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João Adrião
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Gestor Ambiental e Florestal

Apanhados do clima

Agora, a juntar ao rol de idiotices, tivémos em Inglaterra tinta contra o monumento pré-histórico de Stonehenge. É disto que o clima precisa? Ou não é isso que está em causa?

“No caso do clima, nós não somos os dinossauros. Nós somos o meteoro”
(António Guterres, Nova Iorque 05/06/2024)

Aqui e por essa Europa fora, estupidez em nome do clima não tem faltado: já foi a sopa contra obras de arte, estradas bloqueadas, acorrentados em portões, colados ao chão, rabos à mostra, vidros partidos, bolas de tinta contra políticos, etc. Agora, a juntar ao rol de idiotices, tivemos em Inglaterra tinta contra o monumento pré-histórico de . É disto que o clima precisa? Ou não é isso que está em causa?

Pois não, não é. Como dizia Michael Crichton (2003) “se olhar atentamente, verá que o ambientalismo é na verdade um remapeamento dos mitos e crenças tradicionais judaico-cristãos para o século XXI”. O filósofo Edward Sidelski (2008) disse mais ou menos o mesmo:  “É fácil rir do ambientalismo radical. As suas projeções climáticas são duvidosas e mesmo que sejam exatas, não fica claro como um punhado de entusiastas podem reverter o apocalipse que se aproxima. Mas isto não é o importante. (…) Em resumo, é uma religião – uma religião sem Deus.”

Estariam estes e outros autores a exagerar? As alterações climáticas não são assunto sério? Já lá vamos, mas antes vale a pena sublinhar que as críticas não se dirigem ao assunto em si, antes aos movimentos que chamam a si a salvação do mundo:

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  • qual a seriedade que encontramos nos nossos políticos sobre o assunto quando António Costa usou as alterações climáticas para se desculpar a respeito de incêndios? Ou de Francisco Paupério quando para defender as políticas de portas abertas à emigração do Livre deturpa o que vem escrito em relatórios? Ou de Carlos Moedas quando ao fechar a Rua da Prata por buracos na estrada lhe chama ação climática?
  • ou qual a seriedade de Ursula von der Leyen quando perante a eminente chegada de carros elétricos chineses ao mercado europeu, e face ao baixo custo destes – em principio algo positivo já que se os carros elétricos são amigos do ambiente e se são baratos então as pessoas passariam a comprá-los ajudando assim o ambiente – se revolta pelas ajudas públicas chinesas e propõe taxá-los para estes custarem o dobro? Deixou de ser desejável que as soluções sejam baratas e tenham adesão? É injusto os contribuintes chineses, logo o país que mais polui, pagarem mais para que os europeus paguem menos?
  • ou qual a seriedade dos ativistas portugueses que acham que a luta climática é indissociável de casas de banho sem género, de Guterres que usa slogans da extrema esquerda (como a citação inicial) para a qual o problema do clima, como todos os outros problemas do mundo, se deve ao capitalismo “que (n)os assombra” (Mariana Mortágua no dicurso do último 25 de Abril) ou de Greta Thunberg que associa a defesa do clima a uma Palestina livre?

É de admirar que para o comum mortal isto tudo não passe de fantochada? É de espantar que, contaminado pelas causas de esquerda, o jornalismo esteja em crise? É de estranhar que, cada vez mais afastados do que são os problemas reais do dia a dia de pessoas reais, os partidos de esquerda cada vez tenham menos votantes? Talvez apenas para os autores destas patetices em nome do clima, incapazes de perceber que dão tiros nos próprios pés.

Sendo o assunto sério, os problemas reais, as soluções difíceis, não é destes apanhados do clima que precisamos. Antes de seriedade no debate público e de equacionar estratégias ponderadas e amigas das pessoas a quem já não faltam outros problemas – atendendo ao Eurobarómetro 2023, para os portugueses a inflação, depois a saúde e a situação económica, seguidos de impostos, desemprego e pensões, ainda educação e habitação, e só então, para menos de 5% de inquiridos, os problemas ambientais (em geral, o clima é só uma parte).

Voltando aos autores citados, Edward Sidelski reclamava por uma necessidade de se resgatarem valores morais quase extintos – porque qualquer pessoa percebe que face à fome ou doença ou desemprego, a questão ambiental é secundária e a sua imposição imoral – e Crichton resgatar o ambientalismo da política para a ciência, o que não é – como bem sabemos do tempo da pandemia – nada fácil, mas se não o fizermos “se permitirmos que a ciência se politize, estaremos perdidos. Entraremos na versão Internet da idade das trevas, uma era de medos inconstantes e preconceitos selvagens, transmitidos a pessoas que não conhecem nada melhor. Esse não é um bom futuro para a raça humana. Esse é o nosso passado. Portanto, é hora de abandonar a religião do ambientalismo e regressar à ciência do ambientalismo, e basear firmemente as nossas decisões de política pública nisso.”

O famoso discurso de Crichton já tem mais de 20 anos. Entretanto os apanhados do clima tudo têm feito para este regresso às trevas, à selvajaria. Pelo que para resgatarmos o ambientalismo um dos primeiros passos – que Duarte Cordeiro, Fernando Medina, Luís Montenegro, entre outros alvos de tinta climática não tiveram coragem de dar… — é dizer não a estes selvagens. É não tolerar a selvajaria. Por mim, a estes últimos selvagens que querem salvar o mundo vandalizando Stonehenge, era dar-lhes uma pequena escova de dentes e não os deixar sair de lá enquanto não estivesse tudo limpo!

João Adrião

Gestor Ambiental e Florestal

 
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