1. O que é a gripe?

  2. Todos os anos ouvimos falar dela, mas sabe mesmo o que é a gripe?

    Para começo, a definição: é uma doença respiratória do foro infecioso causada por um único agente, o vírus influenza, que, ao entrar no organismo pelo nariz, se reproduz e dissemina para a garganta e restantes vias respiratórias.

    Na causa da infeção está, então, este vírus com um alto potencial infecioso que é constituído por uma glicoproteína, a hemaglutinina, e uma enzima, a neuraminidase. Daí ouvirmos falar que o vírus da gripe das aves é H5N1, ou que e a pandemia da gripe de 2009 foi causada pelo vírus H1N1, dependendo de qual a estirpe em circulação.

    Segundo é explicado na página www.gripenet.pt, um projeto conjunto do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) e da Fundação Calouste Gulbenkian para monitorizar a gripe sazonal na Internet, existem três tipos de vírus influenza – A, B e C – muito embora apenas os vírus A e B tenham capacidade para provocar “doença com impacto significativo na saúde humana, sendo os principais causadores das epidemias anuais”.

    De facto, é nesta altura que mais ouvimos falar de gripe, mas a doença pode ocorrer em qualquer mês ou estação do ano, já que o vírus está sempre em circulação. Contudo, é nas estações frias (entre novembro e março no hemisfério norte e entre abril e setembro no hemisfério sul) que o influenza encontra melhores condições para se propagar, já que as pessoas tendem a aglomerar-se em espaços fechados para se protegerem do frio. Segundo o mesmo site, “durante as epidemias de gripe, cerca de 5 a 15% da população é afetada por infeções respiratórias” causadas pelo influenza.

    Como curiosidade: sabe de onde vem o nome influenza?

    A Revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna explica que o batismo do vírus surgiu porque em tempos remotos, quando a ciência ainda não dava respostas aos fenómenos da natureza, se pensava que as epidemias sazonais de gripe apareciam devido à influência dos astros.

  3. Como se transmite a gripe?

  4. A Direção-Geral da Saúde explica na página oficial que a gripe é transmitida através das partículas de saliva da pessoa infetada. O contágio acontece quando, por exemplo, o doente infetado espirra ou tosse para cima de outra pessoa sem se proteger com um lenço descartável ou com o antebraço.

    O contágio também pode acontecer através do contacto direto com partes do corpo ou de superfícies contaminadas, como por exemplo as mãos, as maçanetas das portas, os interruptores, os teclados do computador, enfim no manuseamento dos objetos do quotidiano.

    De reforçar que o vírus influenza é de muito fácil propagação, caso não se tomem as devidas medidas de prevenção.

  5. Quais os principais sintomas da gripe?

  6. Quando uma pessoa é infetada pelo vírus da gripe os primeiros sintomas aparecem, geralmente, dois dias depois, mas pode variar entre um e cinco dias. O período que ocorre entre o momento do contágio e o aparecimento dos sintomas é chamado de período de incubação e já durante essa altura é possível o doente, sem saber, infetar outras pessoas.

    Um dos sintomas mais característicos da infeção é o aparecimento súbito de febre, geralmente alta, igual ou superior a 39 graus, que pode durar até quatro dias.

    O mal-estar geral, as dores musculares por vezes intensas, a fadiga, a exaustão, as dores de cabeça fortes também fazem parte da lista de sintomas que caracterizam a doença.

    Como o vírus afeta essencialmente as vias aéreas superiores – a laringe, a faringe e as fossas nasais – é igualmente comum as pessoas queixarem-se que têm o nariz entupido, de dores de garganta, tosse que, às vezes, gera expetoração e da sensação de “peso no peito”.

    A Direção-Geral da Saúde refere que nas crianças os sintomas dependem da idade e podem ser diferentes das queixas dos adultos. “Nos bebés, a febre e prostração são as manifestações mais comuns”, sendo que os sintomas gastrintestinais – como as náuseas, os vómitos, diarreia – e respiratórios – laringite, bronquiolite – são também frequentes.

  7. Quais as diferenças entre gripe e constipação?

  8. “Estou cá com uma gripalhada” não é um diagnóstico. Não é por andar a espirrar ou ter tosse que é sinónimo de estar infetado com o vírus causador da gripe.

    De facto, tanto a gripe, como a constipação afetam sobretudo as vias aéreas superiores e, por isso, os sintomas até podem ser, à primeira vista, semelhantes.

    Contudo, é necessário distinguir a gripe, causada por um único agente (o vírus influenza) e responsável por uma sintomatologia mais pesada, da constipação, que pode ser provocada por um conjunto de microrganismos inespecíficos, como o adenovírus, o coronavírus ou o rinovírus. Por norma, o quadro sintomatológico da constipação é mais leve e caracteriza-se, sobretudo, pelo nariz entupido, espirros, olhos húmidos e pela irritação da garganta. Raramente aparece febre ou dor de cabeça forte.

    Além disso, os sintomas da gripe aparecem de subitamente, enquanto na constipação surgem de forma gradual e mais demorada.

  9. Quem são as pessoas mais vulneráveis à infeção?

  10. Em primeiro lugar é preciso reforçar que o vírus da gripe é altamente infecioso e basta tossir para cima de alguém sem proteger a boca com um lenço ou com o antebraço para o contágio ocorrer. Ou seja, isto faz com que qualquer pessoa esteja em risco de ter gripe.

    Contudo, há alguns grupos mais suscetíveis. As crianças, por exemplo, são consideradas um dos maiores vetores de transmissão da doença, já que passam longos períodos de tempo fechadas em espaços como creches, infantários e escolas, com grandes aglomerados de pessoas e são facilmente contagiadas. E são sobretudo elas que, depois, infetam outro dos grupos considerado mais vulnerável, que são as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, ou seja, os avós.

    Os doentes portadores de doenças crónicas como a diabetes, a doença pulmonar obstrutiva crónica, a asma, de doença cardíaca, renal ou hepática, os doentes que estejam à espera de transplante ou já tenham sido transplantados e os doentes com o sistema imunitário comprometido estão também na linha da frente do risco de contágio.

    Aliás, os doentes crónicos correm risco em duas vertentes: estão mais suscetíveis a serem contaminados pelo vírus e são mais vulneráveis às possíveis complicações de um quadro de gripe.

  11. Quais as principais complicações associadas à gripe?

  12. Uma das principais complicações da gripe é, precisamente, a descompensação das doenças crónicas de base do doente. Exacerbações da diabetes, da asma, da insuficiência cardíaca, são em grande medida, o motivo por que as pessoas infetadas com o vírus influenza recorrem às urgências hospitalares durante as epidemias anuais.

    Outras das complicações mais comuns da gripe são as pneumonias. A pneumonia bacteriana secundária é a mais frequente e resulta da ação do vírus influenza nas defesas locais do aparelho respiratório inferior – traqueia, brônquios, pulmões – que, ao estarem mais fragilizado, fica mais suscetíveis às infeções por bactérias.

    A pneumonia causada pelo próprio vírus influenza, a pneumonia viral primária, é mais rara, mas é mais grave e resulta mais frequentemente na morte do doente.

    Igualmente raras e com mais potencial de letalidade estão complicações como as encefalites (inflamação do cérebro), as miocardites (inflamação do músculo do coração) e as pericardites (inflação da membrana que reveste o coração).

    E se, quer doentes crónicos, quer idosos com mais de 65 anos, estão na linha da frente das pessoas com maior potencialidade para desenvolver complicações associadas à gripe, não é de mais lembrar que qualquer pessoa está em risco de desenvolver uma complicação mais grave e difícil de tratar.

  13. Como se pode prevenir a infeção?

  14. A Direção-Geral da Saúde é clara: “A vacinação contra a gripe é a principal medida de prevenção contra a gripe e tem como objetivo proteger as pessoas mais vulneráveis, prevenindo a doença e as suas complicações”.

    A vacinação inicia-se em meados de outubro e prolonga-se até ao final do inverno, mas o conselho é que as pessoas se devem vacinar o quanto antes de modo a anteciparem a proteção contra a infeção durante os meses mais frios.

    As normas nacionais e internacionais recomendam fortemente vacinação nas pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, nos doentes crónicos e imunodeprimidos (a partir dos 6 meses de idade), nas grávidas, a profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados, como por exemplo funcionários de lares de idosos e bombeiros.

    Aconselha-se também a vacinação às pessoas com idade entre os 60 e os 64 anos.

    Todos os anos o Serviço Nacional de Saúde disponibiliza gratuitamente nos centros de saúde para alguns dos grupos de risco como os diabéticos, os doentes em diálise e em quimioterapia, os doentes transplantados e a aguardar transplante, pessoas com doença neurológica que comprometa a função respiratória, às pessoas com mais de 65 anos, a residentes em instituições de cuidados prolongados e aos profissionais de saúde e bombeiros.

    Para a restante população que se queira proteger da gripe – e ao proteger-se está igualmente a proteger todos quantos com ela convivem pela criação da chamada imunidade de grupo – a vacina está disponível nas farmácias, sob prescrição médica, beneficiando de comparticipação de 37%.

    Para prevenir todas as infeções respiratórias, seja gripe ou constipação, é recomendável praticar a “etiqueta respiratória” (tossir ou espirrar para um lenço descartável ou para o antebraço), proteger-se e agasalhar-se, sobretudo as extremidades do corpo – com luvas, gorro e meias – e no caso de estar infetado aconselha-se que evite locais de aglomeração de pessoas.

  15. Porque é necessário fazer a vacinação anual?

  16. O vírus muda constantemente. O influenza é reconhecido por ter grande adaptabilidade ao ambiente e todos anos há a possibilidade de estarem em circulação tipos de vírus diferentes dos do ano anterior. Assim sendo, quem fez a vacinação num ano, pode não estar protegido contra as estirpes predominantes no ano seguinte. Nessa medida, é fundamental a vacinação anual e atualizada.

    A Organização Mundial de Saúde (OMS) todos os anos analisa as mudanças antigénicas a que o vírus está sujeito e que implicam mudanças na composição da vacina para que os laboratórios farmacêuticos ajustem a fórmula da vacina às estirpes predominantes no ano em causa.

  17. Como se trata a gripe?

  18.  

    Quer seja uma constipação ou uma gripe na forma ligeira, a cura é espontânea, sem ser necessário qualquer terapêutica. Ainda assim, para atenuar o mal-estar gerado pelas infeções respiratórias, nomeadamente a febre, os antipiréticos são muito eficazes e também ajudam a amenizar as dores no corpo.

    Depois, é apostar nas chamadas medidas de conforto: alimentar-se bem, beber muitos líquidos e ingerir muita fruta, repousar e utilizar soro fisiológico para tratar a obstrução nasal.

    De citar a chamada de atenção da Direção-Geral da Saúde sobre a utilização dos antibióticos: “Não atuam nas infeções virais, não melhoram os sintomas, nem aceleram a cura”.

    Não obstante, o conselho é sempre procurar o médico de família, o farmacêutico ou ligar para a linha SNS 24, pelo número 808 24 24 24, casos necessite esclarecer alguma dúvida.

    Em casos normais, uma constipação pode demorar até sete dias a passar, enquanto para a recuperação total de uma gripe, às vezes, são necessárias até duas semanas.

    Só nos casos mais graves de gripe é preciso fazer análises laboratoriais para determinar a estirpe responsável pela infeção e recorrer aos antivíricos para tratar a doença.

  19. Como é feita a monitorização da gripe a nível nacional e internacional?

  20. A prova de que a gripe é um assunto sério e um problema de saúde pública é que recebe dos organismos internacionais e nacionais atenção e vigilância permanente.

    Em Portugal, a vigilância epidemiológica da gripe é coordenada pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), enquanto laboratório de referência da OMS para a gripe em Portugal, e pela Direção-Geral da Saúde. Desde 1990, a vigilância é realizada em colaboração com a Rede Médicos-Sentinela, composta por médicos de família, que notificam os casos de gripe e, desde 1999, com os Serviços de Urgência Sentinela, o que melhorou a vigilância através da caracterização clínica e laboratorial da doença.

    Os dados nacionais são depois enviados à Agência para o Controlo e Prevenção de Doenças Infeciosas (ECDC), que reúne e trata os dados fornecidos pelos sistemas de saúde nacionais dos países membros da União Europeia.

    A nível global é a OMS que agrega os dados dos países membros da organização e emite as orientações necessárias para lidar com as epidemias anuais de gripe e com as crises que eventualmente possam ocorrer.