Na semana em que o mundo se viu definitivamente livre do pior e mais perigoso presidente da história moderna americana, surge do lado de lá do Atlântico um discurso nobre, transparente, inclusivo e democrático. Aguardemos que contamine as mentalidades do lado de cá.

Os tempos atuais são de facto estranhos e imprevisíveis e nem sempre é fácil garantir a melhor tomada de decisão. Não tem sido fácil governar durante a atual pandemia. Contudo e apesar das circunstâncias complexas, ficou claro para todos o constante desnorte do Governo português ao longo dos últimos 10 meses. A incapacidade de fazer o trabalho bem feito na escolha sintonizada com a comunidade científica das medidas a adotar, a comunicação desastrosa da lógica e estratégia, a ausência de planeamento e a fraca fiscalização mostraram de forma dura e crua a profunda incapacidade do Governo do PS tomar adequadamente conta dos destinos desta nação cada vez mais empobrecida. A incompetência tem desta vez consequências devastadoras ao nível da vida humana. Habitualmente, e ao longo das décadas, os governos socialistas têm composto o desastre com recurso a mais endividamento – Portugal é hoje o país mais endividado da Europa comunitária e esse dado revela-se altamente penalizante para o futuro das gerações mais novas, que de algum modo serão responsáveis por pagar a incompetência governativa e a incapacidade de geração de riqueza que tem caracterizado a governação socialista desde 1974.

Com o anúncio do encerramento das escolas, onde pura e simplesmente se interrompe o ano letivo (agora por duas semanas), o Governo veio mostrar a razão pela qual não queria encerrar as escolas. O país que este Primeiro-Ministro reclama ser um exemplo de tecnologias e digitalização não tem, efetivamente, capacidade de garantir o ensino à distância dos jovens deste país através de plataformas tecnológicas tão fáceis e simples de utilizar. É um país empobrecido que não tem capacidade de garantir acesso a todas as crianças e jovens a um computador e rede. Cada vez mais atrasados face a um conjunto de países que têm vindo a adotar políticas de crescimento e solidez económica, Portugal continua a cavar um fosso de desigualdades e empobrecimento de setores muito alargados da população.

António Costa tem responsabilidades governativas desde 1995. Não será certamente com os causadores deste estado de coisas que iremos ver resolvido o problema base. Ao invés, vemos um Primeiro-Ministro que insiste em encontrar sempre uma desculpa para os resultados desastrosos. A estirpe inglesa é agora a responsável pelo número exagerado de mortes e contágios, a culpa da mentira ao Conselho Europeu sobre as qualificações do candidato indicado por Portugal para a Procuradoria Europeia é dos portugueses que se indignaram, a manutenção dos amigos de longa data no Governo, e apesar de todos os escândalos e incompetências, é bem própria das políticas de quem tanto, no estrangeiro, condenamos e de quem, finalmente, o mundo se viu livre.

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O Primeiro-Ministro tem em si muitos dos anos que conviveu com José Sócrates e tem, surpreendentemente, em si, muitas das atitudes infantis, mas de consequências muito perigosas, a que Donald Trump nos foi habituando nos últimos anos. A teimosia própria dos boçais, quando estes têm responsabilidades e poder, gera faturas muito duras – a história está cheia desses infelizes exemplos.

No entretanto, a modernização do país, o combate à pobreza e ao desemprego, a estratégia de crescimento económico e a diminuição do endividamento e dependência externa não são temas que preocupem o Governo. A fatura será paga pelos mesmos de sempre – os portugueses que continuarão a viver num país de pobres.