Era o telefonema que António Costa devia ter feito, há uns dias, na sequência do debate parlamentar em que foi vilmente atacado por Assunção Cristas, essa perpetuadora do matriarcado branco. Já não sei é se Mamadou Ba teria considerado caso para chamar a bosta da bófia. É que duvido que haja um exemplo de queixa de racismo apresentada por alguém com pele de cor verde, que é o tom com que o raivoso António Costa fica sempre que debate com a líder do CDS. No fim da chamada Costa e Mamadou despedir-se-iam naturalmente com um “Tá-se nice Mamadou, respect” e um “Costa, meu nigga, props man”.

Mas o mais triste ainda é que esta não foi a primeira vez que António Costa foi vítima de racismo. Já José Sócrates se fartava de discriminar o seu ministro de Estado e da Administração Interna. Tanto é que nunca chegou sequer a dar-lhe a entender minimamente que podia andar para ali a levar a cabo uma ou outra trafulhice. Não lhe contou nadinha. António Costa não fazia ideia rigorosamente nenhuma. É racismo, o que é lamentável, mas a verdade é que neste caso ao actual primeiro-ministro foi a cor da pele que lhe salvou a pele.

Esta discussão sobre racismo foi desencadeada pelos acontecimentos no bairro da Jamaica, e provocou surpresa o facto da urbanização ficar no Seixal, uma câmara liderada pelo PCP há 2 an… Desculpem, há 17… Ai. Há 35… Mau. Há 43 anos. A câmara é liderada pelo PCP há 43 anos, assim é que é. “Mas como é possível que os bondosos comunistas permitam que esta situação desumana se arraste há tanto tempo?”, questionaram muitas pessoas, a maior parte delas sarcasticamente. A resposta é simples: refinados apreciadores do saudoso Fidel Castro, e não tendo ainda conseguido transformar Portugal na ilha de Cuba, os comunistas vão-se contentando em ter um bairro da Jamaica. Em termos de localização geográfica é lá perto mas não é a mesma coisa, já em termos de igualdade está alcançado o ideal comunista: ali toda a gente vive miseravelmente.

Entretanto, quem esteve no bairro da Jamaica foi Santana Lopes. Houve quem destacasse o acto de coragem do líder da Aliança, mas não se referia a esta visita. Referia-se ao facto da Aliança ter colocado na rua um cartaz que diz “Um país às direitas”. Nos dias que correm, em termos de audácia, isto está ao nível de um Ramalho Eanes de pé em cima do carro, ou de um Mário Soares na Marinha Grande. E confirma que Santana saiu do PSD, mas não veio sozinho, trouxe consigo o seu PPD. Coitado, nem imagino o que lhe terá custado separar o PPD/PSD. Agora, segundo o site oficial, a Aliança é um partido “low-cost, high-profile e paper-free”, o que me deixa na dúvida se Santana Lopes pretende efectivamente tirar do poder António Costa, ou se quer antes correr com Theresa May.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.