Explicador

Factos, dúvidas e contradições do caso Sócrates

Fevereiro 201509 Fevereiro 2015383
Hugo Tavares da SilvaSónia Simões

Como era o discurso de Sócrates antes de ser preso?

Pergunta 9 de 17

“Nem sabia que existiam vidas assim, vidas tão boas. Nunca tinha tido uma vida dessas”. O balanço da sua estadia em Paris foi feito a Clara Ferreira Alves numa entrevista ao Expresso em outubro de 2013.

Nesta altura José Sócrates acabara de publicar o livro “A Confiança no Mundo”, cujo prefácio foi escrito por Lula da Silva, o seu “melhor amigo dos tempos da ação política”. Estava de bem com a vida e, segundo a Clara Ferreira Alves, respondeu a todas as perguntas. À semelhança do que respondeu, já depois de preso, à SIC para descrever o seu “estilo de vida”, também chamou de “mesquinhez” ao pensamento de que teria ido estudar para Paris para calar as bocas polémicas em tornou da sua licenciatura.

José Sócrates falou da infância, da família, das saudades do irmão.

“A minha mãe era filha de um tipo rico na altura, uma fortuna do volfrâmio. Quando o meu avô morreu, a minha mãe herdou uma fortuna, muitos prédios, andares, que ainda hoje ela não sabe o que fazer com eles, quem tratava disso era o meu irmão. Conseguiu vender dois andares em Queluz que estavam ocupados… O meu avô, pai da minha mãe, que nunca conheci bem, nunca esteve de acordo com o casamento. A minha mãe tinha perdido a mãe muito cedo…Quando perdi a minha irmã, fiquei muito em baixo. Com 33 anos!”…

Depois de falar sobre várias decisões políticas, a pergunta foi inevitável: e o caso Freeport? Sócrates admitiu uma certa “felicidade” por abrir os jornais e já não falarem sobre ele. Disse que desde que deixou o Governo nunca andou de guarda-costas, apenas andou com o motorista da mãe. Referia-se a João Perna, também detido, a quem foi apreendida uma arma. E lembrou ter sido o primeiro-ministro a acabar com pensões vitalícias.

“Não recebo nada do Estado português. Por isso trabalho para uma empresa privada. Recebi muitos convites e só aceitei o desta empresa, uma empresa suíça, porque fui convidado para trabalhar na América Latina. Não em Portugal. Precisava de um emprego.”, explicou.

José Sócrates afirmou que, quando foi para Paris, pediu um empréstimo de 120 mil euros à Caixa Geral de Depósitos. Porque precisava desse dinheiro para sobreviver e sustentar o filho. Diz que voltaram a mover-lhe uma “perseguição política” – que atribuiu a uma “direita hipócrita”. Lembrou as escutas de que foi alvo, no processo Face Oculta, com Armando Vara. E mais uma vez falou em perseguição.

Em julho, no seu comentário semanal na RTP (entretanto suspenso), o tom foi bem diferente. A revista Sábado tinha avançado com a informação de que o ex-primeiro-ministro estava a ser investigado no âmbito da operação Monte Branco.

Estupefacto perante uma “operação de canalhice”, José Sócrates falou numa campanha de difamação: “A minha reação é de estupefação. O caso é suficientemente grave para que os portugueses percebam como se montam as campanhas de difamação. É uma verdadeira canalhice, porque se trata de inventar uma notícia para colocar nos jornais, para logo depois ser desmentida pelo Ministério Público”, começou por dizer o político.

E continuou: “Esta ideia de que posso ser suspeito no caso Monte Branco é absolutamente absurda. Eu não tenho conta no estrangeiro, não tenho capitais para movimentar. Eu tenho a mesma conta bancária há mais de 25 anos. Não tenho poupanças”, garantiu.

José Sócrates voltou a mencionar o empréstimo contraído aquando da sua mudança para Paris. O discurso foi sempre muito repetido, tocando sempre nos mesmos pontos — “não tenho contas no estrangeiro, não tenho capitais” –, garantindo não conhecer quem “costuma ser referenciado” no processo.

Quanto ao alegado envolvimento de um primo, o ex-primeiro ministro foi perentório: “A minha família não faz tráfico de capitais, nem movimenta largas somas, como o caso Monte Branco referencia.”

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