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Julgo tratar-se da grande revelação da política portuguesa das últimas décadas. Ao fim de quarenta e seis anos descobrimos que PS não quer dizer Partido Socialista. Significa, isso sim, Pepónio Suculento, tal a semelhança que o partido tem com um dos mais refrescantes frutos deste tipo, a melancia. Efectivamente, é quase impossível distinguir o PS do fruto da planta cucurbitácea cultivada nos países mediterrânicos: a melancia é verde por fora e vermelha por dentro, o PS é democrata lá fora e vermelho cá dentro.

No Parlamento Europeu, os deputados socialistas foram categóricos, votando favoravelmente a resolução que equiparou o comunismo ao nazismo. Já na Assembleia da República, optaram por não se associar de forma integral a esta deliberação histórica. Aprovaram antes um texto sonsinho que procura “um consenso alargado em torno da condenação de todos os atos de agressão, da prática de crimes contra a humanidade e de violações de direitos humanos perpetrados por regimes totalitários ao longo do século XX” e que realça “a crescente aceitação de ideologias radicais e o retorno ao fascismo, ao racismo, à xenofobia e a outras formas de intolerância na União Europeia”. Posto isto, resta-me desejar que as listas de espera para consultas de osteopatia não sejam demasiado longas. É que a ginástica que foi necessária para, no meio disto tudo, nunca referir a palavra “comunismo” só pode ter deixado os parlamentares socialistas a contas com incapacitantes discopatias. A propósito, este seria o momento ideal para actualizar o famoso slogan lançado em 1995 pelo Ministério do Comércio e Turismo. Deixávamos de parte o clássico “Vá para fora cá dentro” e víamos se pegava um mais premente “Vote como lá fora cá dentro”.

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