Em Março de 1933, a Constituição do Estado Novo, foi sujeita a plebiscito. Entre dificuldades no recenseamento, restrições ao voto e contagem de abstenções como votos a favor (já dizia o povo, quem cala consente…), esta foi aprovada por  mais de 90% dos portugueses.

Em Janeiro de 2021, existem outras condicionantes ao exercício do voto como o Estado de Emergência e a situação pandémica.

Tal como em 1933, ao poder instalado (António Costa) não interessa uma participação expressiva, para, poder à posteriori, poder desvalorizar os resultados destas eleições.

E se as eleições presidenciais, nos últimos 30 anos, cada vez mobilizam menos eleitores, porque não no futuro, regressar ao voto indirecto? Como Salazar fez após o “susto” das eleições de 1958, com Humberto Delgado.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A alta abstenção  interessa também aos candidatos dos extremos ,que já têm o seu voto fidelizado. O candidato da CDU, irá obter pelo menos 300.000 votos, cujo peso eleitoral é completamente distinto se votarem, 4 milhões ou 6 milhões de portugueses. E o mesmo se aplica a Marisa Matias com um número semelhante de votos “seguros”, e mais ainda a André Ventura, cujo número de votos é uma incógnita.

Está justificada a importância de votar nestas eleições, em candidatos moderados, não só para não esvaziar a importância do cargo de Presidente da República, como para evitar tendências extremistas que condicionem o caminho que vamos seguir nos próximos 5-10 anos.

No caso do Presidente actual, Marcelo Rebelo de Sousa, nos últimos 2 anos, tem sido o presidente que o PS deseja, o que já foi devidamente analisado. Para uma maioria significativa dos 2,4 milhões de eleitores que votaram em Marcelo, este desiludiu e merece uma advertência, um “cartão amarelo”. E até Dezembro, havia o dilema, entre o voto de protesto e fragilizar Marcelo, ou votar contrariado , sem entusiasmo, na  expectativa de que o segundo mandato fosse diferente.

Mas depois surgiu Tiago Mayan, que nos debates se revelou uma agradável surpresa. Tal como Joe Biden,nos Estados Unidos, Mayan vale mais por aquilo que ele não é, (extremista, populista, ou colado ao Governo)  do que por aquilo que tem defendido (que também abordou alguns temas de forma muito construtiva).

É  a única alternativa a Marcelo sem enveredar por populismos (Ana Gomes e André Ventura) ou pela Extrema Esquerda (Marisa Matias e João Ferreira).

Com um voto em Mayan, matam-se cinco coelhos”, a ver :

  • tem uma dimensão de protesto, mas construtivo, sem o perigo que representa André Ventura
  • é uma advertência a Marcelo, sem o fragilizar, na relação posterior com António Costa
  • é um voto claro de censura ao desempenho do governo nas várias frentes
  • é um voto de travão à “união das esquerdas” representada nas 3 candidaturas à esquerda
  • é um voto de confiança a uma aliança de centro-direita, nas próximas eleições Autárquicas e  Legislativas

Se um em cada dez eleitores de Marcelo em 2016 (240.000) derem o voto a Mayan, este pode ficar à frente de Marisa Matias e João Ferreira sem pôr em causa a eleição de Marcelo à primeira volta.

Se um em cada quatro eleitores de Marcelo em 2016 (600.000) apostarem em Mayan, este pode passar à frente de Ventura e Ana Gomes.

O leitor já imaginou  se houvesse uma segunda volta entre Marcelo e Mayan? A mensagem que passava para a esquerda? E para o populismo de direita? O descanso que seria para as nossas instituições?

Não, não é um sonho, está ao alcance de todos nós, desde que não nos refugiemos na abstenção, no voto em branco ou no voto “fatalista” em Marcelo.