Governo

António Costa: o último-ministro  /premium

Autor
  • Sebastião Bugalho
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Neste governo a responsabilidade é sempre descentralizada. Do executivo para as agências governamentais, de ministros para chefes de gabinete e de Costa para os ministros. Só falta culpar o porteiro.

A demissão de José Azeredo Lopes é o desenlace final de uma das tradições mais presentes deste governo: a descentralização de responsabilidades. Foi assim com o Infarmed, em que António Costa disse uma coisa e o ministro da Saúde fez outra; foi assim nos incêndios de 2017, culpando a ANPC quando foi o PS a encher a Proteção Civil de indicações políticas; e foi assim no caso de Tancos, em que o ministro da Defesa “não sabia” algo que o seu chefe de gabinete admite ter sabido.

Neste governo, a responsabilidade é consecutivamente descentralizada. Do executivo para as agências governamentais, de ministros para chefes de gabinete e, se necessário, de Costa para os seus ministros. Interrogo-me, sinceramente, a quem apontariam o dedo em caso de crise financeira – ao porteiro? – na medida em que o primeiro-ministro parece ser o último a saber tudo o que não envolva boas notícias. É mais um último-ministro do que um chefe de governo.

Mas é importante, depois de mais uma tentativa de descentralizar responsabilidades, que não concentremos excessivamente a crítica. António Costa é o rosto e o maestro do desafino, mas a orquestra tem outros solistas de péssima prestação. O que se torna ainda mais notório após a saída de Azeredo é o problema deste governo com áreas que envolvem soberania nacional e autoridade do Estado.

Hoje, Portugal tem um ministro da Administração Interna que faz campanha eleitoral em áreas ardidas, um ministro das Finanças que não se mexe um centímetro para corrigir a opacidade do Eurogrupo e um ministro dos Negócios Estrangeiros que desconsiderou o compromisso com a NATO ao preferir a Rússia ao Reino Unido no caso Skripal. Azeredo Lopes era inapto para o seu cargo, evidentemente. No entanto, não estava sozinho no ramalhete.

Para um governo que tem a sorte de uma conjuntura sorridente, o que facilita a gestão do plano interno, exigia-se mais na preservação da imagem externa do país. E, como admitiu a eurodeputada Ana Gomes, o caso de Tancos danificou-a tragicamente.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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