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Como já escrevi aqui algumas vezes, o mundo tem vindo a mudar profundamente nas últimas duas décadas. Parece-me que já há poucas dúvidas sobre uma mão cheia de elementos que vieram para ficar: o declínio norte-americano e a ascensão chinesa, que desequilibraram o mundo unipolar e que prometem uma longa transição de poder sem vencedores. A reemergência da Rússia e, menos evidente mas também possível, uma nova proeminência para a Índia. A mudança do centro de gravidade geopolítico do Atlântico para o Pacífico. O sistema internacional está, por isso, a evoluir num sentido incerto, mas porventura muito menos estável e onde a competição vai ter um papel muito mais incisivo.

No plano dos valores, há quatro mudanças essenciais. A emergência de estados autocráticos ao estatuto de grandes potências torna as relações entre os países necessariamente diferentes. Pela primeira vez em muitas décadas, temos estados que não são inimigos declarados – são rivais, o que não é a mesma coisa – mas que não falam a mesma linguagem normativa.

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