Explicador

O que está a dividir o Bloco de Esquerda

Agosto 201429 Agosto 2014237
Rita Dinis

Quais são as diferenças nas moções?

Pergunta 14 de 14

Há principalmente quatro temas que suscitam visões mais diversas entre os cinco projetos políticos que este fim de semana vão estar em discussão e votação na convenção do Bloco de Esquerda:

Alianças políticas à esquerda?

Este tem sido talvez o maior ponto de discórdia, e o que tem levado às dissidências de bloquistas. Além da moção A, minoritária e regional, que é a única que pede claramente um projeto de governação que passe por uma aliança necessária com o PS, as restantes moções são mais contidas e, ainda que digam que o Bloco sozinho não consegue governar, recusam aliar-se ao PS ou a outras forças políticas que se aproximem dos socialistas.

A moção U, dos atuais coordenadores, é clara quando diz que “não há posição intermédia: quem se aproxima do PS para governar com ele abdica de responder ao principal desafio de desobedecer às imposições da UE” e que “a integração da esquerda no campo da alternância” nunca deu bom resultado nos países onde isso aconteceu. Quer por isso uma “alternativa de esquerda” assente na convergência com os movimentos sociais independentes, de cidadãos.

Já a moção E, de Pedro Filipe Soares, também rejeita todas as alianças, especialmente com o PS, mas admite pontes de entendimento com o PCP. “Começar a discussão com a pergunta ‘com quem fazemos alianças’ é abdicar da nossa identidade”, lê-se. Para a ala de Pedro Filipe Soares, o PS escolheu o caminho do Tratado Orçamental e por isso não pode servir de aliado, ao mesmo tempo que movimentos como o do Livre, que junta o 3D, a Fórum Manifesto, entre outros, se apresentam como projetos de governabilidade com o PS a liderar, e, por isso, também ficam excluídos à partida.

Qual o caminho que o Bloco deve seguir?

A diferença aqui é mais de organização interna. Para a moção U, o partido deve caminhar no sentido da “união pela diferença” para “recuperar a confiança do eleitorado”, enquanto para a moção E, forte defensora da velha pluralidade ideológica dentro do BE, o Bloco deve “regressar às origens” e recuperar a “identidade” perdida. O projeto da atual coordenação fala também numa renovação da bancada parlamentar, no sentido da regeneração e de pôr fim à excessiva institucionalização do partido.

Centro político: direitos constitucionais ou reestruturação da dívida

É a principal arma de Catarina Martins e João Semedo contra a moção de Pedro Filipe Soares. A moção E põe um acento maior na questão da defesa da Constituição e na luta contra qualquer revisão constitucional que PS ou PSD possam propor, enquanto a moção U diz que o único centro político do Bloco deve ser a luta pela reestruturação da dívida e a rejeição do Tratado Orçamental. Apesar de a candidatura de Pedro Filipe também erguer essas bandeiras, o enfoque nos direitos constitucionais – que Catarina Martins diz não estarem a ser postos em causa, pelo menos até às próximas legislativas – é visto como uma postura demasiado defensiva e pouco esclarecedora para os eleitores.

Sair ou não sair do euro?

Enquanto a moção U destaca este tema como uma das “raízes da crise”, e por isso admite uma saída gradual do euro, no sentido de “recuperar a soberania popular”, a moção E rejeita esse caminho. “O euro não pode ser calvário, não aceitamos a imposição da austeridade em nome da permanência no euro, mas os países têm muito a perder se a zona euro se desintegrar”, lê-se no projeto de Pedro Filipe Soares, que lembra que também há austeridade nos países onde não há moeda única.

Coordenação a duas vozes ou a uma?

A liderança bicéfala que sucedeu a uma coordenação carismática de Francisco Louçã não foi consensual. A moção U admite por isso que a substituição de Louçã foi “difícil” e que o Bloco “pagou o preço” por ter sido o primeiro partido a estabelecer a paridade de género na sua representação, mas volta a apresentar a dupla Catarina Martins e João Semedo como coordenadores.

Já a moção E tece críticas à atual coordenação por ter ido “bater à porta” do PS durante a crise política de 2013 e afirma que o modelo bicéfalo não foi bem sucedido. Diz ainda que prefere modelos como o que é praticado pelo Syriza, na Grécia, que se traduz na coordenação a uma só voz. Neste caso, na voz de Pedro Filipe Soares.

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