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Vi as duas primeiras temporadas de "Stranger Things" e digo-vos: aquele monstro precisa de amigos /premium

Já está disponível na Netflix a terceira temporada de uma das séries mais populares dos últimos anos. Hugo van der Ding viu as duas primeiras. Teve medo, mas faz o resumo do que importa recapitular.

    Índice

Está aí a terceira temporada da série “Stranger Things”, que em Portugal poder-se-ia chamar, mas não chama, Ai Credo, Que Coisas Tão Estranhas. Porque é mesmo de coisas estranhíssimas que é feita esta série cuja primeira temporada estreou em 2016 e que teve a segunda temporada em 2017.

Desde logo, o grande trunfo de Ai Credo, Que Coisas Tão Estranhas é o sentimento coletivo de nostalgia por essa época mítica a que chamamos Os Anos Oitenta. Ou seja, o grande trunfo da série é o facto de a humanidade não ter nada na cabeça. Com tanta década tão bonita, quem é que quer saber dos anos 80 para alguma coisa? A década dos enchumaços, caraças? E das permanentes? E dos A-ha? E da bota-botilde? Tenham juízo!

Ainda por cima, ao contrário da América, em Portugal a nostalgia dos anos 80 centra-se sobretudo nas greves gerais, no desemprego, na elevada taxa de analfabetismo, na falta de autoestradas, em não haver cereais de pequeno-almoço, na Coca-Cola ter chegado há dez anos, em faltar a luz de dois em dois dias, em ter de se falar com uma telefonista para se ligar para outra cidade ou em só haver dois canais de televisão, sendo que um deles começava às cinco da tarde e acabava às nove da noite.

Mas, por outro lado, fumava-se em todo o lado. Incluindo na televisão. Não era tudo mau.

A ação de Ai Credo, Que Coisas Tão Estranhas passa-se na cidade de Hawkins, no Indiana. A primeira temporada em 1983 e a segunda em 1984. Um ano de diferença, portanto, para quem é de letras.

O tom da coisa é nostálgico, como já disse, assim a fazer lembrar o E.T. (1982).

E não é por acaso: toda a série é inspirada/presta homenagem aos universos de Spielberg, Carpenter, Stephen King, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, entre outros.

[o trailer da terceira temporada de “Stranger Things”:]

Ao contrário das novelas brasileiras, ou, digamos, de um “Downton Abbey”, se é disso que estão à espera, desenganem-se, aqui não há ricos nem pobres, é tudo mais ou menos remediado. Ou seja, toda a gente usa aquelas roupas que hoje em dia nos mortificam de vergonha quando encontramos fotografias da época, e nos fazem exclamar: “Graças a Deus que ainda não havia Facebook”. Os cabelos não são melhores, bem antes pelo contrário. As casas, por outro lado, acabam por ser bastante atuais, com esta moda de andar toda a gente a comprar por mil e quinhentos euros os sofás e as mesinhas de cabeceira das avós, depois de as terem mandado para o lixo nos anos 90, quando as referidas senhoras foram desta para melhor.

Bom, mas isso não interessa nada. Vamos à história, para benefício de quem viu e já não se lembra, ou de quem nunca viu mas quer ficar a par, para poder acompanhar a terceira temporada.

Em Portugal jogariam à macaca

Na cidade rural de Hawkins, tinha sido instalado um laboratório do Departamento de Energia. A coisa dá para o torto e um dos cientistas é atacado por um bicho medonho (que não se vê). Fica aqui o aviso para o Porto, que anda mortinho por ter lá a Agência Europeia do Medicamento, que estas coisas às vezes dão chatice.

Nessa mesma noite, ao regressar de bicicleta da casa de uns amigos depois uma jogatana de Dungeons & Dragons — que é um jogo de que aqueles miúdos que geralmente usam os óculos com as lentes mais grossas gostam muito —, o pequeno Will Byers (Noah Schnapp), de doze anos, dá de caras com o bicho medonho e esfuma-se, deixando para trás a bicicleta. Ou porque o bicho não a viu, ou por não ligou.

Se isto se tivesse passado em Portugal, teriam estado a jogar à macaca, ou, assim mais em maroto, ao bate-pé. Mas não, isto passa-se tudo na América.

A cidade fica, como calculam, em polvorosa, com toda a gente a perguntar-se onde raio estará o miúdo. Voltando a fazer o paralelismo com Portugal, sente-se a falta de duas velhas à janela, ajeitando o casaco de malha e dizendo: “Isto, cá para mim, foi droga…”

Ora vai daí, no dia seguinte, vemos uma miúda de cabelo rapado e com uma bata de hospital, quiçá cansada de esperar nas Urgências, a tentar roubar comida de um daqueles snacks-bares, não sei se é assim o plural, por acaso não muito limpo. Roubar para comer não é crime nenhum, digo eu, e a miúda vê-se que está com fome, coitada. O dono daquilo apanha-a com a mão na massa, mas acaba por ter pena e dá-lhe uma refeição. Bom homem. Foi pena os balázios que levou a seguir. Ai, já me estou a adiantar. O bom homem, dizia eu, chama uma assistente social, que é o que se deve fazer nestes casos, senão aquilo às tantas ainda dá chatice, a gente queremos ser bons e ajudar os outros e depois acabamos nós prejudicados. Que o diga Carlos Santos Silva. Está uma pessoa a emprestar uns milhões de euros a um amigo e ainda tem de prestar contas à justiça por cima. Não há direito.

Em casa da mãe de Will as coisas vão de mal a pior: os cientistas lá do laboratório encontram uma gosma a sair das paredes. Como se não bastasse, a senhora recebe mais uns telefonemas do filho, ouve música a vir do quarto do pequeno e ainda vê uma coisa fantasmagórica a sair das paredes. Isto fez-me imensa pena. Eu é que não dormia mais naquela casa...

Bom, o resultado é que a assistente social e mais uma data de homens armados, que entretanto aparecem, limpam o sebo ao tipo do snack-bar, e tentam levar a miúda, que, graças a Deus, consegue fugir. Mesmo na altura em que chegava a equipa da CMTV. Esta parte sou eu a brincar.

Quem vai dar com a miúda no meio da floresta são os amigos do tal miúdo que desapareceu logo no início, o Will, não sei se ainda estão a acompanhar.

A miúda, fica-se a saber, chama-se Eleven (Millie Bobby Brown), que em português eles traduziram por Onze. E traduziram bem, que é mesmo isso que eleven quer dizer em português. É que isto agora há umas traduções na televisão que uma pessoa até fica de cara à banda. E os miúdos, os tais três amigos do outro, chamam-se Lucas, Mike e Dustin. Como são muitos, não vou pôr os nomes dos atores entre parêntesis. Mas, se quiserem saber, procurem no Google, que está lá tudo.

Desaparecer um filho é seguramente das piores coisas que pode acontecer a uma mãe. Mas, mesmo dando esse desconto, ficamos sem perceber se a mãe de Will, Joyce (Winona Ryder) será boa da cabeça, se estará medicada e, caso esteja, se não andará a tomar os remédios com whisky. É que a coitada se convence de que ouve a voz do filho numas chamadas muito estranhas que anda a receber. Às tantas, o telefone rebenta, e eu próprio fiquei a pensar se a mulher não terá alguma razão e, de facto, não haverá ali coisas estranhas. Que, por acaso, é o nome da série, não é verdade?

Pois os miúdos acabam por levar Onze para a casa de um deles, Mike, e escondem-na na cave. Eu fazia isto com cães abandonados quando era adolescente, até que um dia a minha mãe descobriu tudo e foi um sarilho. Adiante.

A miúda conta ao grupo que há uns tipos muito maus que andam atrás dela. Ora os pequenos pensam logo em avisar os pais, e pensam bem. Mas quem não está pelos ajustes é Onze, que, como também é normal, não confia nada nos adultos. E ficamos também a perceber que a miúda tem poderes, ou então o diabo no corpo, porque faz lá uns truques para que eles não consigam chamar os pais.

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Tem graça, quer dizer não tem graça nenhuma, mas ela, quando está assim a incorporar ou que é, deita sangue do nariz. Também pode ser anemia, isso eles não explicam, mas às vezes dá isso.

Dá-se aqui outra chatice e das grandes, que isto parece que a cidade devia ir toda à bruxa: durante uma daquelas festas de adolescentes — onde estava Nancy, a irmã mais velha de Mike, e Steve, o namorado dela — desaparece uma miúda chamada Barb. Quer dizer, ela é Barbara, mas os miúdos chamavam-na assim, que realmente Barbara não dá jeito nenhum de dizer, que tem imensas sílabas.

Em casa da mãe de Will as coisas vão de mal a pior: os cientistas lá do laboratório encontram uma gosma a sair das paredes. Como se não bastasse, a senhora recebe mais uns telefonemas do filho, ouve música a vir do quarto do pequeno e ainda vê uma coisa fantasmagórica a sair das paredes. Isto fez-me imensa pena. Eu é que não dormia mais naquela casa…

É aqui que a série começa mesmo a descarrilar, no bom sentido.

Vemos Barb, a tal miúda que também tinha desaparecido, dentro da piscina, só que sozinha. Dos amigos nem sinal. Parece que está no mesmo sítio, mas ao mesmo tempo não está, porque a casa está um bocado escavacada, que não estava. Seja como for, quando ela tenta sair da piscina, vem o bicho e arrasta-a para debaixo de água. Já foste, pensei logo eu.

Entretanto, Joyce, a mãe de Will, espalha uma data de luzes de Natal, daquelas que se compram nos chineses, ainda que não se veja onde as comprou, porque parece que o miúdo, onde quer que esteja, as consegue ligar e desligar.

O polícia que está a investigar o desaparecimento do rapaz, Hopper (que tem assim um climazinho com Joyce) vai até ao laboratório e pede ao diretor, o Dr. Brenner, para ver as câmaras de segurança, mas percebe que o que ele lhe mostra é um grande barrete. E vai daí, resolve fazer uma busca ao laboratório. Aparece também uma tipa chamada Terry, que diz que a filha desapareceu, e que foi o tal Dr. Brenner que a levou não sei para onde. Claro que pensei logo, “ah, isto é a outra miúda, de certeza”. E mal eu tinha acabado de pensar isto, dá-se um flashback de Onze, em que se vê ela a chamar pai ao Dr. Brenner (que não lhe responde “vai chamar pai a outro”, por isso deve ser mesmo). E vê-se também o pulha a fechar a miúda numa cela mínima porque a coitada se recusou a fazer mal a um gato lá com os poderes dela. Então é assim que se educa uma criança? Ainda por cima um médico, que tinha obrigação de ser uma pessoa bem-educada! Às vezes parece que quanto mais estudam mais estúpidos ficam, Deus me perdoe!

Os três amigos de Will, Dustin, Mike e Lucas, juntamente com Onze, que parece que são quem tem mais cabeça nesta história toda, chegam à conclusão de que o amigo deve estar preso numa dimensão alternativa, a que Onze chama The Upside World, o Mundo Invertido em português. Fica sempre tudo pior em português, credo. 

Nancy, que anda muito ralada com o desaparecimento da amiga Barb, e a sentir-se um bocado culpada, acaba por encontrar o carro da amiga, e de caminho também vê o bicho na floresta.

Joyce, coitada, continua lá nas coisas dela, mas consegue comunicar com o filho, num código que eles criam com as luzes de Natal. O rapaz diz à mãe que está bem de saúde, obrigado, graças a Deus, mas que corre perigo de vida. Às tantas, diz à mãe para fugir, ao mesmo tempo que um bicho começa a amaranhar pelas paredes para a matar. Não cheguei a ver nenhum episódio depois de fumar erva, mas também deve ser giro.

Entretanto, parece que encontraram o corpo do miúdo numa pedreira. Estragou-me logo a noite.

Mas fiquei mais descansado quando Onze, lá com os poderes dela, garante ao grupo de amigos, que o miúdo ainda está vivo. De facto, lá conseguem entrar em contacto com ele através de um walkie-talkie. Arrepiei-me todo.

The Upside World ou O Mundo Invertido?

Enquanto isso, Joyce vê o corpo na morgue, mas não acredita que é o filho. Quando volta para casa, ouve outra vez o miúdo dentro das paredes. E fica um bocado descompensada, o que é normal, quem é que não ficava? E vai de arrancar o papel de parede. E, por detrás do papel, aparece uma membrana um bocado nojenta. Mas, atrás da membrana, vê o filho. Não vai de modas, pega num machado, e vai de escavacar as paredes. Fica com um open space, tipo aqueles telheiros que têm algumas casas de férias. Mas do filho, nada.

Nancy, ainda à procura da amiga Barb, vê uma criatura numa fotografia que Jonathan — de quem ainda não falei porque me esqueci, e que é o irmão mais velho de Will — tinha tirado ao grupo durante a tal festa na piscina. É uma criatura medonha, com uns braços muito compridos e sem cara. E Jonathan junta dois mais dois, e percebe que é exatamente a criatura que a mãe, Joyce, diz que viu, a amaranhar pelas paredes.

[a história de amor entre Eleven e Mike:]

Nancy resolve finalmente contar à polícia o que sabe do desaparecimento de Barb. Por falar em polícia, Hopper vai ter com o suposto polícia, que era um tipo de fora, que encontrou o corpo de Will na pedreira, e dá-lhe uma tareia daquelas à antiga portuguesa, até o homem confessar que foi pago para inventar aquela história. Mais tarde, na morgue, Hopper percebe que o corpo do miúdo é um boneco. É por isto que é sempre bom fazer-se uma autópsia quando se encontra um corpo. Digo eu, vá.

Quem resolve aparecer é Lonnie, o pai de Will, que manda umas bocas e diz que Joyce não deve é estar boa da cabeça, que aquilo são alucinações. Olha, se era para dar essa ajuda, mais valia não ter vindo…

Os três amigos de Will, Dustin, Mike e Lucas, juntamente com Onze, que parece que são quem tem mais cabeça nesta história toda, chegam à conclusão de que o amigo deve estar preso numa dimensão alternativa, a que Onze chama The Upside World, o Mundo Invertido em português. Fica sempre tudo pior em português, credo.

Hopper, que entretanto vai vasculhar o laboratório, descobre na cave um portal lá para a outra dimensão, mas leva uma marretada nos cornos e quando acorda está outra vez em casa.

Já na escola, os amiguinhos de Will perguntam ao professor de Ciências se existem mesmo outras dimensões. E não é que o professor responde que sim? E explica que há uma maneira qualquer — que eu não percebi porque sou de Humanidades — de passar de uma dimensão para a outra. Depois de terem obtido esta informação, como dizia o outro lá na TVI, os miúdos vão com umas bússolas tentar passar para o lado de lá. Onze lembra-se então de ter sido posta num tanque especial, no laboratório, e de conseguir ouvir telepaticamente um tipo a falar em russo, e que foi enquanto ouvia o tipo que lhe apareceu o bicho medonho. Cheia de medo de que lhe apareça o bicho outra vez, resolve, com os poderes dela, desorientar as bússolas dos miúdos. Só que um deles, Lucas, esperto como um alho, dá por ela e fica piurso. Mike, que está de beicinho por Onze, defende-a e manda vir com Lucas, e pegam-se. Onze faz uns truques para os separar, mas quase manda Lucas para o galheiro. Enquanto Mike e Dustin ficam de roda do amigo desmaiado, Onze pira-se.

Enquanto os miúdos andam à procura de Onze, são encurralados por uns rufias, ou bullies, como se diz agora. Os sacanas apanham Dustin e apontam-lhe uma navalha ao pescoço. E ameaçam matá-lo se Mike não se atirar do precipício da pedreira onde o corpo de Will tinha sido achado. É uma cena do mais dramático que há. Até cuspi vinho tinto. 

Entretanto, na floresta, Nancy e Jonathan encontram um veado ferido, que não sei de onde apareceu. E nisto vem o bicho e agarra no veado. Não, não! O veado foi com o Pai Natal e o palhaço no comboio ao circo! Estou a brincar. Nancy e Jonathan seguem o rasto de sangue e Nancy consegue entrar no Mundo Invertido e vê o bicho a comer o veado, tal como Maria Armanda tinha visto o sapo, só que não estava sentado num guardanapo.

A miúda, coitada, pisa um galho, e o bicho dá por ela. Mas não se aflijam, que Jonathan consegue arrastá-la pelo portal e salva-a. Leva-a a casa, ela diz-lhe que tem medo de ficar sozinha, e pede-lhe para ele ficar com ela. As mulheres são muito matreiras.

Steve, que é o namorado de Nancy, não se esqueçam, vê-os pela janela e convence-se de que eles vão mas é pinar, que foi exatamente o que eu também achei.

No dia seguinte, Nancy e Jonathan resolvem ir matar o monstro. Boa!  Vão os dois comprar umas coisas a uma loja dessas que há na América e que vendem armas automáticas a crianças. Pouco depois, Steve, cheio de dor de corno, arma uma zaragata com Jonathan, que acaba por dar uma pera a um polícia sem querer e é preso.

Enquanto isto vai e não vai, Joyce e Hopper descobrem uma mulher, Terry, que, entretanto, tinha ficado toda apanhadinha de um lado e mal se consegue mexer quanto mais falar. E é a irmã dela, Becky, que conta que Terry participou, sem saber, numas experiências quando estava grávida, e que acham que a filha — que se chamava Jane — foi raptada pelo Dr. Brenner assim que nasceu. Isto hospitais públicos já se sabe…

Ficam todos convencidos de que Jane é, na verdade, Onze. Até eu.

Por falar em Onze, a miúda, escondida num sítio qualquer, lembra-se de que a obrigaram, no laboratório, a contactar o monstro e que foi esse contacto que abriu o portal para o Mundo Invertido. Até aí já eu tinha chegado, e provavelmente vocês também.

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Enquanto os miúdos andam à procura de Onze, são encurralados por uns rufias, ou bullies, como se diz agora. Os sacanas apanham Dustin e apontam-lhe uma navalha ao pescoço. E ameaçam matá-lo se Mike não se atirar do precipício da pedreira onde o corpo de Will tinha sido achado. É uma cena do mais dramático que há. Até cuspi vinho tinto.

Mike, num gesto de arrepiar, para salvar o amigo, atira-se mesmo para a morte. Horror!

Mas, não gritem já! Eis que surge Onze que o apanha telepaticamente em pleno voo. E ainda dá uma coça aos bullies. Como diria um taxista: do que a gente precisava era de uma Onze em cada esquina, para endireitar isto!

Lucas, o outro dos três amigos, que, como se lembram, estava lixado com eles, e até mais que lixado, não posso é escrever aqui, vê um grupo de agentes vindos do laboratório a ir na direção da casa de Mike. Consegue avisá-los, e Mike, Dustin e Onze fogem da casa e fazem as pazes com Lucas. Assim é que é bonito.

Enquanto isso, Joyce e Hopper são chamados à esquadra por causa da pera que Jonathan deu ao polícia. E, quando lá chegam, o rapaz e Nancy contam-lhes do monstro. Pronto! Ficaram varados! Chamam Mike e os amigos e pedem a Onze que os ajude a encontrar Will e Barb. A miúda entra lá nos transes dela e encontra o cadáver de Barb, com uma coisa tipo osga a sair-lhe da boca. Ainda bem que não vi isto durante o jantar, só vos digo.

Com a ajuda de Joyce, Onze também encontra Will, escondido num castelo, que, na dimensão real, é o forte que ele tem no jardim. Engraçado, não é, esta coisa das dimensões? A gente acha que as coisas são uma coisa e depois são outra. Giro…

Max é assim gira, ruiva, e tanto Lucas como Dustin ficam caídos por ela. Mas quem a saca é Lucas. Ainda não tinha referido, porque não sou de ligar a essas coisas, mas Lucas é negro, e já se sabe que once you go black you never go back. 

Joyce e Hopper entram à socapa no laboratório, mas são apanhados pelos guardas.

Por falar em guardas, Nancy e Jonathan escapam da esquadra com umas espingardas e vão atrás do monstro para lhe fazer a folha. No Mundo Invertido, o monstro consegue entrar no castelo onde Will está escondido. Ouve-se a música do “Psycho” do Hitchcock, mas afinal não, é o meu toque de telefone, tenho de mudar aquilo, que apanho sempre um susto de morte, sobretudo à noite.

No laboratório, Hopper diz ao Dr. Brenner onde está Onze, em troca do acesso ao portal. Grande filho da mãe. Mas era com um plano na cabeça, claro. Ele e Joyce entram no Mundo Invertido, salvo seja.

Nancy e Jonathan armadilham a casa de Joyce e depois fazem uns golpes nas mãos para atrair os monstros. Parece um piscar de olhos a McGyver, e se calhar é mesmo.

Steve, o corno, aparece para pedir desculpa a Jonathan pela tareia que lhe deu. Bonito. O monstro ataca e baza antes de fazer disparar as armadilhas. É levado da breca, este monstro! Depois, o monstro ainda volta para trás, calca uma armadilha, mas pira-se para o Mundo Invertido.

Onze e os amigos escondem-se no liceu, que deve ser o último lugar onde os agentes do laboratório se iriam lembrar de procurá-los, que, sem querer ser snob, não têm propriamente ar de quem ligue muito aos estudos. Há aqui uma cena romântica e Mike beija Onze. Com letra grande. Não é Mike beija onze, é Mike beija Onze. É preciso explicar muito bem estas coisas.

Nisto, aparecem os agentes do laboratório, com o Dr. Brenner, para levar a miúda de volta. Mas até parece que não sabem a que porta é que foram bater! Levam uma coça monumental dos poderes da gaiata, e alguns deles chegam mesmo a falecer, mal-empregados. Só que a miúda, com o esforço, também cai para o lado. É o que eu digo, eu tenho para mim que ela não se alimenta como deve ser.

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O monstro mata o médico, bem feita. Onze mata o monstro, mas depois desaparece, coitada, assim no ar.

No Mundo Invertido, Joyce e Hopper encontram Will e trazem-no de volta ao mundo normal. E vai para o hospital, claro. Até deve ter ido com aquelas pulseiras em que se entra logo diretamente para as urgências, digo eu.

Nancy volta para o namorado Steve, mas ficam todos muito amigos de Jonathan. Não façam segundas leituras, que não foi nada disso que eu disse.

Parece que tudo está bem quando acaba bem, mas, só para chatear, Will, sozinho na casa de banho, cospe uma lesma nojenta e tem uma visão do Mundo Invertido. Que chatice…

Depois de 1984 há 1985

Se chegou até aqui, agora já pode dizer que sabe o que é o “Stranger Things”. E torna-se mais fácil explicar o que se passa depois na segunda temporada.

Estamos em 1984, um ano depois da primeira. É fazer as contas, não é?

Logo a abrir, temos um assalto em Pittsburgh, de um gangue de pessoas que a gente não conhece de lado nenhum, mas vemos que uma das raparigas tem uma tatuagem igual à de Onze. Fiquei logo em brasa.

Em Hawkins, os miúdos agora já andam todos juntos, Will, Lucas, Dustin e Mike. Só Onze, como se lembram, é que desapareceu. Acham eles, que a gente fica logo a saber que está escondida em casa de Hopper, que a salvou, mas que tem medo que saibam onde ela anda, por causa dos pulhas do laboratório. A miúda é que não acha grande graça, porque tem saudades de Mike, que também tem muitas saudades dela, e que não faz ideia do que lhe aconteceu. Ela ainda tenta comunicar com ele lá com os poderes, mas nada. É um bocado como o SIRESP, nem sempre funciona. Faz sentido.

Temos duas novas personagens: dois irmãos, Max, que tem nome de rapaz, mas é uma rapariga — já nos anos 80 não se ligava a essas coisas — e Billy, que tem a mania que é bom, e vai logo ficar inimigo de Steve. Max é assim gira, ruiva, e tanto Lucas como Dustin ficam caídos por ela. Mas quem a saca é Lucas. Ainda não tinha referido, porque não sou de ligar a essas coisas, mas Lucas é negro, e já se sabe que once you go black you never go back.

Nancy continua muito chateada por causa da morte de Barb, e sobretudo por não ter contado a ninguém que sabe que a amiga foi para o galheiro morta pelo monstro. E vai daí que fica cheia de vontade de contar, pelo menos, aos pais da amiga. Quem não acha boa ideia é Steve, que lhe diz que ainda arranjam é chatices e põem os agentes — os maus — atrás deles. Mas ela não ficou lá muito convencida.

[o que aconteceu nas temporadas 1 e 2 de “Stranger Things”, pelo elenco da série:]

Will, coitado, parece que está bem, mas não está. Continua cheio de achaques, e tem imensas visões com o Mundo Invertido. Dá pena. Nessas visões, aparece-lhe um bicho enorme, cheio de tentáculos. Joyce, que é a mãe dele, e Hopper, levam-no ao laboratório, que tem um novo diretor, o Dr. Owens. Mas ele também não sabe bem o que aquilo seja. Não se vê, mas deve ter receitado repouso e caldos de galinha.

Entretanto, estamos na altura do Halloween, que é uma tradição que agora também levamos muito em gosto aqui, mas que nos anos 80 só havia na América.

Os miúdos lá andam de porta em porta a chatear as pessoas e a pedir guloseimas. Onze também quer ir brincar ao Halloween, mas Hopper, para protegê-la, não a deixa sair de casa, para ninguém saber onde ela está. A miúda não leva aquilo muito a bem, e parte-lhe a sala toda. A cena é dramática, mas eu ri bastante. Sempre achei muita graça às cenas dos filmes em que alguém se passa e escavaca uma sala. Um dia, hei-de fazer isso à minha, e acho que já faltou mais.

Onze, que, entretanto, já se mostrou aos amigos, toma as rédeas da coisa, que se não for ela também ninguém se chega à frente. E não é pouco o que tem para fazer: dar cabo dos monstros bebés, salvar Will outra vez, e fechar o portal que liga ao Mundo Invertido. Tanta coisa! Só de pensar fica-se logo cansado. Mas a miúda é rija! 

Nisto, dá-se uma coisa estranhíssima, que é uns campos de abóboras que ficam todos podres. Ai, o que é que será isto, pergunta toda a gente. Vai-se a ver e é o monstro, ficamos logo nós a achar.

Nancy e Steve vão a festa de Halloween, mas ela apanha uma grande cadela de poncha e discute com o namorado. Jonathan acaba por levá-la a casa e já estamos mesmo a ver como é que isto vai acabar, não é?

Ao voltar para casa depois de andar a pedir doces às pessoas, Dustin, um dos miúdos, encontra uma espécie de lagarto dentro do caixote do lixo, e leva-o para casa, dando um novo significado à expressão “hás-de mostrar-me o teu caixote do lixo”.

Este bicho vai crescer imenso, e vamos perceber que afinal há mais uma data deles, que são versões bebés do outro monstro mau.

Onze consegue encontrar a mãe, que está toda janada, como já disse, mas comunicam telepaticamente. E ficam a perceber que houve outra criança que fez parte daquela experiência. Que é a tipa do gangue, percebemos logo.

Will tem cada vez mais ataques, e às tantas é possuído pelo bicho. No sentido de possessão demoníaca, claro. Por amor de Deus, o que é que pensaram? Isto são crianças, valha-me Nossa Senhora!

Onze, que, entretanto, já se mostrou aos amigos, toma as rédeas da coisa, que se não for ela também ninguém se chega à frente. E não é pouco o que tem para fazer: dar cabo dos monstros bebés, salvar Will outra vez, e fechar o portal que liga ao Mundo Invertido. Tanta coisa! Só de pensar fica-se logo cansado. Mas a miúda é rija!

[nos bastidores da série:]

E não é que dá mesmo conta do recado? Dá conta dos lagartos, salva Will e fecha o portal. E, quando acaba isto tudo, ainda passa uma esfregona pelo chão, faz duas máquinas de roupa, estende, apanha e passa a ferro. E faz meia dúzia de quiches, de atum, de frango e vegan, para quem gosta.

E acabam todos no jardim, de volta das quiches, a comer e a rir, e a lembrar-se das aventuras que viveram juntos!

Estou a brincar.

Salva Will, sim. Fecha o portal, sim. Uma heroína a sério.

Um mês depois, o laboratório é encerrado, Barb tem finalmente um enterro bonito, tipo os da Servilusa, não é daqueles com meia dúzia de gatos pingados, pelo contrário, vai toda a gente.

Onze é oficialmente adotada por Hopper.

E os miúdos, Mike, Onze, Dustin, Will, Lucas e Max, que são as personagens principais — ainda que, provavelmente, a Winona Ryder ganhe mais do que eles todos juntos, mas também já anda há muitos anos a virar frangos, merece — estão felizes da vida num baile na escola.

Estão, pois estão. Mas não deviam estar. É que, no Mundo Invertido, o grande monstro continua vivo e bem vivo, pairando sobre a escola.

Credo. Só vos digo: credo.

E agora vou ver a terceira temporada, que isto promete.

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