Nas últimas eleições não faltaram as imitações (+/- baratas) relativamente ao produto original. O partido que mais sofreu com a contrafação foi o CDS. Vejamos.

É sabido que muitos jovens votaram na IL, depois de terem sido votantes do CDS. Foram em modas, atrás de cartazes bem esgalhados, de um ar jovem (apesar de Cotrim ser velho). A diferença entre a IL e o CDS, fez-me lembrar aquele anúncio da Pepsi que desafiava as pessoas a perceber qual era a cópia (Pepsi) e qual era o original (Coca-Cola), se o consumidor não pudesse ver o rótulo. Ou seja, diziam: somos uma cópia, somos iguais, por isso bebam-me a mim porque sou moderna e tenho uns anúncios com o Michael Jackson…

A coca-cola, em desespero, avançou com campanhas moderninhas e com uma cola com sabor a baunilha. Espetou-se ao comprido. Só voltou a ter sucesso, quando assumiu o seu conservadorismo, a sua postura institucional. Nós somos isto e é isto que vamos continuar a ser. São, novamente, os maiores.

A IL assumiu ser um produto, apenas um sabonete com melhor marketing. Como ganhou, há que “tirar o chapéu”. Eu, no entanto, prefiro sempre o original à cópia e não gosto de ser enganado. O tempo se encarregará de mostrar as diferenças.

Claro está, que, muitos dos que se zangaram com o CDS gostariam que o partido fosse uma IL encapotada ou se assumisse num género de versão 2.0 liberal, ou ainda num partido de “valentes à lá chega”. Seriam, todas as versões, um disparate, género Coca-Cola com sabor a baunilha.

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Quem quis mudar de sabor e se espetou ao comprido, foi o PSD. Entendeu que a sua colagem ao PS – e à sua ala moderada – faria com que Costa se colasse à extrema esquerda. Burrice total como se viu. Se tivesse existido coligação com o CDS, o PS não teria tido maioria absoluta.

O Chega, outro caso paradigmático de falta de originalidade, aproveitou-se do estado a que isto chegou. Continua a ser um partido de básicos, com um discurso básico. Um oposto da IL. Nesta última o sabonete vendido foi o LUX. No Chega, foi o sabão azul e branco. Com o LUX, tal qual dizia o anúncio, quem se lavasse com o dito tornar-se-ia uma estrela de Hollywood. No que respeita ao chamado “sabão macaco” é sabido das suas múltiplas competências, como p.ex., o evitar a queda de cabelo (espanta-me ainda não ter aparecido um candidato do Chega a dizer que não apanha Covid porque se lava com este sabão…). Aviso: nem uns se vão tornar estrelas, nem os outros vão deixar de ser carecas.

Quem entende bem o “mercado” é o PS. Ao contrário do que se possa pensar, o povo português não quer ganhar mais. Quer é ganhar qq coisinha. E não, não é problema da democracia. Já vem do Estado Novo. O PS vende a ideia que é possível dar pouco a todos, à custa de poucos. O português compra a ideia. Sempre fomos invejosos dos ricos e dos bem-sucedidos. É certo que, depois de votar socialista, muitos irão a manifestações e fazer greves porque ganham pouco. Proponho que só possa ir à manifestação, ou fazer greve, quem apresentar certidão de voto em partido que não o PS, ou então certificado de recuperação. Fica a sugestão.

Voltemos ao CDS. A mensagem não passou, é um facto. A falha, como sói dizer-se, pode ter sido na forma como do próprio mensageiro, ou dos dois em conjunto. Eu, aderi à mensagem e aplaudi o mensageiro. Não dei o meu voto por perdido, bem pelo contrário. Foi com muito orgulho e satisfação que não vi Francisco Rodrigues dos Santos cair no logro de Groucho Marx: “Estes são os meus princípios, mas, se não gostam deles, eu arranjo outros”. Para esse tipo de pantominice já tivemos o Soares e temos agora o Costa e também o Rio. Nesse capítulo Portugal está “bem servido” e há até, quem os admire e queira seguir esse caminho. Que sejam felizes.

No CDS tivemos um momento coca-cola de sabor a baunilha com Assunção Cristas, que nos deixou exauridos em votos e dinheiro. Tentou-se, depois, em dois anos, ser fiel aos princípios do partido, verdadeiro na apresentação de contas e patriota em tempos pandémicos, quando os tempos não estavam para isso. Virão agora os “peritos” em rebranding, outsourcing e outros “ings”. Não façam isso. Não é necessário. O CDS é um partido conservador e é essa a sua marca. Registada.