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É quase inevitável que alimentemos a ideia que faremos da vida o que quisermos que ela seja. Na verdade – com queixas, ressentimentos, sofrimentos ou traumatismos, até – todos nós fomos, de alguma forma, mimados. E acabamos por transportar essa experiência para uma dimensão mais “macro”. Vendo com atenção, nem sequer admitimos que a vida não nos mime. No mínimo, à escala do mimo que recebemos à medida que fomos crescendo.

É claro que – se as pessoas da nossa vida estão, regra geral, mais ou menos no lugar – nem nos passa pela cabeça que as coisas mudem, de um dia para o outro. E, no entanto, passarem-nos coisas pela cabeça é o que há de mais próximo que existe em relação ao amor pela vida. E acontece-nos a todo o momento. Por mais que tenhamos sido educados para nos distrairmos disso. Dando mais vezes atenção a quem não a merece. Ou a conhecimentos esdrúxulos que não cabem na cabeça de quem insiste em pensar. Como acontece, muitas vezes, na vida. E, algumas, na escola. Dando mais valor aquilo que nos demonstram que é a verdade do que a tudo o que ela acaba por ser, quando a sentimos. Eu acho (mesmo!) que nós passamos a vida a não escutar, com a seriedade devida, aquilo que nos passa pela cabeça. E é por aí que a escola devia começar. A apanhar “no ar” aquilo que passa pela cabeça das crianças. Para as conhecer. E aprender com elas.

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