jurisdição Nacional. A também militante nº62 do Chega, disse que a lista concorrente à sua estava ilegal e atacou a “postura prepotente e promíscua do Conselho de Jurisdição, que não dá resposta e que não permite recorrer de decisões e posturas de claro favorecimento a amigos e desfavorecimento a não amigos, notório, ofensivo e lesivo a várias direcções distritais de norte a sul do país”. Além disso, propôs ainda “um órgão ou mecanismo interno do partido para recurso das decisões do Conselho de Jurisdição Nacional, para que estas não sejam imediatamente soberanas ou apenas recorríveis para fora do partido (Tribunal Constitucional)”.

Houve assobios e aplausos, o que levou o presidente da Mesa da Convenção, Luís Filipe Graça, a fazer o aviso perante a entrada iminente em diretos televisivos: “Vamos entrar em direto, por isso peço aos delegados que tenham o comportamento que a Convenção exige“.

Um dos delegados, antes de apresentar a moção, também tentou apaziguar o conflito interno enaltecendo um inimigo externo: “Pensava que os nossos inimigos estavam lá fora, na Praça do Giraldo ontem. Enjaulados atrás das grades está bem, que é o sítio onde devem estar”. Disse ainda que a manifestação de ontem lhe parecia “o muro de Berlim, os comunistas do lado de lá a quererem passar para o lado de cá e nós do lado de cá, que não queremos nada passar para o lado de lá“.

A apresentação de moções começou antes do almoço e vai estender-se durante a tarde. Além de moções de censura a órgãos dirigentes também há documentos que apontam a problemas identificados pelos delegados. Exemplo disso é uma moção, já apresentada por Filipe Carvalho.

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