Explicador

O que está a dividir o Bloco de Esquerda

Agosto 201429 Agosto 2014237
Rita Dinis

Por que é que Francisco Louçã saiu?

Pergunta 5 de 14

O motivo invocado foi a necessidade de haver “renovação de gerações” – foi o que alegou quando anunciou em agosto de 2012 que não se ia ser candidato à liderança do partido na convenção de novembro desse ano. “Cumpri estas funções durante dois mandatos e dei a cara pelo Bloco desde a sua fundação. Julgo que é tempo de uma renovação da representação pública do nosso movimento”, disse Louçã numa carta escrita na sua página de Facebook e destinada “aos ativistas e ao povo do Bloco”.

Pelos mesmos motivos, anunciou em outubro que deixava o cargo de deputado no Parlamento. “Saio do Parlamento por uma razão e por mais nenhuma: entendo, para mim próprio, que o princípio republicano marca limites à representação que tenho desempenhado e exige a simplicidade de reconhecer que essa responsabilidade deve ser exercida com contenção. Ao fim de 13 anos, reclamo a liberdade de influenciar o meu tempo: é agora o momento de uma renovação que fará um Bloco mais forte”, disse na altura.

Francisco Louçã foi um líder carismático. Na altura em que foi criada a figura do coordenador nacional, em 2005, seis anos depois da fundação do BE, Louçã era o nome que tinha mais visibilidade e mediatismo no partido e por isso foi o líder natural do Bloco. Visto de fora, foi sempre o número um do BE.

Miguel Portas, por ter sido o cabeça-de-lista do partido na sua estreia eleitoral, nas europeias de 1999, seria outra hipótese para a liderança inicial. Mas quando o partido elegeu o seu primeiro coordenador nacional (equivalente a secretário-geral), já Miguel Portas estava em Bruxelas, depois de o Bloco ter conseguido eleger um eurodeputado no sufrágio de 2004. A escolha acabou por recair então, sem surpresas, em Francisco Louçã, que entretanto já tinha ganho bastante visibilidade na pequena bancada do Bloco na Assembleia da República. Na convenção que o elegeu, a orientação política de Louçã, que reforçou a afirmação do partido como alternativa ao Governo então liderado por José Sócrates, foi aprovada sem votos contra e com apenas seis abstenções.

A unanimidade em torno de Louçã também se viu no facto de a lista que liderava para a mesa nacional do BE, órgão máximo entre convenções, ter elegido 74 dos 80 membros, enquanto a lista adversária, de Helena Carmo, conseguiu apenas seis lugares. Além de que, de todos os nomes destacados no partido, Francisco Louçã era aquele que tinha tido melhores resultados eleitorais antes da fundação do Bloco, enquanto líder do PSR.

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