Circula nas redes sociais uma publicação que acusa a RTP de “manipulação primária da informação”. O motivo da indignação? A decisão de a televisão pública não ter colocado, nos grafismos da Volta à Portugal, a bandeira da Rússia ao lado do nome do ciclista russo Artem Nych.

“A volta a Portugal em bicicleta e o jornalixo da televisão pública… O terceiro classificado é russo e não tem direito a bandeira”, denuncia a publicação publicada a 21 de agosto.

Contactada pelo Observador, fonte oficial da RTP explicou que não poderia colocar a bandeira russa nos grafismos. De acordo com a estação de televisão, “o espaço habitualmente ocupado pela bandeira com a nacionalidade do atleta não foi preenchido, uma vez que a sua nacionalidade é omissa nos registos oficiais”, da União Ciclista Internacional (UCI).

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Aquela associação, que junta as federações nacionais de ciclismo, renovou, em maio de 2023, o seu apoio à Ucrânia, censurando simultaneamente as ações da presidência russa. A UCI reiterou “a condenação firme à agressão da Ucrânia pelo governo russo, apoiada pelo governo bielorrusso, e apela novamente à resolução rápida do conflito de acordo com o previsto no direito internacional”.

Em maio de 2023, a UCI determinou igualmente que os atletas russos e bielorrussos poderiam voltar a competir, algo que não podiam fazer desde o início da invasão. Contudo, com uma condição: os atletas tinham de ser “indivíduos neutros”, não podendo ter “qualquer envolvimento ou associação com a Federação Russa ou da República da Bielorrússia”.

Para impor essa “neutralidade”, a União Ciclista Internacional impôs uma série de regras, uma das quais a proibição de os atletas serem representados por “bandeiras, emblemas, hinos ou outros símbolos da Federação Russa ou República da Bielorrússia”. É também proibido que os ciclistas tenham qualquer ligação ao exército dos dois países ou tenham apoiado publicamente o conflito na Ucrânia.

Assim, tendo em conta que Artem Nych decidiu inscrever-se como atleta neutro, a RTP não poderia colocar, ao lado do nome do ciclista nascido na Sibéria em março de 1995, a bandeira russa, devido às proibições da UCI.

Conclusão

Não é verdade que a RTP tenha censurado propositadamente a bandeira russa. A estação pública portuguesa cumpriu apenas as regras aprovadas pela União Ciclista Internacional. Ainda que tenha permitido a participação de atletas russos e bielorrussos em maio de 2023, a associação impôs regras, uma delas a proibição de os ciclistas serem representados por bandeiras dos seus países natais.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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