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1. Há uma cena do filme “A Queda de Wall Street” que retrata as causas da maior crise mundial desde o crash de 1929, que me faz lembrar o atual momento político nacional. É quando o investidor Michael Burry descobre que o mercado norte-americano do crédito à habitação, tido como à prova de bala desde a II Guerra Mundial, está assente em títulos de crédito hipotecário com notação triplo A (investimento seguro) que, afinal, não passam de um monte de lixo financeiro. Porquê? Porque os títulos em vez de assentarem em hipotecas que são pagas, têm por base créditos de clientes de alto risco avaliados em centenas de milhares de milhões de dólares — os chamados produtos subprime. Este é um assunto chato, muito chato, mas que é apresentado pelo realizador Adam McKay através da atriz Margot Robbie enquanto toma um belo banho de espuma, bebe champagne servido por um solícito mordomo e traduz todo o jargão técnico dos produtos subprime do muito complexo capitalismo norte-americano. É uma forma eficaz de os espetadores apreenderem a importância da descoberta de Burry — porque essa é a verdadeira origem da crise financeira.

Em Portugal, em vez de termos uma loira pin up num banho de espuma a explicar-nos todas os truques mirabolantes e perigosos que o Governo do PS tem vindo a prometer para as legislativas de outubro, parece que temos o próprio António Costa na mesma banheira, com uma praia algarvia paradisíaca como pano de fundo e um sorriso maroto a seduzir os eleitores incautos enquanto faz tudo por tudo para chegar à maioria absoluta. Rui Rio e Assunção Cristas, esses, fazem mais o papel de mordomo e respetiva criada que servem o champagne ao patrão, do que líderes de oposição.

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