Explicador

Almaraz. A central nuclear é mesmo uma bomba-relógio?

Janeiro 201712 Janeiro 2017244
Marta Leite Ferreira

Há mais centrais nucleares próximas à fronteira entre dois países?

Pergunta 9 de 9

Sim, há mais centrais nucleares que despertam a apreensão dos países vizinhos. Eis alguns exemplos.

Bélgica vs. Alemanha, Holanda e Luxemburgo

A Alemanha, Holanda e Luxemburgo não estão confortáveis com o alargamento do prazo de funcionamento da central nuclear em Doel (Bélgica), que funciona desde 1974 e que devia ter fechado portas em 2015. No entanto, o governo belga decidiu utilizar a envelhecida infraestrutura até 2025 sob uma condição dos países vizinhos: informá-los sempre que houver problemas e permitir vistorias pelas autoridades alemãs, holandesas e luxemburguesas.

República Checa vs. Áustria

É uma luta ideológica. A República Checa construiu uma central nuclear a 50 quilómetros da fronteira com a Áustria, metade da distância que separa Almaraz da fronteira com Portugal. A construção começou em 1981, dois anos depois de os austríacos terem votado contra a utilização de energia nuclear no seu país. Foram precisos vinte anos para que os dois países chegassem a acordo e para a República Checa por o seu reator nuclear a funcionar. Mas agora os checos dispõem de seis reatores e a tensão regressou.

França vs. Alemanha, Suíça e Luxemburgo

A central nuclear de Fessenheim é o reator em funcionamento mais antigo em território francês. Construída em 1977, os reatores na fronteira com a Alemanha preocupam os vizinhos, porque fica mesmo por cima de uma falha sísmica. Um tremor de terra podia atirar a Europa para um acidente da mesma ordem que Fukushima, mas François Hollande falhou à promessa de encerrar esta central nuclear em 2016 e diz que só o fará quando uma mais moderna for construída. A paciência alemã tem-se esgotado por causa dos planos de França para Bure, onde está a ser construído um aterro nuclear a 120 quilómetros da fronteira com a Alemanha.

Outra angústia para os vizinhos dos franceses é a central nuclear de Cattenom, a apenas uma hora de carro da capital luxemburguesa. Em atividade desde 1986, ano do acidente nuclear de Chernobyl, esta central já foi palco de dois incêndios e põe as mãos do governo do Luxemburgo a tremer. Também a central nuclear de Bugey, a 70 quilómetros de Genebra, esteve no epicentro de uma polémica quando os ativistas da Greenpeace invadiram a infraestrutura e mostraram falhas de segurança comprometedoras.

Bielorrússia e Rússia vs. Lituânia

A central nuclear de Astravets fica a 23 quilómetros da fronteira com a Lituânia, que apelidou essa infraestrutura de “crematório” por não estar de acordo com as diretivas de proteção ambiental de Aarhus e Espoo. A Bielorrússia diz que a central nuclear tem o selo da Agência Internacional de Energia Atómica. E que os bielorrussos não iriam construir uma central que pudesse levar a um desastre como o de Chernobyl.

Ora, a central de Astravets dispõe de tecnologia desenvolvida na Rússia, outra preocupação da Lituânia. A central nuclear de Kaliningrado, em construção neste momento, desagradou aos lituanos, que dizem não ter sido abordados para estudar a localização das infraestruturas.

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