Explicador

O que nos esconde a antimatéria?

Dezembro 201629 Dezembro 2016173
Marta Leite Ferreira

É verdade que estes conceitos rivalizam com a hipótese da existência de Deus?

Pergunta 8 de 8

Alguns meios de comunicação social escreveram que as últimas notícias sobre a antimatéria contrariam a existência de Deus. Para Carlos Fiolhais, físico teórico, essa é uma afirmação que não pode ser feita.

Já lá vai o tempo em que ciência e religião eram interpretadas como rivais. Isso aconteceu nos tempos de Galileu Galilei, o cientista católico que contrariou a Igreja dizendo quer era o Sol e não a Terra que ocupava o centro do Universo. Embora estivesse errado (mas mais perto da realidade), a Igreja Católica interpretou esta teoria como uma afronta: como podia alguém desviar a obra do Senhor do centro do mundo? Galileu foi obrigado a retirar as suas palavras após uma pesada perseguição da Igreja a que ele próprio pertencia. Numa carta a uma nobre de Florença, escreveu que “o Espírito Santo não ensina como é o céu, mas sim como chegar ao céu”. São precisos 400 anos para que um papa, João Paulo II, admita o erro cometido à época.

Mais recentemente, Gianfranco Ravasi escreveu que “Galileu cientista estava tão certo como Galileu teólogo”, cuja fé não foi abalada nem pelas descobertas científicas, nem pelo sofrimento de que foi alvo.

Na atualidade, ciência e religião estão perfeitamente separadas, por isso as descobertas científicas não contrariam nem validam a fé e vice-versa. Prova disso está em Georges-Henri Édouard Lemaître, o padre que propôs a Teoria do Big Bang para explicar a formação do Universo. Dizia ele que o facto de ser um homem da Igreja “não prejudica nem favorece” o seu trabalho enquanto cientista: “Quando estou na Igreja não me pronuncio sobre assuntos da ciência e quando estou no laboratório não me pronuncio sobre assuntos da religião”, explicou ele quando o Papa XI comentou que o Big Bang confirmava a Criação do Mundo contada pela Igreja. Georges Lemaître foi mais cuidadoso: uma coisa não invalida nem confirma a outra, porque ciência e religião são mundos separados. Por isso é que há cientistas crentes – Albert Einstein considerava que Deus era a “harmonia do universo”, outros sem uma opinião formada, alguns descrentes – Hawing recusa veementemente a existência de Deus – ou padres cientistas.

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