Histórico de atualizações
  • Bom dia,

    obrigado por nos ter acompanhado. Pode continuar a acompanhar tudo sobre as eleições autárquicas em outro liveblog que abrimos para este sexto dia oficial de campanha eleitoral.

    Fique por aí.

    “Até logo”. Costa recusa falar de deslocação de Temido em carro do Governo para ação do PS

  • Autárquicas: PS, PSD, Bloco e IL concentram-se hoje na área metropolitana do Porto

    O PS, PSD, Bloco de Esquerda e Iniciativa Liberal apostam hoje no Norte, centrados na Área Metropolitana do Porto. A CDU está pela periferia de Lisboa e o líder do CDS apoia os candidatos na Madeira.

    Autárquicas: PS, PSD, Bloco e IL concentram-se hoje na área metropolitana do Porto

  • Costa não quer PRR entregue a autarcas de direita. E avisa que nas autárquicas não há negociações à Costa

    Em Braga, no comício ao fim do dia de mais de uma centena de quilómetros pelo distrito, António Costa voltou ao Plano de Recuperação e Resiliência para acenar com um perigo, na caça ao voto: “Não podemos ter municípios entregues a quem não quer o PRR, mas a quem quer arregaçar as mangas e pôr no terreno o PRR”.

    Fala como líder do PS, mas também como o primeiro-ministro que representou o país no Conselho Europeu que aprovou o PRR depois de dias de negociações, anotando que “desta vez a UE compreendeu que a solidariedade era necessária e em vez de nos mandar uma troika assumiu a responsabilidade de financiar planos de recuperação e resiliência nos 27″.

    JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

    Dois dos principais argumentos para retirar o PRR das mãos da direita, sçaoa saúde e a educação, com Costa a dizer que “temos de ter à frente das câmaras quem acredita na saúde pública e na escola pública”. E para quem não tivesse ainda chegado lá, António Costa sintetizou: “Não é a mesma coisa ter uma câmara liderada pela esquerda ou uma liderada pela direita”.

    Quanto ao apelo ao voto, está nos máximos nesta altura. Em Braga, ao lado do candidato Hugo Pires que tenta recuperar uma Câmara que esteve 37 anos nas mãos do PS, Costa apelou aos que “não sendo de direita desejam uma mudança em Braga”: têm de votar no PS, arrumou.

    E avisa que em autárquicas “não há negociações a posteriori”, “não é como nas eleições para a Assembleia da República em que cada um vota no seu partido e depois se podem constituir as maiorias que se entenderem”, como fez em 2015 quando perdeu as eleições e, ainda assim, formou uma maioria (de esquerda) para chegar ao Governo.

    JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

  • Líder do CDS já esperava que PS atribuísse à direita "fracasso do PRR"

    Francisco Rodrigues dos Santos diz que “direita até quis discutir mais este PRR” e que por vontade de Costa prioridades eram definidas sem o Governo “prestar cavaco a rigorosamente ninguém”.

    Líder do CDS já esperava que PS atribuísse à direita “fracasso do PRR”

  • Rio desvaloriza, Ventura quer pedido de desculpas ou demissão de ministra por uso do carro do Governo em ação do PS

    Líder do PSD desvalorizou o caso e pediu “compreensão e tolerância” já André Ventura aproveitou oportunidade para, em última instância, pedir a demissão da ministra.

    Rio desvaloriza, Ventura quer pedido de desculpas ou demissão de ministra por uso do carro do Governo em ação do PS

  • A aparição de André Ventura no Porto: da demonstração de poder ao candidato que ficou na sombra

    Ventura esteve no Porto para dar uma ajuda à campanha de António Fonseca para a câmara e por acreditar que vai conseguir um bom resultado num local que lhe deu os piores números das Presidenciais.

    A aparição de André Ventura no Porto: da demonstração de força ao candidato que ficou na sombra

  • O "sunset" de João Ferreira para falar de Cultura aos mais novos. Com uma farpa ácida a PS e BE

    É um clássico: o miradouro de São Pedro de Alcântara, em Lisboa, é conhecido por ser um ponto de paragem incontornável para ver a vista sobre a cidade e o rio e, entre os mais novos, para beber uns copos, muitas vezes antes de rumar ao Bairro Alto. Neste fim de tarde de sábado, um grupo grande, que forma um círculo e fala meio em português meio em inglês, honra a tradição: a ideia parece ser que cada um se deve servir de uma garrafa com um líquido transparente e provar depois para saber se calhou água ou vodka (afinal, descobrem momentos depois, era só uma partida: os copos tinham mesmo todos vodka).

    O outro “sunset” que decorre no mesmo miradouro, uns metros acima, é um bocadinho diferente. Desde logo, porque estes jovens não estão distribuídos em círculo nem têm copos na mão — largos minutos antes do evento, já se auto-distribuem de forma organizada em filas espaçadas e pegam nas suas bandeiras. Como se isso e as referências ocasionais ao PRR ou à corrida autárquica nas conversas não denunciassem já o caráter político do evento que os traz ali, há acessórios para ajudar: um dos jovens traz ao ombro um saco de pano com a frase “Cala-te, ó facho” impressa — uma das frases que ficaram do tempo de Jerónimo de Sousa como deputado constituinte.

    O “sunset” — é assim que aparece descrito na agenda oficial — que a CDU marcou com jovens do PCP e do PEV não implica, como habitual, copos de gin na mão nem coisa que se pareça, embora inclua um momento musical (do rapper GDM, que também esteve na Festa do Avante!). A conversa não é propriamente descontraída. Dos jovens que conversam com o Observador, Miguel Pinto, de 20 anos, repete o discurso oficial do partido — a CDU “tem condições para assumir todas as responsabilidades que os eleitores lhe derem” — e desvaloriza a pergunta sobre se é militante (“sim, mas o mais importante é este espaço de convergência”) e sobre se gosta do candidato a Lisboa (“não é uma opinião sobre ele, é sobre o coletivo”).

    Mariana Cal, de 18 anos, membro da JCP, está entusiasmada porque esta é a primeira vez que vai votar e confirma que considera a CDU “a única força política” capaz de impor políticas importantes para os jovens, recuperando, por exemplo, o extinto pelouro da juventude na CML — e assume ver em João Ferreira um candidato “bem preparado” e uma “boa aposta”. Já Miguel Cosme, que tem 22 anos e é estudante deslocado (de Coimbra para Lisboa), conhece como dirigente associativo “próximo da JCP” os problemas dos jovens, da habitação à mobilidade, sobre os quais discorre com facilidade. Também reconhece o trabalho feito por Ferreira (que já apoiava nas presidenciais de janeiro).

    São alguns dos jovens que esperam para ouvir João Ferreira, que sobe a um pequeno palco, pôr do sol ao fundo, e avisa: “Quase podemos dizer que a primeira coisa necessária na política cultural de Lisboa é mesmo ter uma política cultural”. A partir daí, prova o seu conhecimento sobre os “equipamentos culturais” da cidade — e a falta que fazem “para lá do Marquês de Pombal” — e explica as propostas da CDU para garantir que existe um “equipamento de referência” (teatros, salas de espetáculos, salas onde associações e grupos possam “criar” e produzir arte, etc) disponível para cada bairro ou freguesia; um passe anual, por um “valor simbólico”, para frequentar todos os espaços culturais municipais em Lisboa; a valorização da rede de bibliotecas, a recuperação do pelouro da juventude, etc.

    Para isso, e para “combater as dinâmicas especulativas” em torno da Cultura e impedir que apenas uma “minoria privilegiada” tenha acesso a ele, Ferreira faz um apelo concreto: “É preciso força para, mais do que apresentar ideias e aprovar, torná-las realidade. Não nos chega que as coisas existam no papel”. Uma farpa ácida ao acordo PS/BE, para acabar: “Peguem no que foi o acordo de governo — foi esse nome que lhe deram –, que encontrarão facilmente, se não o tiraram, da internet… Não foi por falta de recursos que não se faz mais”. E o que a CDU quer é fazer mais, com mais poder: recuperar “o papel que teve, pode e vai voltar a ter”, promete Ferreira.

    Os jovens ficam com o momento de rap, depois do momento político. É sábado à noite, o sol já se pôs e quem quiser continuar, provavelmente sem referências ao PRR ou a política cultural pelo meio, tem o Bairro Alto ao lado.

  • A crítica, o diálogo em espanhol e um encontro com os pais de Barbosa Ribeiro. "Não podemos aceitar, somos os pais do Tiago"

    Num dia totalmente dedicado a arruadas, Vladimiro Feliz mostrou-se confortável no contacto com as pessoas. Fintou criticas, ouviu queixas, falou espanhol e até conheceu os pais de Barbosa Ribeiro.

    A crítica, o diálogo em espanhol e um encontro com os pais de Barbosa Ribeiro. “Não podemos aceitar, somos os pais do Tiago”

  • "Não nos devemos desviar do caminho certo". Costa chama voto a si e faz campanha ao lado de acusado pelo MP

    O dia do líder do PS termina o dia na cidade de Braga, depois de uma volta pelo distrito que ao final da tarde ainda passou por um momento de política-com-todos, em Barcelos. E todos porque estava o presidente (dinossauro já no terceiro mandato) acusado há dois dias pelo Ministério Público por prevaricação e abuso de poder, o candidato que o PS quer que o substitua, o líder, o adjunto e o cacique local. E também um galo de Barcelos em tamanho XL, debaixo do braço de António Costa, e bolas de futebol com o símbolo do PS chutadas para o público no final do comício no Largo da Porta Nova.

    JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

    Miguel Costa Gomes, presidente da Câmara de Barcelos desde 2009, sai agora de funções por causa da lei de limitação de mandatos. Há dois dias foi acusado de dois crimes pelo Ministérios Público por supostos ajustes diretos, à margem da lei, para serviços de vigilância e segurança privada.

    O frio começava a cair, mas a receção minhota é tão intensa que até o líder do PS-Braga fica entalado entre o carro e a multidão quando António Costa chegou para o comício. Dali, o líder do PS levou um galo de Barcelos oferecido pelo candidato à autarquia Horácio Barra e no final do comício, de galo debaixo do braço, chutou bolas de futebol pela assistência qual futebolista vitorioso no fim da partida.

    JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

    E a vitória que Costa quer, no dia 26 de setembro, é uma goleada, que não deixe dúvidas para lá da leitura local. Ou seja, não permita qualquer interpretação que estrague os seus planos nacionais. “Não nos podemos desviar do caminho certo”, afirmou quando apelava ao voto no PS nestas autárquicas.

    Por Braga, onde esteve o dia de hoje, Costa garante ter visto “uma enorme mobilização em todas as terras” e ter ouvido quem “nunca votou no PS mas agora querem manter o rumo certo”. A expressão “rumo certo” é o slogan da sua liderança no partido. Votar nos candidatos do PS é, assim, votar no seu Governo.

    JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

  • Jerónimo quer resgatar Almada do "retrocesso" e diz que Inês de Medeiros “já se assume como oposição à CDU”

    No ex-bastião dos comunistas, Jerónimo de Sousa acusa a atual presidente, Inês de Medeiros, de ter deixado “Almada andar para trás”. Já Maria das Dores Meira, candidata da CDU, também não poupa nas críticas à gestão dos últimos quatro anos, num discurso em que chegou a dirigir-se aos habitantes de Almada como “setubalenses”.

    Ouça aqui a reportagem.

    Jerónimo quer resgatar Almada do “retrocesso” e diz que Inês de Medeiros “já se assume como oposição à CDU”

  • A CDU "põe a candidatura do PS nervosa", diz Jerónimo de Sousa em Almada

    O comício era da CDU em Almada, mas foram quase tantas as vezes que se ouviu a palavra “CDU” como “PS”. Jerónimo de Sousa encerrou esta tarde o comício do partido no município, em que acusou a atual gestão do PS de ter trazido “retrocesso” a Almada. Debaixo de vento mas de um calor abrasador, o secretário-geral do PCP assumiu que está confiante na recuperação da autarquia para os comunistas, mas o discurso foi apontado a Inês de Medeiros e à gestão dos últimos quatro anos. “Eles sabem que a obra da CDU em Almada, interrompida há quatro anos, está bem viva e as provas dadas pelos nossos candidatos põem a candidatura do PS nervosa”, aponta Jerónimo de Sousa.

    O líder comunista vai mais longe e defende que a candidatura encabeçada por Inês de Medeiros “já se assume como oposição à CDU”. Acusa a gestão do PS em Almada como de “paralisia e retrocesso” e acredita que os munícipes “comparam o antes, com a CDU, e o depois, com o PS”, afirmando que “quatro anos bastaram para ver como Almada andou para trás”.

    Num discurso que teve de ser interrompido (“Camaradas, desculpem estar um pouco rouco, mas foi tão bonito ontem em Viana do Castelo, em Guimarães, no Porto… que valeu a pena a rouquidão, valeu sim”), Jerónimo de Sousa garantiu que Maria das Dores Meira é a mais bem colocada para assumir os destinos de Almada e acusa Inês de Medeiros de ter prometido “proximidade e participação e o que se vê é distanciamento e desprezo”.

    Maria das Dores Meira, candidata da CDU a Almada, interveio antes do líder comunista, para também apontar baterias à principal adversária. A advogada, que defende que “a obra [em Setúbal] fala por si”, alinha no discurso do secretário-geral do PCP e não poupa nas críticas. “De forma atabalhoada, o atual executivo deu início a um trabalho de cosmética no final do mandato”, aponta, acusando Inês de Medeiros de ter transformado Almada “num estaleiro” e de fazer “obras para encher o olho”, que “a Comissão Nacional de Eleições já condenou como propaganda ilícita e desonesta”.

    A ex-presidente da Câmara de Setúbal e candidata à Almada cometeu ainda a chamada “gaffe”, ao dirigir-se aos habitantes de Almada como “setubalenses”. Prontamente corrigiu: “Peço desculpa. Almadenses. Peço muita desculpa, mas isto… ainda não está no sítio. Peço desculpa”. O episódio foi rapidamente esquecido entre os fortes aplausos a Maria das Dores Meira.

    No fim, as críticas à candidata do PS à Câmara de Almada estenderam-se ao líder máximo do partido, o secretário-geral socialista, pela “forma abusiva” com que António Costa tem referido o Plano de Recuperação e Resiliência nestas eleições. “A nossa indignação tem a ver com a habilidade do cidadão António Costa de retirar, à hora de almoço, a gravata oficial de primeiro-ministro, abrir o botão de cima da camisa, arregaçar as mangas e oferecer aos candidatos do seu partido fatias da tal bazuca“, concluiu, arrancando fortes assobios da plateia naquele que é o ex-bastião comunista, que a CDU acredita recuperar no dia 26 de setembro.

  • Ventura diz que ministra da Saúde tem de pedir desculpas ou demitir-se após ter usado carro do Governo na campanha

    André Ventura considera “muito grave” que a ministra da Saúde tenha utilizado o carro do Governo para participar numa acão de campanha de Tiago Barbosa Ribeiro, candidato à Câmara Municipal do Porto. E acrescenta que Marta Temido só tem uma de duas soluções: ou pede desculpa, ou tem de deixar o lugar que ocupa.

    Para o líder do Chega não se trata de uma “mera questão política”, mas sim do facto de a ministra da Saúde ter “violado o próprio código de conduta e de ética aprovado pelo Governo de António Costa”.

    “O que eu espero é um pedido de desculpas esta noite ou a demissão da ministra da Saúde”, atira Ventura.

    Apesar disso, o líder do Chega revela ainda que o partido vai “questionar o Governo na Assembleia da República” sobre este tema.

    Marta Temido utilizou carro do Governo para participar em campanha do Partido Socialista

  • André Ventura esteve 20 minutos no Porto, juntou centenas de pessoas, mas contacto com a população foi impossível

    André Ventura esteve 20 minutos na arruada do Chega na Rua de Santa Catarina, no Porto. Chegou, andou uns metros, falou quase 15 minutos aos jornalistas e foi embora. A confusão que se instalou, os empurrões e todo o ambiente não permitiram sequer que a comitiva ouvisse ou falasse com alguém.

    Ainda antes da chegada, centenas de pessoas esperaram pelo líder do Chega no cruzamento na Rua de Fernandes Tomás, junto à entrada do metro do Mercado do Bolhão, e o momento transformou-se no maior ajuntamento de pessoas até esta fase da campanha eleitoral. Muitos tentaram até aproximar-se do líder do partido, mas foi impossível haver qualquer contacto com a população.

    Ventura estava rodeado de seguranças, parou para responder aos jornalistas também numa bolha intensa e acabou por abrir espaço a uma ou duas fotografias, nada mais do que isso.

    Se o líder do Chega vinha ao Porto falar com as pessoas não foi bem sucedido, mas transformou completamente a campanha que até agora estava a ser feita na Invicta, em que António Fonseca surge pelas ruas da cidade acompanhado por muito poucas pessoas e passa praticamente despercebido.

  • Costa diz que "nos próximos dias país dará pandemia por controlada". E ataca direita em Famalicão

    Mais uma paragem de António Costa, mais um comício, agora em Vila Nova de Famalicão, no Parque de Sinçães. Foi ali que o líder do PS que também é primeiro-ministro disse que “nas próximas semanas ou, quem sabe, até nos próximos dias, o país dará a pandemia por controlada”.

    Depois da reunião do Infarmed da última semana, faltam as novas medidas do Governo, para a última fase de levantamento de restrições da pandemia. Costa já tinha avisado que isso aconteceria nas próximas semanas, mas agora já fala nos próximos dias.

    A pandemia serviu ao líder socialista também para atacar o PSD, numa região fortemente marcada pela indústria para repetir a sua ideia de que “não é com austeridade que se responde à crise”. E relembrar que PSD e CDS “diziam que o diabo vinha aí” e que foi o PS que chegou a ter o excedente na mão.

  • Líder do CDS imputa tiroteio a "forças extremistas" e diz que partido não se deixa intimidar: "Portugal não pode regressar ao tempo do PREC"

    Francisco Rodrigues dos Santos caracterizou o tiroteio que surpreendeu a candidata à freguesia de Palmela como um “atentado contra a democracia perpetrado por forças que são altamente extremistas”.

    Líder do CDS imputa tiroteio a “forças extremistas” e diz que partido não se deixa intimidar: “Portugal não pode regressar ao tempo do PREC”

  • “Não faltaremos”. Bloco pede força para negociar com PS em Lisboa: “É onde acaba a maioria absoluta que começa a mudança”

    As cartas estão na mesa. No final da primeira semana de campanha em Lisboa, o Bloco deixa claro que está a fazer tudo para tomar a dianteira como parceiro preferencial do PS e deixar o PCP para trás. Em Lisboa, no Largo de São Carlos, o partido fez questão de reunir as tropas lisboetas — os vereadores do distrito, os candidatos, a líder — e fazer uma espécie de pré-negociação em direto.

    Catarina Martins não podia ter sido mais clara quanto à vontade do Bloco. “Se nos perguntarem o que queremos fazer nos próximos quatro anos, queremos fazer o que ainda não foi feito”. E o que “ainda não feito” é o que o Bloco começou a fazer, com o acordo de governação assinado ao lado do PS, em 2017, e quer continuar: “Quatro anos mostraram que é onde acaba a maioria absoluta do PS que começa a mudança na cidade. Temos de avançar”, reforçou.

    O discurso está pejado de farpas que podem ir diretas contra o vizinho da esquerda. Se João Ferreira tem acusado o Bloco de ter assinado de cruz o acordo com os socialistas, Catarina Martins veio responder: “Não nos verão, como nunca nos viram, passar cheques em branco a ninguém”. Traduzindo: “Sim, estamos disponíveis para acordos de executivos, se eles garantirem o direito à Habitação, ao Transporte e à Igualdade”.

    Essas serão as áreas a que os bloquistas deverão dar prioridade se se confirmar o que as sondagens preveem — uma vitória de Fernando Medina — mas sem que o PS chegue à maioria absoluta. Até porque, e mais uma vez em contraste com o PCP, Catarina aproveitou para garantir que em Lisboa — um pouco em inversão do que acontece a nível nacional — o BE é uma espécie de parceiro estável: “Não faltamos, não faltaremos. Construímos soluções”. Isto, claro, com “a força” que o partido “tiver”.

    As promessas de atenção e propostas concretas foram dedicadas “aos jovens que querem sair de casa dos pais”, aos que têm dificuldade em pagar a casa ao fim do mês, aos idosos “expulsos da casa onde sempre mudaram” — Habitação, Habitação e mais Habitação, a área que já em 2017 era a prioridade das prioridades do Bloco e que ficou bem aquém dos objetivos de arrendamento acessível que a maioria PS/BE prometeu.

    De quem é a culpa? Segundo os bloquistas, do PS, que “quando pode, faz tudo para que não haja nenhuma mudança estrutural”, descreveu Catarina Martins. Por isso, para o BE, há “orgulho no caminho feito”, mas foco no “tanto que há por fazer” — sem “pôr a cabeça na areia”.

    Foram palavras em sintonia com o discurso da candidata, Beatriz Gomes Dias, que momentos antes admitia que há “muito para fazer” e reclamava para a vereação do Bloco os louros de várias medidas, da melhoria das refeições nas escolas à regulação do alojamento local.

    Chegados à Habitação, o handicap da esquerda — pelo menos em termos de cumprimento de objetivos –, a mesma explicação: “Foi na Habitação que o Bloco mais falhou nos últimos quatro anos”. Acabar com a “política desastrosa” das parcerias público-privadas na Habitação tem sido exigência constante das intervenções do Bloco; resta saber se se manterá caso o PS falhe a maioria absoluta e os partidos passem dos palcos à mesa das negociações.

  • Comício de reconciliação recheado em Vizela para receber Costa. Mas também outro António

    A Praça da República em Vizela estava cheia, com muita gente junto ao palco do comício onde António Costa discursou para uma plateia animada que ouvia o socialista falar da “grande mola” da Europa que é “superior ao plano Marshall a seguir à 2ª Guerra Mundial”, o PRR, e que não arredou pé nem mesmo depois do fim do discurso. Afinal a seguir vinha a atuação esperada do cantor Toy.

    Atrás do palco, quando já se ouviam os primeiros acordes do Nessun Dorma de Puccini — que dá sinal que António Costa se aproxima do fim do discurso –, Toy tirava selfies e os seus músicos preparavam-se para subir para o fundo do palco. Descia o pano sob António Luís Santos da Costa e subiu o de António Manuel Neves Ferrão, Toy. E não faltava também, lá atrás, o espeto de porco preto.

    A mais antiga estratégia de atração para um comício político em todo o seu esplendor na terra da reconcliação socialista. Foi disto que se tratou aquele comício com a presença do secretário-geral do PS, sempre acompanhado do adjunto no partido José Luís Carneiro. Há quatro anos, o candidato do PS a Vizela, Vítor Hugo Salgado, saiu da equipa do PS que geria a Câmara, em conflito, e candidatou-se por um movimento independente. Ganhou a câmara, mas desta vez volta para se recandidatar pelo PS e dar a Costa “um dos momentos mais felizes” da sua vida política.

    Foi o próprio que o disse no comício que começou com uma hora de atraso e onde Costa chegou entre bombos, pétalas de rosas sobre a cabeça e muita gente que tentava cumprimentá-lo. Quando subiu ao palco, logo a seguir ao candidato, o líder do partido reconheceu, perante quem votou em Vítor Hugo em 2017: “Percebemos bem o sentido do vosso voto e o erro que foi cometido”.

    O candidato, antes dele, tinha apelado ao voto e elogiado a gestão da pandemia de Costa. No fim deu-lhe um bolinhol de Vizela, o bolo típico que foi considerada uma das 7 maravilhas dos doces de Portugal.

  • PAN diz que alterações climáticas não se resolvem com aumento da energia

    Inês Sousa Real defendeu que o aumento da fatura da eletricidade não resolve as alterações climáticas. A porta-voz do PAN sublinhou que não deve haver um monopólio das grandes empresas de energia.

    PAN diz que alterações climáticas não se resolvem com aumento da energia

  • No Mercado de Alvalade, com Medina munido de rosas "que não são falsas", há quem vote Moedas porque "ele disse que tirava as ciclovias"

    Reportagem no Mercado de Alvalade, em que as comitivas de Medina e Moedas não se cruzaram por uma hora. O socialista ofereceu rosas aos comerciantes e o candidato da direita surgiu com Ferreira Leite.

    Ouça aqui a reportagem.

    No Mercado de Alvalade, com Medina munido de rosas “que não são falsas”, há quem vote Moedas porque “ele disse que tirava as ciclovias”

  • Moedas critica António Costa e Ferreira Leite afirma: "Estamos no caminho do empobrecimento, que está personificado totalmente em Lisboa"

    Foi por pouco mais de uma hora que a comitiva das duas principais candidaturas à Câmara Municipal de Lisboa não se cruzaram.

    Carlos Moedas e Fernando Medina escolheram esta manhã visitar o Mercado de Alvalade. O candidato da direita surgiu com um apoio de peso — Manuela Ferreira Leite, antiga líder do PSD e antiga ministra das Finanças. “Hoje, ter aqui a dra Manuela Ferreira Leite para mim é muito importante, mais do que tudo, do ponto de vista pessoal, é uma pessoa que eu admiro e estou muito contente de ela estar aqui a dar o seu tempo”, aponta.

    Em declarações aos jornalistas, Carlos Moedas apelou ao voto dos indecisos já no próximo dia 26 de setembro. Já questionado sobre as declarações do líder do PSD, que acusa António Costa de estar a usar a função de primeiro-ministro para fazer campanha nestas autárquicas, Carlos Moedas está em linha com o que defende Rui Rio: “Parece-me evidente que o primeiro-ministro tem utilizado como bandeira um instrumento que é de todos os portugueses. Este plano de reformas, esta bazuca europeia, é de todos os portugueses, não é do PS. É bom que os portugueses tenham essa consciência e que o PS não utilize na campanha eleitoral uma arma que é de todos”, aponta.

    Sobre se Rui Rio deveria apresentar uma queixa formal junto da CNE contra o secretário-geral socialista, Carlos Moedas prefere não comentar, estando “focalizado em Lisboa”.

    Também em declarações aos jornalistas, sobre as diferenças entre Moedas e Medina, Manuela Ferreira Leite afirmou que são duas pessoas “que nada têm a ver uma com a outra, no projeto e na forma de estar”.

    A antiga presidente do PSD e antiga ministra das Finanças vai mais longe e aponta baterias a Fernando Medina: “É totalmente dependente e é uma voz da execução de uma política de governo que tem uma aliança há vários anos com a esquerda radical do país e todos sabemos quanto isto nos leva a empobrecer. Estamos no caminho do empobrecimento, que está personificado totalmente em Lisboa”, salientou Ferreira Leite, acrescentando que o candidato socialista “se prepara para se aliar ao Bloco de Esquerda”. “É o caminho da ruína do país”, conclui Ferreira Leite.

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