União Europeia

A mudança na Europa, 2017

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Emmanuel Macron simboliza que é possível contrariar os cenários catastrofistas de que se caminha para um retrocesso civilizacional onde se voltariam a erguer fronteiras físicas entre Estados.

Em Agosto de 2015 escrevi aqui no Observador um artigo onde defendi que a mudança que a Europa precisa já estava a ocorrer «ao centro, na moderação e bom senso, através de posições e programas sociais liberais.».

Nesse momento os factos limitavam esse processo de mudança ao norte da Europa.

Desde essa data assistimos a um conjunto de eventos que abalaram os alicerces do Projecto Europeu, destacando-se o referendo britânico que ditou a opção de Brexit.

E a cada evento, especialmente as eleições, regressam os receios de extremismos. Assim foi recentemente na Holanda, onde embora a extrema-direita tenha aumentado o seu resultado, voltaram a ser os partidos mais ao centro, nomeadamente liberais, a assegurar maior representatividade parlamentar. Sendo de registar na Holanda a hecatombe dos trabalhistas (socialistas), ultrapassados pelo grande crescimento dos Verdes.

E no caminho para as eleições na Alemanha, onde para já as sondagens demonstram que a maioria do eleitorado não fugirá dos dois “grandes” partidos (a CDU de Merkel e o SPD de Schulz), estamos agora no meio das eleições presidenciais francesas.

E nestas, mais do que nunca, os receios de forte impacto no Projecto Europeu estão em níveis elevados.

Com Le Pen a assegurar a passagem à segunda volta, reafirmando o antieuropeísmo (para além de outros anti bem preocupantes presentes no seu discurso), as esperanças recaem agora em Emmanuel Macron, o candidato que desde inicio assumiu a sua convicção de Europeu, assumiu um posicionamento ao Centro, recusando cair no debate hostil e bipolarizante entre “esquerda – direita”, e apresentou no seu discurso a defesa dos valores liberais.

Se Macron sair vitorioso na segunda volta será um reforço enorme no processo de mudança que defendi no artigo de Agosto de 2015.

Emmanuel Macron, sendo Presidente da França, passará a ter assento no Conselho Europeu, juntando-se a outros líderes que comungam dos valores liberais, podendo (e devendo) trabalhar em conjunto nas reformas que a Europa precisa.

Xavier Bettel (Luxemburgo), Miro Cerar (Eslovénia), Charles Michel (Bélgica), Lars Lokke Rasmussen (Dinamarca), Jüri Ratas (Estónia), Mark Rutte (Holanda) e Juha Sipilä (Finlândia), passariam a ter na sua “equipa” o líder de um dos países com maior relevância (histórica, cultural, política, social e económica) na Europa.

E seria a confirmação que o processo de mudança da Europa afirmado através de ideias, visões e programas ao Centro, moderados e liberais, deixaria de estar localizado ao norte da Europa, aproximando-se assim do sul.

No artigo que então escrevi não colocava nos cenários futuros a França, pelo que o surgimento de Macron é uma óptima e revigorante surpresa. Mas mantenho na equação Albert Rivera na vizinha Espanha.

E como num mundo contemporâneo e globalizado não podemos ficar limitados geograficamente, não podemos deixar de considerar os impactos neste movimento de Justin Trudeau, primeiro-ministro canadiano desde o final de 2015.

Este movimento representa acima de tudo uma forma de ver o mundo com base na liberdade, tolerância, respeito e responsabilidade. Um mundo onde se procura a harmonia entre liberdades políticas, sociais e económicas, não permitindo que um destes pilares restrinja os outros. Um mundo onde os Estados são reconhecidos como um instrumento do processo de desenvolvimento colectivo da sociedade, onde o Estado está acima do Cidadão, mas onde também o Homem está acima do Estado.

Macron, não apenas por ser um contraponto a Le Pen, mas pelo que tem demonstrado e defendido até agora, é um forte sinal que perante a saturação do cidadão para com os sistemas e partidos tradicionais, que o extremismo não é a única solução. Macron simboliza que é possível contrariar os cenários catastrofistas de que se caminha para um retrocesso civilizacional onde se voltariam a erguer fronteiras físicas entre Estados.

Estas eleições em França têm uma importância enorme para os Europeus, para aqueles que querem viver numa Europa da livre circulação e da colaboração, no fundo para aqueles que acreditam numa Europa da e em Liberdade.

Fundador da Iniciativa Liberal

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