Estamos a começar o vigésimo primeiro ano e a fechar os primeiros 20 do segundo milénio (2000-2019).

Em termos tecnológicos, os últimos 20 anos foram anos ricos. Para aqueles que viveram antes destes 20 anos, ou para aqueles que têm mais de 35 anos, a juventude ainda terá sido qualquer coisa impensável hoje em dia e qualquer coisa não tecnológica ou muito pouco tecnológica. Esses, todos esses, viveram duas vidas muito diferentes. Para todos aqueles com menos de 35, de 30, de 25, de 20, enfim, a tecnologia quase nasceu com eles. Desconhecem ou não se lembram de outro mundo que não o da tecnologia. Toda a tecnologia que aqui, de forma simplista e altamente incompleta, se enuncia. Foram 20 anos de avanços ímpares. Todos sabemos isto, mas revisitar alguns momentos no tempo deste vinte anos não custa.

  • Os primeiros telemóveis com câmaras nascem em 2000.
  • As primeiras pen’s (interface USB 2.0) datam de 2000 e foram vendidas pela IBM.
  • O Bluetooth data também de 2000.
  • O Ipod foi o grande corredor dos MP3 e data de 2001. O primeiro a colocar mil músicas no nosso bolso. E nos nosso ouvidos.
  • A Wikipedia nasce em 2001.
  • O Prius, da Toyota, o primeiro carro híbrido, nasce em 2001 fora do Japão.
  • O Skype (a empresa) nasce em 2003. Só mais tarde foi adquirida pela Microsoft (2011).
  • O sistema Android nasce em 2003. Foi adquirida, a empresa, em 2005 pela Google. Só em 2008 viria a entrar nos smartphones como sistema.
  • A PlayStation Portátil nasce em 2004.
  • O Facebook nasce em 2004.
  • YouTube nasce em 2005. É comprado em 2006 pela Google por 1,65 mil milhões de dólares.
  • O Twitter nasce em 2006.
  • A Nintendo Wii nasce em 2006.
  • O primeiro iPhone em 2007. Aqui nasce, de facto, o sistema IOS da Apple.
  • E nasce, também, o Kindle (e-book; Amazon) em 2007.
  • Os smartphones com tecnologia Android nascem em 2008, como já referido.
  • O Spotify, streaming de música, nasce igualmente em 2008.
  • O WhatsApp nasce em 2009. Em 2014 foi adquirido pela Facebook. E a partir daí começou uma cavalgada impressionante como “rede social”.
  • O Instagram nasce em 2010 para IOS e em 2012 para Android.
  • O Ipad nasce em 2010.
  • Watson, a plataforma de serviços cognitivos da IBM, nasce também em 2010. O boom da Inteligência Artificial estava ditado. Na verdade, porém, o seu nascimento vem logo após a segunda guerra mundial.
  • O Microsoft Azzure, também de 2010, lançou definitivamente o cloud computing.
  • Concomitantemente, e em 2010, começa a ganhar expressão a televisão 3D.
  • As redes 4G foram lançadas nos EUA em 2011.
  • O i-Messaging é lançado em 2011. Ou seja, o lançamento do envio de mensagens via wi-fi em vez do uso de SMS.
  • O Snapchat nasce igualmente em 2011.
  • A Uber, e em consequência a expansão dos modelos de negócio uberizados nascem, igualmente, em 2011.
  • Ainda em 2011, a Honda lança um robot humanoide chamado Asimo.
  • O Surface, da Microsoft, nasce em 2012.
  • O Tesla Modelo S nasce igualmente em 2012.
  • Em 2012 o Chrome também se tornou o browser mais utilizado.
  • 2012 foi igualmente o ano de impressão 3D da primeira mandíbula.
  • As Bitcoins nasceram em 2009. A Ethereum foi, porém, criada em 2013. E com ela o boom das tecnologias blockchain.
  • Também em 2013 é lançada na Netflix, como primeira série web, House of Cards.
  • A Alexa da Amazon nasce em 2014.
  • O Windows 10 vem igualmente em 2014.
  • Os Apple Watch nascem em 2015.
  • O Google Assistant nasce em 2016.
  • O Pokemon Go nasce igualmente em 2016. E o boom da realidade aumentada idem.
  • O Modelo 3 da Tesla nasce em 2017.
  • Em 2018 os utilizadores de internet ultrapassam metade da população do mundo.
  • Em 2019 a Google anuncia a supremacia quantum (resolução de problemas que computadores convencionais não resolvem).

E mais, muito mais poderia aqui colocar em cada um destes 20 primeiros anos, entre 2000 e 2019.
Não vou confirmar, nem negar, a célebre frase de Einstein: “It has become appallingly obvious that our technology has exceeded our humanity.” No ano 2020 convém, porém, deixar três questões para reflexão de todos nós e para as quais desconheço, por completo e em parte, as respostas. Porquê? Porque são as questões que de facto deviam (opinião pessoal) importar ao homem:

  1. O homem está mais conhecedor do seu eu, mais capaz de deixar à tecnologia o que a ela pertence e dedicar-se mais, melhor e de forma mais intensa e profunda ao trabalho do seu self?
  2. O homem está mais capaz de partilhar, de se conectar, de interagir e de conviver e aprofundar relações humanas com significado/propósito com os demais seres humanos?
  3. Enfim, o homem estará mais capaz de se gerir como homem e de se tornar mais homem pela tecnologia ou, pelo contrário, estará mais capaz de se tornar mais máquina por via dela?