Esta semana tivemos mais um motivo para nos orgulharmos imenso do nosso país. Há uma universidade portuguesa, a Universidade de Coimbra, que está taco a taco com a Universidade de Cambridge do Reino Unido. “Mas a que nível?”, perguntarão os mais distraídos. “Em termos do prestígio do curso de Matemática Aplicada?” Não. “Então será pela quantidade de prémios Nobel da Química que lá se formaram?” Hum, também não. “Espera. Só pode ser por, depois de imensos médicos portugueses – muitos formados em Coimbra – terem emigrado para Inglaterra, haver agora médicos formados em Cambridge a imigrar aos magotes para Portugal”. E de novo, não. É ainda mais prestigiante que tudo isso. O que une os dois estabelecimentos de ensino é que também a Universidade de Coimbra vai eliminar o consumo de carne de vaca nas suas cantinas.

Na senda desta novidade a Tuna Académica da Universidade de Coimbra já acrescentou uma estrofe ao imorredoiro tema “A Mulher Gorda”, que é a seguinte:

A mulher que ingere carnes vermelhas
Para mim não me convém
Eu não quero andar na rua
Com uma apreciadora de acém

Perde-se um pouco ao nível da métrica, concedo, mas ganha-se claramente em activismo ambiental. Para justificar esta medida o reitor da universidade, Amílcar Falcão, destacou que “vivemos um tempo de emergência climática” e que é necessário “colocar travão nesta catástrofe ambiental anunciada”. Sem dúvida. E a culpa da calamidade ecológica é das sacanas das vacas. Que ainda por cima hoje em dia são um bicho sem qualquer tipo de préstimo: aqueles lindos tapetes em pele com o formato da vaca escalada, género dourada na grelha, estão fora de moda; o leite agora só presta se for de soja, amêndoa, ou quinoa (infelizmente tudo coisas dificílimas de ordenhar); os bifes afinal fazem mal à saúde e a produção de carne vai fazer a Terra explodir.

Portanto, toca a abater os mil milhões de cabeças de gado vacum que há no planeta e é já. Empilha-se a bicharada e incinera-se. Espera, incinerar talvez não seja o mais ecológico, que uma pira desse tamanho é coisa para fazer uma fumarada maior que a daquele vulcão islandês, o Eyjafjallanãoseiquêkull. Talvez seja melhor enterrar os bichos. Quer dizer, enterrar é coisa para contaminar os lençóis freáticos. Já sei. Senhor Reitor, a solução não é comer menos carne de vaca. A solução é, pelo contrário, comermos muito mais carne de vaca. A única forma de darmos contas destas malandra de vez é comermos vacas a um ritmo superior àquele a que elas se reproduzem. Esqueça as praxes frívolas tipo jogar vólei com ovos, ou medir a faculdade com um palito. Se já a partir deste ano lectivo cada caloiro for obrigado a ingerir meia tonelada de bifes da vazia por semestre ainda vamos a tempo de salvar a Terra!

O que me deixa tranquilo nisto das alterações climáticas é o facto da ONU estar preparada para abordar o tema de forma adulta, ponderada e tranquila. Nesse espírito a organização convidou para discursar na Cimeira da Acção Climática uma adolescente colérica e espavorida, Greta Thunberg. A propósito. O que terá a ONU a dizer do obsceno aproveitamento político que a ONU fez de uma menor com uma perturbação neuropsiquiátrica? A resposta certa é: “Sacana do Trump que não há maneira de alinhar nesta nossa histeria com as alterações climáticas, pá!”

A propósito do discurso irado da jovem sueca disse o Público que os “Líderes mundiais fizeram promessas, mas não limparam as lágrimas de Greta”. Depois desta muito chorosa apresentação restava uma saída digna a António Guterres: pedir desculpa à menina e mandá-la para casa descansar. Mas o secretário-geral das Nações Unidas tinha outros planos. Escaldado com a capa da Time de há três meses, desta vez tirou os sapatos e as meias e arregaçou as calças para não arriscar molhar o fato.