A manchete do Expresso anuncia que as “Escolas estão a cortar aulas de História”. Noutro sítio qualquer, seria razão para alarme. Em Portugal, não. Aulas de História para quê? No nosso país não é preciso, a actualidade é uma lição de História viva. Ainda hoje o site Polígrafo publicou uma entrevista com Jerónimo de Sousa que, para quem não se lembra o que é o comunismo, faz a revisão da matéria dada desde 1917.

Noutros países, os miúdos são obrigados a empinar o que vem nos livros, aqui basta ver um bocadinho do telejornal. Termos partidos leninistas e trotskistas a conviver com pessoas comuns é um luxo para o cidadão português interessado em História. É como um paleontólogo ter um Brontossauro de estimação no quintal.  A oportunidade de observar um fóssil em carne e osso compensa bem o tamanho dos cocós.

Desta vez, quando o entrevistador lhe colocou a questão “Incomoda-o o facto de a Coreia do Norte não ser uma democracia?”, Jerónimo de Sousa, qual mestre-escola, não enjeitou a oportunidade para leccionar a disciplina “História da confusão deliberada que o comunismo faz com o conceito de Democracia”, da qual, enquanto Secretário-Geral do PCP, é Professor Jubilado. O método pedagógico consiste em fugir com o rabo à seringa, actividade em que os comunistas são peritos. Em países onde não mandam, fazem-no metaforicamente; nos países em que mandam, fazem-no literalmente, porque falta os medicamentos que se injectam no rabo.

Como bom professor, Jerónimo não se limitou a debitar a matéria. Interpelou também os seus pupilos, estimulando-lhes o espírito crítico: “O que é a democracia? Primeiro tínhamos de discutir o que é a democracia”. Trata-se, de facto, de uma excelente questão. Sim, o que é a democracia? Quem possui certezas? Eu possuo algumas, o leitor possuirá outras. Nas democracias é assim, é permitido possuir coisas.

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