Feminismo

As mulheres do Presidente

Autor
  • Luis Carvalho Rodrigues

Para as feministas mulheres que aceitam a “objectificação" sofrem de “misoginia interiorizada” (uma versão do proletário alienado pelo capitalismo) e devem ser salvas. Se preciso contra a sua vontade

O Presidents Club Charity Dinner é um clube londrino só para homens que organiza anualmente um jantar de angariação de fundos para caridade. O clube foi notícia nas últimas semanas porque uma jornalista do Financial Times “infiltrada” revelou que o serviço do jantar anual era assegurado por “hospedeiras” vestidas com roupa preta e saltos altos. Foi o escândalo. No meio da confusão que se seguiu, a agência que contratou as mulheres e o hotel onde decorreu o jantar vieram pedir desculpa e garantir que não sabiam de nada. A presidente da comissão inglesa para a Igualdade repreendeu publicamente o senhor Nadhim Zahawi, ministro da Educação, por este ter estado no jantar (parece que saiu a correr às 21h35, quando as mulheres apareceram, mas isso não lhe serviu de nada). A primeira-ministra Theresa May declarou-se chocada. O secretário do clube demitiu-se. E os hospitais que beneficiavam da angariação de fundos anunciaram que iriam devolver o dinheiro (dois milhões de euros).

No meio da gritaria, ninguém se mostrou interessado em saber o que pensavam do assunto as mulheres do Presidents Club. De acordo com o próprio Financial Times, muitas delas são estudantes, actrizes, bailarinas, modelos. Dir-se-ia gente capaz de decidir a própria vida. Não entendem assim as novas activistas feministas, para quem as mulheres que aceitam a “objectificação” (como as hospedeiras do ridículo jantar do Presidents Club) sofrem de “misoginia interiorizada” (que é a versão feminista do proletário alienado pelo capitalismo). Não são verdadeiramente conscientes, não sabem o que fazem nem o que lhes convém e devem ser salvas. Se necessário, contra a sua própria vontade. Se necessário, e porque assim impõe o sentido correcto da História, com o seu próprio sacrifício.

Não exagero. Sally Howard, uma jornalista feminista que vive no Exmouth Market, uma zona trendy e carérrima de Londres, admitiu por estes dias na BBC ser “necessário” que estas mulheres percam o seu trabalho: “em todas as mudanças sociais”, explicou, “há pessoas que sofrem”. Sally Howard é a típica representante da esquerda “de causas”: faz jornalismo sobre assuntos “de género”, escreveu um livro sobre as violações na Índia intitulado “Os diários do Kama Sutra” e está a fazer um mestrado em “Género e Desenvolvimento”. A frase dita na BBC mostra que também leu o seu Lenine. E que as pessoas lhe não interessam para nada.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Eutanásia

Compaixão ou impiedade?

Luis Carvalho Rodrigues

Nenhum debate sério sobre a eutanásia pode deixar na sombra este ponto: ao contrário do que é dito, a eutanásia não é um problema de compaixão, mas de interesse. Não de quem parte, mas de quem fica.

Ciência

A medicina à procura da sua alma

Luis Carvalho Rodrigues

Os doentes estão assustados e frágeis. Vão aos “alternativos” à procura daquilo que não encontram nos médicos: empatia. Não querem um técnico que as examine e conserte como se conserta um automóvel.

Medicina

A tradição médica

Luis Carvalho Rodrigues
548

As medicinas “alternativas” ou não passam de sobrevivências anacrónicas da medicina ocidental pré-científica (a homeopatia) ou vivem do nosso fascínio pelo “exótico” (a medicina tradicional chinesa).

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)