Sessenta euros. 60. Só assim como não quer a coisa. Por uns 50 minutos em que expressamos o que sentimos. No meu caso, choramos um bocado e, pelo menos inicialmente, sem grande feedback do outro lado. Em termos simples, é a isto que se resume uma consulta de psicoterapia. Contudo, será que, no meio disto tudo, é só o dinheiro que nos deixa desconfortáveis? O que é que está para além dos sessenta euros que pagamos a cada consulta?

Escolher ir a um psicólogo é, já de si, uma escolha complexa. Implica perceber que não estamos muito bem, que sozinhos não conseguimos lidar com o que está à nossa frente e que precisamos de ajuda. O custo monetário faz parte de uma das mil equações em que ponderamos na hora de ir à consulta. Há a vergonha, o medo, o desconforto, a nudez da situação em si… Tudo isto faz com que a decisão se torne mais difícil.

Por vezes, o custo emocional, a mera antecipação do desconforto, faz com que queiramos arranjar desculpas para não ir, dizemos “é muito caro”, ou “este mês não vai dar” quando, na verdade, queremos confessar “sinto-me nu e não sei como lidar com isso”. O dinheiro está lá, sempre esteve, mas aproveitamo-nos da sua ingenuidade para nos cobrirmos de razão.

Trazendo novamente o dinheiro a palco, podemos afirmar com segurança que este é um instrumento. Reflete as escolhas que fazemos todos os dias. Uma boa refeição fora de casa, um livro novo, um espetáculo de teatro. Juntamos tudo e olhando para a visão geral, podemos anunciar ao mundo: “Ela gosta de ler, adora teatro e faz sons de felicidade quando aprecia boa comida”. Dizemos isto com confiança, destemidos, porque usámos o dinheiro para fazer com que tudo isto fizesse parte do nosso dia-a-dia.

Porque é que este pensamento não pode ser aplicado à terapia? É um serviço, como tantos outros. O psicólogo está a trabalhar para ganhar a sua vida e merece receber uma justa compensação pelo serviço que nos está a prestar. O dinheiro que investimos reflete essa escolha tão importante: eu quero investir na minha saúde mental. É para isso que servem os 60 euros que pagamos a cada consulta porque, na maioria das vezes, a terapia não é de graça.

O retorno do investimento, relativamente a algo como a nossa saúde mental, é difícil de aferir. Na minha experiência, cada euro que paguei trouxe-me de volta bem-estar, alegria e coragem. Sei que pagaria de bom grado três vezes esse valor por algo tão útil e importante.

Na hora de fazer terapia, o dinheiro é apenas uma de mil equações que nos pressionam a decidir. É importante, sem dúvida, mas não é o único fator. No final do dia, importa perguntar: Quero investir no meu bem-estar? Quanto pagaria para me sentir bem comigo e com os outros?