Explicador

O que está a dividir o Bloco de Esquerda

Agosto 201429 Agosto 2014237
Rita Dinis

Então quando começaram os problemas no BE?

Pergunta 4 de 14

Começaram fundamentalmente quando começaram a surgir as primeiras derrotas eleitorais, em 2011, ano em que o Bloco de Esquerda perdeu metade dos lugares no Parlamento que tinha conquistado dois anos antes.

Enquanto as vitórias se sucediam, pode dizer-se que reinava a concórdia, apesar das diferenças ideológicas entre as várias tendências no seio do partido. O clima de lua de mel parece terminar em 2011, depois do retrocesso eleitoral das legislativas, onde o Bloco passa de 16 lugares no Parlamento para oito, caindo para 5,2%. Era até à altura a maior derrota do partido desde a sua fundação, só superada pelo mau resultado nas europeias de 2014, quando caiu ainda mais, quedando-se pelos 4,5%.

Depois do rombo eleitoral de 2011, começaram as divisões. As eleições que deram vitória ao PSD de Pedro Passos Coelho foram a 5 de junho e a 21 do mesmo mês dá-se uma das primeiras cisões por divergência interna. Rui Tavares, que tinha sido eleito para Estrasburgo em 2009, abandona o grupo em que integrava o Bloco no Parlamento Europeu e muda, como independente, para o grupo dos Verdes. Na altura, declarou que “perdeu a confiança pessoal e política” em Francisco Louçã depois de o líder do Bloco ter acusado o historiador de ter trocado propositadamente o nome de Fernando Rosas pelo de Miguel Portas como um dos fundadores do partido.

Ainda em 2011, a recusa de Louçã em reunir com a troika motivou críticas cerradas dentro do partido, com Ana Drago a ser uma das vozes mais azedas ao considerar que o BE não podia ficar de fora da ronda de conversações, tal como ficou também o PCP.

O ano que se seguiu, 2012, foi um ano marcante para o Bloco, mas pelas piores razões, com a morte de um dos seus fundadores, Miguel Portas. Morreu em abril, aos 53 anos, vítima de cancro.

Em outubro do mesmo ano, Francisco Louçã anunciou a sua saída do Parlamento e um mês depois deixou a coordenação do Bloco de Esquerda. O motivo alegado foi a “renovação de gerações”. A sua saída, no entanto, veio a acontecer num período conturbado.

Em maio de 2014, nova derrota eleitoral. Com apenas 4,5% dos votos, o Bloco de Esquerda elege apenas um deputado para o Parlamento Europeu, ficando-se pela cabeça de lista Marisa Matias. O objetivo assumido pelo partido era eleger dois eurodeputados, já que manter os três eleitos em 2009 parecia tarefa impossível.

A derrota (mais uma) serviu de argumento para os que já reclamavam mudanças e mais diálogo com outros movimentos e forças políticas à esquerda. E deu ainda mais força a novas dissidências.

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