A dívida total do Estado, empresas e das famílias representa cerca de 320% do PIB. Apesar deste valor ser bastante inferior ao valor máximo de 380% registado em 2012, continua a ser um dos mais elevados do mundo. Este montante de dívida expõe a economia portuguesa a graves riscos e põe a nu a debilidade das nossas instituições.

Uma crise nos mercados financeiros pode expor a população portuguesa a graves riscos. Num contexto de redução demográfica e da população em idade a activa, quanto mais tarde a dívida for paga maior será o esforço exigido por trabalhador. Reduzir a dívida é assim o melhor seguro que podemos fazer para acautelar o futuro. Daqui decorre a importância de alcançar excedentes orçamentais em 2020 e nos anos seguintes.

A dívida foi uma das mais importantes inovações da história da humanidade. A dívida é um instrumento financeiro que permite realizar investimentos ou antecipar consumo que os rendimentos do Estado, das empresas ou das famílias não permitem financiar na totalidade. O desenvolvimento dos mercados financeiros tornou mais complexa a relação entre o presente e o futuro e, por outro lado, mais imbrincada a relação económica entre os países.

Na história económica não faltam exemplos dos efeitos positivos da dívida no crescimento das economias e no bem-estar das sociedades. No entanto, não faltam também exemplos de crises económicas e de falências empresariais e pessoais, com consequências muitas vezes trágicas, em resultado da incapacidade de cumprir um contrato de crédito. De facto, as crises da dívida, sobretudo quando estão associadas a crises bancárias, resultam em recessões prolongadas, recuperações lentas e elevados custos económicos e sociais.

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