Enquanto ex-Conselheira do Conselho Nacional de Educação, começo com as palavras proferidas recentemente pelo Conselho: Esta lamentável ocorrência pode ser também uma grande oportunidade de estudo e desenvolvimento de formas de ensino a distância e de valorização de outras formas de aprendizagem – numa antecipação das possibilidades, exigências e desafios que o futuro abre à educação. Neste momento histórico em que vivemos importa reconhecer que nada ficará como dantes.

Portugal investiu no futuro com a aposta no Plano Tecnológico pelo Governo 2005-2009, com vista a superar os atrasos de um povo que passou a ter de competir num mercado de emprego modernizado, em que o uso das novas tecnologias comanda o barco. Este gravíssimo problema de saúde pública é uma oportunidade de dar continuidade a uma política pública visionária. Tal como o anterior Governo, também o atual Governo, através do Ministério da Presidência e da Modernização Administrativa, continua a apostar no desenvolvimento e execução de uma política global e coordenada de modernização do país e inovação.

O Estado tem capacidade instalada ao nível do conhecimento, as universidades são um parceiro importante, tal como as empresas do setor e, muito importante, as autarquias e, em especial, as escolas. Juntos certamente conseguem implementar, em tempo útil, um novo plano tecnológico da educação para enfrentar os desafios impostos pelo Covid-19. Os fundos da UE são um recurso. Esta pandemia é avassaladora, mas não é um tsunami que arrasa com tudo.

Os alunos que hoje estão confrontados com um problema de saúde pública desta dimensão têm de se proteger e adaptar às regras impostas, mas têm de ter uma resposta do sistema de educativo à altura dos novos tempos. Com o Plano Tecnológico equiparam-se as escolas com ligação à internet em banda larga de alta velocidade; criaram-se infraestruturas e a instalação do equipamento ativo, para permitir o acesso à internet nas salas de aulas, incluindo cobertura wireless; dotaram-se as escolas e alunos com computadores, instalaram-se nas salas de aula videoprojectores e quadros interativos. Não falamos de um mundo perfeito e acabado, e nem todas as escolas e professores se adaptaram, mas a maioria sentiu-se convocada para esse esforço.

Os professores passaram a ter acesso a uma diversidade de formações na área das novas tecnologias. Esta tornou-se uma ferramenta essencial, no ensino de uma geração de alunos que domina desde cedo a tecnologia. Os professores tornaram-se os timoneiros da formação destes alunos. As escolas com a celebração de contratos de autonomia com o Ministério da Educação passaram a ter oportunidade de se constituírem como agentes de inovação ao implementarem projetos educativos com potencial para o desenvolvimento das comunidades educativas locais.

Neste plano tecnológico nova geração temos como parceiro estratégico as famílias. Nem todas têm internet em casa ou computadores em número suficiente, uma vez que muitos pais e encarregados de educação estão em teletrabalho. É necessário conciliar e reorganizar horários, disponibilizar os meios, ter as escolas abertas para alguns dos alunos, como já acontece com os filhos de quem está a trabalhar em serviços de primeira linha.

O confinamento dos alunos ao domicílio começou no final do segundo período e há data os professores tinham conhecimento se os seus alunos tinham ou não, acesso a computadores para fazerem os trabalhos. Entretanto, o Ministério e os agrupamentos de escolas já têm mais informação sobre a atual situação dos alunos e das suas famílias. Neste quadro, tendo em vista garantir a conclusão do ano letivo com sucesso, visto os nossos filhos e educandos, terem expetativas em quem os educa, é, pois, nossa responsabilidade dar uma resposta competente, mobilizadora das novas aprendizagens e implementarmos um Plano Tecnológico Nova Geração.