Sim, senhor. Grande ministro Pedro Nuno Santos e valente governo do PS. Mas que campeões. As ganas com que estes meninos entraram na TAP, a nacionalizar tudo a eito e a indemnizar os privados forte e feio para se porem no olho da rua. Foi no tempo em que se podia escutar a Pedro Nuno Santos um “Abram alas! Vou operar aqui tal maravilha que até deixamos as pernas dos políticos alemães a tremer, tamanha será a cagufa que a TAP lhes compre a Lufthansa!” Escassos meses e ligeiramente menos escassos 1.200 milhões de euros depois, eis que, de repente!, já é imperioso para o Governo ter o apoio, indispensável, do Parlamento para meter mais 1.800 milhões na TAP nos próximos 4 anos. Quem é que, agora, tem as perninhas a tremer com a perspectiva de milhares de despedimentos e cortes na companhia aérea, quem é? É o ministro Pedro Nuno Santos e todo o governo do PS. Pois é. Como diz o ditado “Tremura nas pernas dos outros é refresco”.

Mais ou menos a propósito, as instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras no aeroporto de Lisboa vão passar a ter um botão de pânico, para salvaguarda dos cidadãos estrangeiros lá instalados. Acho uma boa medida porque, a julgar pelo caso de Ihor Homeniuk, os agentes do SEF chumbam, com frequência, no exaustivo curso de formação que lhes é ministrado, composto pela seguinte lição: “Quando se pede a um imigrante para tirar o cinto das calças, não é com o intuito de lhe enfardar com o respectivo”. Já para não falar da dificuldade que exibem no domínio da língua portuguesa. Quantos inspectores do SEF estarão convencidos que a expressão “Portugal é um país hospitaleiro” significa que devemos mandar os imigrantes que desejam entrar em território nacional para o hospital?

No meio disto, Marcelo Rebelo de Sousa apresentou a sua recandidatura à Presidência da República. Para o efeito, Marcelo escolheu uma pastelaria, aberta de propósito para o momento, em pleno recolhimento obrigatório. Creio que, com isto, Marcelo quis passar mais uma mensagem muito clara no que ao combate à COVID diz respeito. A ver se percebi bem. Portanto, a Marcelo não basta implementar medidas que proíbem estabelecimentos tipo pastelarias de funcionar quando os seus proprietários os querem abrir, como também pretende que estes estabelecimentos abram quando deviam estar fechados. Será isto? É capaz, é, porque faz todo o sentido.

Seja como for, uma pastelaria acaba por ser o local ideal para a apresentação da recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa. Afinal, que sítio mais apropriado que uma pastelaria para um queque da linha tentar, com papas e bolos, persuadir os eleitores a reelegerem-no para um novo mandato que, embora não se preveja venha a ser um bom bocado, pelo menos terá fartura de dinheiro vindo da Europa? Viram isto? Inúmeras e estupendas referências a doçaria tradicional e sem nunca resvalar para a corriqueira referência a Marcelo como “O Pastel de Belém”.

E se Marcelo se movimenta com à-vontade na indústria da pastelaria, já o seu oponente na corrida à Presidência, André Ventura, denota domínio da indústria corticeira, ao impor a lei da rolha no Chega. Uma directiva do líder ameaça com suspensão militantes que critiquem o partido nas redes sociais, imprensa e “seja em que contexto for”. Era expectável, esta medida. André Ventura não tem vagar para estar sempre de olho no que os militantes andam a fazer. Aliás, já o burro tinha sido alvo de medidas disciplinares muito severas, porque Ventura não pode dispensar um dos olhos para controlar o animal, quando o ponto central de toda a sua campanha é estar sempre de olho – com todos os olhos que tiver disponíveis – no cigano.

Entretanto, chegou ao fim a greve de fome dos dirigentes do movimento “A Pão e Água”, liderado pelo chefe Ljubomir Stanisic, após uma reunião com o Presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina. Foi noticiado que Medina serviu de intermediário entre os grevistas e o ministro da Economia, Siza Vieira. Mas, na verdade, não foi cá com intermediações que o Presidente da Câmara convenceu Ljubomir a terminar o protesto. Nada disso. Bastou a Medina apresentar aos manifestantes a guia de pagamento do IMI relativo à tenda que montaram com aquela vista privilegiada para o monumento nacional que é o Palácio de São Bento e, ainda por cima, com uma exposição solar estupenda, toda virada a sul, para os manifestantes perceberem que, para lhes desfalcar as finanças, já bem basta terem os restaurantes fechados.