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Crónica

Afinal, será Neto de Moura mesmo uma cavalgadura? /premium

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Tenho quase a certeza que Costa só pontificou na Greve Feminista porque não quis correr o risco de ser o único funcionário público a não fazer pelo menos uma greve durante esta legislatura.

Neste momento creio que é oficial que sim. Pelo menos é o que se conclui das reacções de Catarina Martins, Rui Rio e António Costa à polémica em torno dos acórdãos do magistrado, que redundaram em fortes ataques à Justiça. Parece-me óbvio que os líderes do BE, PSD e PS estão mortinhos por usar o juiz Neto de Moura como cavalo de Troia para que o poder político tome de assalto o sistema judicial. A única diferença em relação à estratégia dos gregos em Troia é que enquanto estes esperaram que ficasse escuro para levar a cabo o seu intento, os nossos líderes fizeram-no logo ali, mesmo às claras. Valentes.

Por falar destes líderes, António Costa marcou presença no passado dia 8, Dia Internacional da Mulher, na Greve Feminista. Atenção, longe de mim insinuar que o primeiro-ministro não tenha genuíno interesse pelas questões do feminismo. Agora, tenho quase a certeza que Costa só pontificou no evento porque não quis correr o risco de ser o único funcionário público a não fazer pelo menos uma greve durante esta legislatura.

Um dos pontos cruciais da Greve Feminista foi a desigualdade salarial. Estes movimentos fundamentam a sua luta em dados como os divulgados recentemente pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social: a diferença salarial entre homens e mulheres em Portugal é de 16,7% e, em média, esta desigualdade implica uma quebra de rendimento de 2.464€ por ano para as mulheres. Orelhudo, sem dúvida. Pena não permitir tirar qualquer conclusão. O que interessava realmente analisar é se com a mesma formação, desempenhando as mesmas funções, tendo a mesma experiência, e trabalhando as mesmas horas, homens e mulheres ganham o mesmo. Ui, só que isso daria muito trabalho. E se ter trabalho já é aborrecido, muito mais aborrecido é ter trabalho para chegar à conclusão que a resposta é, muito provavelmente, “sim”. O que poria em causa imensos postos de trabalho em organizações deste tipo. Postos de trabalho que, presumo, sejam ocupados maioritariamente por mulheres. Levando portanto a uma quebra de rendimento das mulheres. Que as levaria a criar um novo movimento contra a desigualdade salarial. E por aí adiante.

Especialmente dividida nesta cruzada pela igualdade salarial está a esquerda radical. É que a ser verdade que as mulheres ganham menos então seria de esperar que os patrões — capitalistas, obviamente –, para terem mais lucro, contratassem apenas mulheres. O que os tornaria uns verdadeiros feministas. Em contrapartida, os patrões machistas, que acham que o lugar da mulher é em casa, contratariam apenas homens. Por um lado estariam a ser misóginos, por outro estariam a pagar melhores ordenados aos seus funcionários. Ou seja, a esquerda radical tem de optar: ou quer feminismo e leva com o capitalismo selvagem de brinde, ou opta pela defesa dos salários e aguenta com o machismo. Lá está, não há almoços grátis. Quer dizer, até pode haver, mas depois não há como escapar a lavar os pratos e arrumar a cozinha.

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