Explicador

O que está a dividir o Bloco de Esquerda

Agosto 201429 Agosto 2014237
Rita Dinis

Como chega o Bloco de Esquerda à convenção de 22 e 23 de novembro?

Pergunta 13 de 14

Fragmentado e numa situação de quase empate técnico. Pela primeira vez nos 15 anos de vida do partido, os membros mais ativos da UDP – que agora estão alinhados em torno da Esquerda Alternativa – não subscreveram a moção onde estão os coordenadores e apresentaram um texto concorrente.

Luís Fazenda e Pedro Filipe Soares, começaram logo por não assinar um apelo que foi enviado aos militantes bloquistas, nos primeiros tempos de preparação da convenção, por 35 membros alinhados na tendência Socialismo – entre os quais João Semedo e Catarina Martins, mas também Fernando Rosas, José Manuel Pureza, Marisa Matias e até nomes históricos da velha UDP como Manuela Tavares e Mário Tomé – para que houvesse um envolvimento conjunto na preparação da convenção e na construção de uma moção, senão única, pelo menos o mais abrangente possível dentro do partido.

Mais tarde, a Esquerda Alternativa voltou a não estar presente no dia 13 de julho no Porto, no primeiro debate de preparação dessa moção, que, segundo se lia na missiva, partia da necessidade de ter no Bloco uma “força autónoma na esquerda, que não espera nada do PS nem espera pelo PCP”. Ou seja, tudo indicava que ia haver uma candidatura concorrente.

Mas a surpresa não deixou de ser grande quando, a 30 de setembro, o líder da bancada anunciou que ia apresentar à convenção uma moção alternativa, que põe Pedro Filipe Soares como coordenador único do partido. Em causa estava, principalmente, uma forte crítica aos atuais coordenadores por terem “batido à porta do PS” durante a crise política de 2013. A moção de Pedro Filipe Soares contava com mais de 850 subscritores, antevendo já uma forte mobilização de parte do Bloco em torno desse projeto.

Assim, na convenção do fim de semana, vão estar sujeitas a votação não uma, não duas, mas cinco moções:

Moção U (“Moção Unitária em Construção”), encabeçada por Catarina Martins e João Semedo. Junta os membros alinhados na tendência Socialismo, os membros da UDP que não alinharam na Esquerda Alternativa, alguns nomes da antiga Fórum Manifesto (que alinhavam tradicionalmente na moção B) e outros nomes sem tendência ou filiação anterior. Por não querer excluir fações, a tendência Socialismo decidiu no fim de junho que não iria apresentar uma moção em nome próprio: “o papel da nossa tendência não é constituir-se numa fração do partido ou num espaço fechado de afirmação – a tendência Socialismo é hoje, mais do que nunca, um contributo aberto ao debate bloquista”, diziam.

Moção E (“Bloco Plural, fator de viragem”) – os principais promotores são Pedro Filipe Soares e Luís Fazenda. Junta os nomes que se opuseram à criação da Socialismo e que alinharam na criação da Esquerda Alternativa. No documento lançado a 11 de julho intitulado “Recuperar a Confiança – Contribuição para uma Moção à IX Convenção”, a Esquerda Alternativa deixava claro que queria “regressar às origens e recuperar a identidade do Bloco num novo contexto político”.

Moção B (“Refundar o Bloco na luta contra a austeridade”)  junta nomes que tradicionalmente assinam pela moção minoritária B, onde já esteve por exemplo Daniel Oliveira. Defende uma maior convergência com os movimentos sociais, “partidos, grupos e sensibilidades”, desde que mantendo a “autonomia e independência” do Bloco. “Enraizar” o Bloco junto das populações é a máxima defendida.

Moção R (“Reinventar o Bloco”) – moção regional, junta promotores de alguns distritos do país para pedir uma postura mais “radical” do Bloco, nomeadamente no que ao euro e às instituições democráticas diz respeito.

Moção A (“Uma resposta de esquerda”) é a moção com menor número de subscritores e aquela que mais se difere das restantes. Defende uma postura governativa do Bloco, aberta à convergência com outros partidos, admitindo vir a aliar-se com o PS e deixando para segundo plano a discussão sobre a dívida e o euro.

Mas tudo está em aberto. No último dia 17 de novembro foram eleitos os delegados de cada moção à convenção e a moção de Pedro Filipe Soares, ficou com uma vantagem mínima de seis delegados: moção E elegeu 262 delegados, moção U elegeu 256, enquanto a moção B conseguiu apenas 44 delegados, a moção A elegeu oito nomes e as plataformas locais que concorreram na Moita e em Famalicão alcançaram dois e sete delegados, respetivamente.

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