Explicador

O Papa Francisco e a Ordem de Malta. O que se está a passar no Vaticano?

Fevereiro 201715 Fevereiro 2017293
João Francisco Gomes

O que aconteceu na Ordem de Malta?

Pergunta 4 de 5

Tudo começou quando Matthew Festing, então Grão-Mestre da Ordem de Malta, decidiu afastar da instituição o Grande-Chanceler, o alemão Albrecht Freiherr von Boeselager, que presidia ao Conselho de Soberania. Alegadamente, von Boeselager permitiu a distribuição de preservativos em três projetos de apoio aos mais pobres na Birmânia, algo que, por ser contra a doutrina da Igreja Católica, não agradou a Festing.

Quando von Boeselager descobriu que nestas três missões eram distribuídos preservativos, decidiu fechar duas delas. Deixou apenas uma a funcionar, por considerar que o seu fim iria acabar definitivamente com os serviços médicos básicos para a população em causa. Foi precisamente por ter permitido a continuação do funcionamento desta missão e da distribuição de preservativos nesse projeto que Matthew Festing decidiu afastar o alemão do cargo, alegando que teria sido o próprio Papa Francisco a exigir a demissão.

Matthew Festing com o Papa Francisco. GABRIEL BOUYS/AFP/Getty Images

Mas von Boeselager não ficou conformado com a decisão de Festing, e decidiu apresentar um recurso ao Papa Francisco — que, segundo a Constituição da Ordem de Malta, tem poder para investigar as decisões tomadas pela liderança da instituição. Foi precisamente o que o líder da Igreja Católica decidiu fazer: desconfiado dos verdadeiros motivos do afastamento, nomeou uma comissão, composta por cinco elementos, para investigar a demissão do Grande-Chanceler.

Não satisfeito com a criação da comissão de inquérito, Festing decidiu não colaborar com os investigadores do Vaticano, apelando a todos os membros da Ordem de Malta que se recusassem a colaborar com a comissão, que considerou ilegítima. Num comunicado aos membros citado pela Rádio Renascença, Festing destacou que os membros não deviam colaborar com a investigação e que o seu testemunho, caso colaborassem, não deveria contradizer “direta ou indiretamente a decisão do Grão-Mestre e do Conselho Soberano sobre a substituição do Grande-Chanceler”.

O Vaticano foi intransigente e avançou com a investigação, pedindo a Festing que resignasse ao cargo de Grão-Mestre. A resignação foi confirmada a 25 de janeiro. Num comunicado divulgado pelo Vaticano, o Papa aceitou a demissão “expressando a Fra’ Festing apreço e reconhecimento pelos sentimentos de lealdade e devoção perante o Sucessor de Pedro e pela disponibilidade para servir humildemente o bem da Ordem e da Igreja”.

Poucos dias depois, e já após os polémicos cartazes afixados em Roma, o Papa Francisco nomeou D. Angelo Becciu como delegado especial para o capítulo que irá escolher o sucessor de Festing. Segundo a nota citada pela agência Ecclesia, Becciu será o “porta-voz exclusivo” do Papa, e terá “todos os poderes necessários para decidir as eventuais questões que possam surgir”.

Próxima pergunta: E agora?

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