1. Como são escolhidos os candidatos?

  2. 8 de novembro de 2016 será o grande dia para os candidatos que querem substituir Barack Obama na Casa Branca. Mas se em Portugal esta é a única data em que os eleitores são chamados a votar, nos EUA há várias etapas a superar até lá.

    Em primeiro lugar, há que escolher o candidato presidencial de cada um dos dois grandes partidos, o Republicano e o Democrata. Esse processo é feito através de eleições primárias (os eleitores aparecem nos locais indicados e votam no seu candidato) ou de caucus (as regras são diferentes entre republicanos e democratas e até entre estados mas, no geral, os eleitores reúnem-se em assembleia nos vários locais designados para o efeito, formam um grupo para cada candidato, mais um para os indecisos, e vão debatendo até que os grupos com menos apoio sejam eliminados e se juntem a outro grupo; no final, fica a saber-se quantos delegados ficam para cada candidato mediante a percentagem de pessoas conquistadas). É por isso que os candidatos participam em tantos debates um ano antes da eleição presidencial.

    Em alguns estados, como a Virgínia, a participação é totalmente livre: qualquer cidadão pode votar, mesmo que seja militante do partido adversário. Noutros, como no Ohio, é preciso fazer uma inscrição prévia.

    Esse processo de eleição, mais conhecido como primárias, começou no dia 1 de fevereiro (madrugada do dia 2, em Portugal), no Iowa. Até ao dia 14 de junho, democratas e republicanos mobilizam-se em cada um dos 50 estados para eleger mais delegados (2472 no caso dos republicanos, 3635 no caso dos democratas, aos quais se juntam 700 superdelegados, um grupo de elite selecionado dentro do partido sem votação, ou seja, que não tem orientação de voto, ao contrário dos delegados que saem das primárias).

    Terminadas as primárias, cada partido realiza uma convenção. A do Partido Republicano está marcada para os dias 18, 19, 20 e 21 de julho, em Cleveland, e a do Partido Democrata para a semana de 25 de julho, em Filadélfia. É na convenção que cada partido vota e anuncia oficialmente o seu candidato a presidente dos Estados Unidos.

  3. Porque é que o Iowa é tão importante nas primárias?

  4. O estado do Iowa é importante porque marca desde o início a força de um candidato. O New Hampshire, segundo estado onde decorrem as primárias, a 9 de fevereiro, também é fundamental porque ajuda a marcar o tom inicial sobre um determinado candidato. É frequente também alguns candidatos menos votados desistirem após estes primeiros resultados.

    Para os democratas, o caucus do Iowa é especialmente importante porque desde 2000 que o vencedor deste estado acaba por se afirmar na convenção dos democratas como o candidato oficial à presidência. Aconteceu em 2000 com Al Gore, em 2004 com John Kerry, em 2008 e, logicamente, em 2012 com Barack Obama. Em 2008, Obama derrotou Hillary Clinton no Iowa.

    Vídeo publicado por Hillary Clinton no Twitter esta segunda-feira, a propósito do caucus no Iowa:

  5. O que é a "Super Terça-Feira"?

  6. Chama-se “Super Tuesday” à terça-feira em que um elevado número de estados têm eleições primárias. Este ano, será a 1 de março que 15 estados vão a votos, entre os quais um dos maiores, o Texas, onde os democratas elegem 252 delegados e os republicanos 155.

    Mas atenção que nem sempre democratas e republicanos votam no mesmo dia. No Alasca, por exemplo, o caucus republicano acontece na super terça-feira, enquanto o caucus democrata só terá lugar a 26 de março.

  7. Quem são os candidatos democratas mais fortes?

  8. Há três pré-candidatos do lado democrata.

    Nos democratas, Hillary Clinton é a candidata que as sondagens colocam à frente. Se for eleita, regressará à Casa Branca, agora como presidente número 45 da história dos Estados Unidos e a primeira mulher de sempre no cargo. Entre janeiro de 1993 e janeiro de 2001 morou lá enquanto Primeira-Dama de Bill Clinton.

    A aproximar-se de Hillary está Bernie Sanders, confesso “socialista democrático” de 74 anos, atual senador do Vermont e democrata apenas desde 2015 – aderiu ao partido para se poder candidatar. Em último lugar surge Martin O’Malley, ex-Governador do Maryland e o candidato que mais tem sofrido com a subida de popularidade de Bernie Sanders. Há quem o aponte como possível vice-presidente de Hillary Clinton.

    Retweet de Bernie Sanders onde se pode ler: “É inaceitável que os diretores executivos neste país tenham muitas vezes uma taxa de impostos mais baixa que a das suas secretárias”.

    https://twitter.com/Jordan_OHIO/status/694257560090775553

  9. Quem são os candidatos republicanos mais fortes?

  10. Do lado dos republicanos a lista de candidatos a candidato é mais extensa – são dez. À cabeça, e depois da vitória na primeira votação que decorreu no Iowa, surge Ted Cruz. Com 45 anos e filho de pai cubano, é senador do Texas e representa a ala mais conservadora do partido.

    Em segundo lugar, reunindo menos 4% dos votos do que Cruz no Iowa, está Donald Trump. Empresário multimilionário e figura pública, já se tinha descrito como “presidenciável” em 2000, 2008 e 2012. Mas só em julho de 2015 decidiu mesmo avançar.

    Em terceiro lugar surge o senador da Florida Marco Rubio, com 23% das escolhas, bem acima dos 8% que lhe conferiam as últimas sondagens. Mais abaixo aparece o neurocirurgião reformado Ben Carson, com 1,3%, e Jeb Bush, irmão de George W. Bush, com apenas 2,8%. A única candidata mulher, Carly Fiorina, que as sondagens já perspetivavam poucas hipóteses para as primárias, reuniu 1,9% das preferências.

  11. O que são estados vermelhos e estados azuis?

  12. Há vários mapas que mostram alguns estados americanos a vermelho e outros a azul. A cor vermelha está associada a uma maioria republicana e a cor azul a uma preferência democrata. No Texas e no Arizona, por exemplo, desde 2000 que o candidato presidencial mais votado foi republicano. Do outro lado estão a Califórnia e Nova Iorque, onde o Partido Democrata tradicionalmente sabe que sairá vencedor.

    Há sete estados que são falados nas notícias mais frequentemente. Mas não porque sejam mais populosos, como acontece com Lisboa e Porto nas eleições portuguesas.

    A razão pela qual os estados da Virginia, da Florida, do Iowa, do Ohio, do Colorado, do Nevada e do New Hampshire recebem atenção extra, tanto da imprensa como dos próprios candidatos, é porque os seus votantes oscilam entre partidos. Chamam-lhes “swing states“. E podem decidir uma eleição renhida.

  13. O que é o Colégio Eleitoral?

  14. Terminadas as primárias, encerradas as convenções de onde sai o candidato final de cada partido e encerradas as urnas das eleições de 8 de novembro, ainda se segue um Colégio Eleitoral.

    O presidente norte-americano não é eleito por sufrágio direto e universal, mas sim por um colégio eleitoral.

    Isto é, cada estado tem direito a um determinado número de delegados e é para conseguir esses delegados que os votos dos cidadãos contam. Por exemplo: a Califórnia tem 55 delegados e o Wyoming apenas três, de um total de 538. O objetivo de cada candidato presidencial é conquistar o maior número possível de delegados ao colégio eleitoral.

    Para se sentar na Sala Oval, o candidato terá de conseguir o voto de pelo menos 270 delegados (tradicionalmente, cada delegado vota de acordo com o resultado do seu estado pelo que esta fase final do processo se trata quase de uma formalidade).

  15. Quem financia tudo isto?

  16. Este processo eleitoral é longo e dispendioso. Pelo menos dois anos antes, cada político começa a angariar apoios. Ted Cruz, por exemplo, anunciou que seria candidato em março de 2015, um ano e meio antes das eleições. Isso implica viagens por todo o país durante um período alargado para convencer o eleitorado, pagar material de campanha e publicidade nos media e sustentar sedes de campanha. Cada candidato tem vários voluntários ao seu serviço, o que ajuda a diminuir a conta, mas é sempre preciso gastar uma soma subsntancial.

    Anúncio de Jeb Bush contra Donald Trump:

    Existem limites na lei americana no que diz respeito ao financiamento a título individual (máximo de 2500 dólares, cerca de 2300 euros) e cada candidato tem de prestar contas ao Comité Eleitoral. Mas o financiamento pode ser ilimitado nos Super PACs (acrónimo para Comité de Acção Política), uma organização que se constitui para financiar determinado candidato e que pode receber donativos com esse fim. Por lei, os candidatos e as suas campanhas têm de ser independentes destas organizações, o que significa, por exemplo, que não podem estar associados à criação nem à manutenção de um Super PAC.

    De acordo com o New York Times, até 1 de fevereiro Hillary Clinton era a número um no top de financiamento, com 163,5 milhões de dólares recolhidos. Seguiam-se três republicanos: Jeb Bush, com 155,6 milhões; Ted Cruz, com 89,9 milhões; e Marco Rubio, com 77,2 milhões de dólares. No quinto lugar está Bernie Sanders, com 75,1 milhões.

    Se assim o desejarem, os candidatos podem recorrer a verbas públicas. Mas isso implica aceitar um limite total de financiamento que é menor do que qualquer um dos cinco candidatos já conseguiu: nas eleições primárias não poderiam ter mais de 45,6 milhões de dólares de financiamento. Na eleição geral, o teto seria de 91,2 milhões.